terça-feira, 27 de junho de 2017

Dancing Brasil #13 - 26/06/2017 (Grande Final)

Chegou o grande dia! Na noite de ontem aconteceu a Grande Final da 1ª temporada do Dancing Brasil. Em clima de retrospectiva, emoção e surpresas, a noite da dança fechou o primeiro ciclo da grande aposta da Record TV em matéria de reality shows.

Falar do último episódio do Dancing Brasil chega a dar um aperto, pois mesmo sabendo que a 2ª temporada está a caminho, é impossível se desprender dos casais que, por 13 semanas, se dedicaram e proporcionaram belíssimas apresentações noite após noite.

O primeiro troféu "Dancing Brasil" foi entregue após 13 semanas de competições


Abertura
Foi exatamente assim que o programa começou: uma apresentação onde todos aqueles que fazem o programa (dos técnicos aos artistas, passando pelos maquiadores, editores e o diretor geral) dançaram ao som de Yes, um dos temas do filme Dirty Dancing. "Yes, we're gonna fall in love and it feels so right" dizia o refrão. Sim, outra música não seria mais acertada. A forma como tudo foi mostrado deixava claro como todos naquela equipe se apaixonaram pelo programa. A abertura mais dinâmica de toda temporada foi feita usando-se a técnica da Steadicam (a câmera é acoplada ao corpo do operador dando a impressão que o equipamento flutua enquanto registra toda a cena). Xuxa aparece ainda no camarim se dirigindo ao palco, a câmera não a acompanha, mas também segue rumo ao palco, onde todos os bailarinos já estão posicionados. Xuxa chega logo depois e arrisca alguns passos de dança. Pouca participação da Rainha, mas uma abertura memorável.

Sim, nós nos apaixonamos e você?

Figurino
Para fechar com chave de ouro a temporada de looks super elogiados pelo público, Xuxa vestiu um figurino confeccionado por Michelly X. A estilista conhecida por seu estilo "brilhante", com muitas lantejoulas e cristais, foi a responsável pelo primeiro e último vestido do Dancing Brasil, além de alguns outros no decorrer da temporada.

Xuxa e o figurino escolhido para fechar a 1ª temporada do "Dancing Brasil"
(Criação da estilista Michelly X)


Dinâmica da final
Após uma pequena retrospectiva com foco na evolução de todos os participantes, era hora de dar início aos trabalhos. A dinâmica do programa consistiu em três performances por casal: o ritmo que lhes rendeu a menor nota, o ritmo que eles mais gostaram de apresentar e o charleston, ritmo inédito no programa. Ao final, a nota de todas as performances seria somada e formaria o placar final, que não faria a menor diferença, já que o público ia decidir o casal vencedor independente da colocação na nota dos jurados.


Músicas
As músicas, em sua maioria bem antigas e não tão populares por aqui, foram todas cantadas ao vivo pela Quase 9, produtora musical da atração. Vamos à setlist da noite:

Abertura: Yes [Merry Clayton] (1987)

1ª Rodada: Ritmos em que os participantes tiveram as menores notas
1. Maytê e Paulo - La Vida És Un Carnaval [Celia Cruz] (1998)
Dança: Salsa

2. Leo e Dani - Vivir Mi Vida [Marc Anthony] (2013)
Dança: Salsa

3. Jade e Téo - Cell Block Tango [Chigado Cast] (1975)
Dança: Tango


2ª Rodada: Charleston, ritmo inédito no programa
1. Leo e Dani - Cabaret [Cabaret Cast] (1966) *Interpretada por Lívia Tabarian

2. Jade e Téo - Puttin' On the Ritz [Fred Astaire] (1930) *Interpretada por Milton Guedes

3. Maytê e Paulo - Yes, Sir! That's My Baby! [Frank Sinatra] (1966) *Interpretada por Guga


3ª Rodada: Ritmos que os participantes mais gostaram
1. Jade e Téo - Give Me Your Love [Sigala] (2016) *Interpretada por Milton Guedes
Dança: Cha Cha Cha

2. Maytê e Paulo - La Cumparsita [Carlos Gardel] (1927)
Dança: Tango

3. Leo e Dani - I Have Nothing [Whitney Houston] (1992) *Interpretada por Thalita Pertuzatti
Dança: Tango

Encerramento: I Wanna Dance with Somebody (Who Loves Me) [Whitney Houston] (1987) *Interpretada por Thalita Pertuzatti


A música tema do Dancing Brasil (e da franquia no mundo todo), I Wanna Dance With Somebody, embalou a apresentação final que novamente contou com todos os ex-participantes, com exceção de MC Gui, que não teve sua ausência justificada (e tampouco sentida). A caprichada e bonita performance foi  uma recriação da vinheta de abertura, que havia sido gravada em diferentes pontos turísticos do Rio de Janeiro e encerrada na Lapa. A coreografia foi mantida e as duplas vestiram o mesmo figurino usado na ocasião.

Admita, você assistiu esperando a parte do "Vem, Xuxa, vem Xuxá"


A votação e as performances
A votação teve início logo após as duplas finalizarem a 1ª rodada de apresentações. Enquanto o público já votava de casa, os jurados ainda davam suas notas no final de cada apresentação. O destaque ficou por conta de Jade e Teo, que ganharam triplo 10 nas duas primeiras rodadas, o que lhes rendeu a melhor nota da noite, seguidos de Leo e Dani e, em terceiro, Maytê e Paulo.

Maytê e Paulo foram os últimos nas apresentações da noite, maaaas....

Mas o público já havia eleito o casal preferido e a pontuação dos jurados em nada influenciou na hora da votação popular. Maytê e Paulo se tornaram os grandes vencedores, com menos de 1% de diferença para o casal segundo colocado, Jade e Téo.

Embora Maytê tenha arrematado sua vitória com a clássica "a voz do povo é a voz de Deus", a vitória da moça não parece ter gerado muita comoção entre os demais participantes. Foi impossível não notar como o clima de euforia do programa esfriou se convertendo em uma certa incredulidade; tanto que todos participantes foram abraçar Léo, Dani, Jade e Téo. Tudo bem que Maytê também não pareceu fazer caso de comemorar com os colegas...

Chorou tanto a temporada inteira que quase 
não sobrou lágrima - nem simpatia -  para a final.

 O objetivo do programa é que o público decida o grande vencedor da competição. Entretanto, num programa onde semana após semana são julgados o desempenho e a evolução de forma técnica, a votação pode não refletir isso. Pelo placar geral, o grande vencedor seria Leonardo Miggiorin, que na maioria das vezes teve notas ascendentes. Maytê manteve a média de suas notas ao longo da temporada, enquanto Jade apresentou a melhor evolução, pois suas maiores notas aconteceram da metade para o final.



Porchat
No final do programa, aconteceu uma espécie de mistura do Dancing Brasil com o Programa do Porchat. O humorista e apresentador interrompeu a "comemoração" no palco para fazer uma entrevista ao vivo com os finalistas e Xuxa. Parte do cenário do apresentador foi montado no palco do Dancing. A entrevista rendeu algumas revelações sobre os bastidores do Dancing e mostrou que a vencedora do reality de dança não é nada simpática como parecia nos primeiros episódios, mas como ela mesma disse ela é "uma mulher solteira com um prêmio maravilhoso na mão". Então, tá...

Aquele momento em que muita gente pensou "dá pra desvotar?"


2ª Temporada
Pra não deixar a saudade vir com tudo, pouco antes do resultado final, Xuxa apresentou o elenco da 2ª temporada do Dancing Brasil, que estreará no próximo 24/07. Serão 12 casais (ao invés dos 14 da 1ª temporada); os nomes são:

Mulheres: a cantora Lexa, a jogadora de volei Jaqueline Carvalho, a ex-jogadora de futebol Milene Domingues, a cantora Alinne Rosa, a atriz Suzana Alves e a dançarina Carla Prata;

Homens: o modelo e DJ Jesus Luz, o ator Carlos Bonow, o cantor Fernando Pires, o modelo (e ex-Fortão do Planeta Xuxa) Théo Becker, o apresentador Yudi Tamashiro e o ator Raphael Sander.

Os jurados Jaime Arôxa, Fernanda Chamma e Paulo Goulart Filho continuam na bancada mais exigente da TV. Já os bailarinos-técnicos serão substituídos.

Gente, o prêmio vai ser um ano de picolé Magnum grátis todo dia!

Agora é esperar e começar a torcer para que a segunda temporada seja tão divertida e emocionante quanto a primeira. Já têm palpite de quem vai se destacar, de quem pode ser o primeiro eliminado? Façam suas apostas, fiquem atentos e cuidado com o que vão transformar na voz de Deus... Ele não tem R7 no céu... 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Xegundo Xou da Xuxa - 30 anos

Por: Leandro Franco

Alô, galera! Nós vamos curtir agora a maior festa do ano!
É a festa do estica e puxa do “Xegundo Xou da Xuxa”!
E não é que é a festa da Xuxa? É da Xuuuuu...

Fala a verdade, você leu esses versos imaginando a voz do Moderninho, não foi? Provavelmente seria assim que o boneco de espuma da turma da Xuxa anunciaria a festa dos 30 anos do álbum “Xegundo Xou da Xuxa”, lançado pela Som Livre em 23 de junho de 1987.




 O Xegundo Xou da Xuxa veio para lapidar todo o processo iniciado no volume 1. A fórmula era a mesma, mas agora tudo fazia mais sentido, tinha mais identidade. A ideia de se montar um disco que alimentasse toda a estrutura do programa da TV estava concretizada e bem executada. Tinha a música para dançar, para comer, para o desenho, para a atração... tudo para que o baixinho se sentisse dentro do programa e junto com a turma da Xuxa.


Aliás, esse é o disco mais “turma da Xuxa” de toda a série Xou da Xuxa. Se no primeiro, ninguém sabia quem eram o Betão, a Juliana, o Zé ou a Lola; agora todo mundo sabia exatamente quem eram Praga, Dengue, Moderninho e as Paquitas... E o Xuxo! Sim, ele estava de volta, mas sem choro ou despedida. Só alegria! O cachorro que não brigava com gatinhos, mas perseguia sapos, agora até participava de uma banda, a banda da Xuxa.

Na contracapa todos os personagens da turma tiveram destaque


Banda da Xuxa, Festa da Xuxa, Receita da Xuxa! Opa, receita, não! ReXeita. A língua do X também encontrou seu lugar, mas se resumiu ao nome do disco e ao título da canção. Então vamos usá-la mais um pouco e entender porquê o Xegundo Xou foi mais um xuxexo da Xuxa!



Um é pouco, dois é... melhor ainda
Os excelentes resultados obtidos com as vendas do primeiro disco “Xou da Xuxa”, levaram a gravadora a esperar menos de 1 ano para colocar nas lojas o volume 2 da fórmula. O sucesso de Xuxa crescia em projeção astronômica e a Som Livre tinha que acompanhar.

Colocar o segundo disco nas lojas ainda nos rastro das excelentes vendas do primeiro
foi a estratégia da gravadora Som Livre


A produção do disco, inicialmente, ficou a cargo de Guto Graça Mello – produtor também do disco 1. Guto contou no programa “Os Anos 80 Estão de Volta”, exibido em janeiro deste ano no Canal Viva, que, após o sucesso de vendas do primeiro disco, não havia compositor que não quisesse enviar sua música na esperança que a faixa se tornasse uma das integrantes do “segundo” disco da Xuxa; afinal isso significaria um adiantamento de Cz$800 mil (*) em direitos autorais (informações do Jornal do Brasil em 26/06/1987).
(*) Equivalente a pouco mais de R$200 mil hoje

A loira contou ao jornal O Globo que agora não podia se dar ao luxo de fazer um disco “para ver no que daria”, o peso era muito maior:

“ A exigência agora é muita, mas vai ser bom, farei igual ou melhor que o primeiro. Mas não estou preocupada com o resultado das vendas, não sou uma cantora. Fico muito mais gratificada por ser uma apresentadora que, nos shows em ginásios e estádios do Brasil, canta com 25 a 30 mil crianças em coro total. Elas decoram as letras para me mostrar. É um carinho e é muito bom. Quem escolhe o repertório do disco é o Guto, eu dou palpites na escolha de cinco ou seis faixas porque acredito no meu “taco” com as crianças. ”    (O Globo, 16/03/1987)

Guto Graça Mello começou a produção do "Xegundo" e 
acompanhou a avalanche de composições enviadas à estrela.
Todos em busca do "toque de Midas" de Xuxa!


E realmente a exigência era maior, coroada Rainha do mercado fonográfico, Xuxa ouviu de seu “chefe” João Araújo, então presidente da Som Livre:

“ A Xuxa já é rainha do mercado fonográfico brasileiro e latino-americano. A nossa expectativa é de que ela bata seu próprio recorde, que é de 2 milhões e 600 mil cópias, o que Roberto Carlos jamais conseguiu. Xuxa é um fenômeno, sem dúvida. “ 
(O Globo, 18/06/1987)

A Som Livre investiu Cz$ 3 milhões e 500 mil – o equivalente a cerca de 1,5 milhão de reais, hoje – na produção do álbum e não se arrependeu. O disco saiu com um milhão de cópias vendidas ANTECIPADAMENTE.

_ Tem o disco da Xuxa no catálogo, o senhor quer?
Me vê uns dez pra eu vender na loja
_ Mas é o novo e só sai mês que vem, tá?
Ahhh, nesse caso me arruma uns 25...


Um número de fazer brilhar os olhos da gravadora, mas também bastante interessante para a Rainha, afinal a negociação lhe garantia uma porcentagem maior sobre as vendas – maior que os 14% pagos a Roberto Carlos, Maria Bethânia ou Rita Lee na época, por exemplo. Para se ter uma ideia, se fossem vendidos 2 milhões de LPs, Xuxa faturaria 25 milhões de cruzados(*) (Informações das revistas Afinal de 14/07/1987 e Playboy de agosto 1987) (*) aproximadamente R$7,9 milhões hoje.


Escolhendo o repertório e gravando
Se a exigência era grande a oferta também era. Xuxa recebeu cerca de 900 músicas. Dessas, só 14 entraram para o disco. Guto chegou a acompanhar a leva de canções, mas acabou deixando a produção:
“ Apesar de todo o sucesso do primeiro disco, durante a produção do segundo houve um desentendimento com a diretora da época. Para não gerar conflitos, em respeito à Xuxa, achei por bem me afastar do projeto, assim como da Som Livre.”                                (Guto Graça Mello, em bate-papo com o Xuper Blog, junho/2017)

A partir de então Michael Sullivan e Paulo Massadas assumiram a produção. Os dois já tinham trabalhado com Xuxa nas gravações do disco Clube da Criança (RCA, 1984).

“ O disco é dirigido não só para os baixinhos, mas também para os adolescentes. Tem músicas para crianças de um ano e, também, para aquelas gatinhas que já estão se transformando em mulher. Eu recebi 900 músicas e, no final, sobraram 14. Não deu pra diminuir mais o disco porque eu gostava de tudo. Todas são o meu xodó.”

Com a saída de Guto, Sullivan e Massadas assumiram o posto de produtores do álbum

E Xuxa achou um jeitinho todo especial de testar suas canções: depois de escolhida, a música tinha sua base instrumental tocada nos intervalos do programa, para que a loura pudesse observar a reação dos baixinhos. Se a garotada ficasse indiferente, a música era reprovada. (Jornal do Brasil – 26/06/1987)

Depois, a loira punha voz dando início ao processo de gravação. Quando a jornalista Gisele Porto questionou se a loira havia se preparado para a gravação do segundo disco, Xuxa foi honesta e revelou detalhes curiosos desse processo:

“ Eu não tinha tempo pra isso (se preparar melhor para gravar). Esse segundo disco nós gravamos em 20 dias, depois que o Sullivan e o Massadas substituíram o Guto na produção. Eu adotei alguns truques que o Massadas me ensinou, como beber água antes de gravar. Daí passei a beber dez copos d’água antes de cada música, fazer gargarejo. Acho que era psicológico, mas eu precisava.  (...)  Fui ver o espetáculo da Marília Pêra e perguntei o que ela fazia para cantar tão bem, além de estudar canto. Ela me disse para fazer mais caretas, soprando o ar que dava certo, e, agora, eu gravo fazendo isso. “

A dupla de produtores ganhou desenho feito por Xuxa no encarte do disco

As Músicas
O Xegundo Xou da Xuxa, embora repita a fórmula do disco anterior, não repete nenhum dos compositores do primeiro disco, a exceção de Reinaldo Waisman e seu parceiro Robson Stipancovich, mas Reinaldo já era “turma da Xuxa” – ele é o “pai” do Moderninho e de todos os desenhos que ilustravam os cenários.

Os arranjos foram feitos pelo grupo Roupa Nova e pela primeira vez temos as Paquitas como parte do coro das músicas.

A primeira vez a gente nunca esquece:
as Paquitas começam a fazer coro nas músicas a partir do Xegundo

Os produtores Michael Sullivan e Paulo Massadas também aparecem como compositores de três faixas das 14 lançadas.
A partir deste disco, as músicas de Xuxa começaram a ter coreografias, elaboradas por Oswald Berry.


1. Festa do Estica e Puxa (Bell Marques e Wadinho Marques)


♫♫♫ O He-man dança um rock gravado por Tom Jobim ♫♫♫


Os irmãos do grupo baiano “Chiclete com Banana” já chegam fazendo jus ao nome de sua banda e entregam para Xuxa uma de suas músicas mais “chiclete”. “Festa do Estica e Puxa” foi o carro-chefe do disco e a primeira música de ritmo baiano da loira.

“ Tem uma (música)... A Festa do Estica e Puxa, que gravei pensando mais no Nordeste, parece que já estou vendo o pessoal pulando aquilo no carnaval baiano” (Estado de São Paulo, 21/06/1987)

Os irmãos chiclete fizeram um hit chiclete para Xuxa

A ideia dos “irmãos-chiclete” foi juntar todas as referências possíveis ao universo do Xou – de personagens a elementos do cenário, passando pelos desenhos – numa grande festa, a festa da Xuxa. Nessa brincadeira temos a primeira menção a dois importantes personagens da turma: Dengue e Praga. A subversão dá o tom à letra: She-ra namorando Esqueleto, He-Man dançando rock de Jobim, pinguim na sauna, escoteiro dando uma de general...

Vale lembrar:
** Uma versão em espanhol chegou a ser gravada e tocava como música de fundo no Xuxa Park da Espanha, em 1992. A faixa nunca foi lançada. Nesse vídeo, no início, podemos ouvir a versão instrumental com o coro em espanhol do refrão:


** A música aparece ainda nos lançamentos: Karaokê da Xuxa (Globo Discos, 1987 – em versão instrumental); Xuxa 10 anos (Som Livre, 1996); Xuxa Hits – Vol.1 (Globo Disk, 1997); Xuxa Pérolas (Som Livre, 2000) e Xuxa 20 anos (Som Livre, 2006).

** É única música do “Xegundo” que integra a set list do Xuchá. Depois de mais de 20 anos, Xuxa volta a cantar a música, no show montado para aqueles que cresceram vendo e ouvindo Xuxa na TV.


 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

2.  Hey Mickey (Hey Mickey)
(Nicholas Barry Chin e Michael Donald Chapman / Versão: Xuxa)

♫♫♫ Você me faz sonhar, quero com você ficar! Hey, Mickey ♫♫♫

Primeira versão de uma música internacional feita por Xuxa, Hey Mickey é o que podemos chamar de “versão da versão da versão”. Sim, foram necessárias três versões para se chegar ao que conhecemos.

Em 1979, o grupo inglês Racey fez uma música chamada Kitty, que foi a inspiração para os compositores Mike Chapman e Nicky Chinn criarem o único sucesso da carreira da cantora americana Toni Basil. Versos foram modificados e o nome de Kitty substituído pelo de Mickey, que era um cara qualquer, nada relacionado ao personagem de Walt Disney.  Nascia “Mickey” (assim, sem o “hey”). A música estourou entre 1981 e 1982. Em 1986, a Disney resolveu lançar Minnie como cantora e fez um disco para a ratinha namorada do Mickey. Claro que não deixariam passar uma sacada dessas e criaram a versão “Hey Mickey”.
Agora sim é o Mickey da Disney.

A versão da versão da versão: três músicas até o Mickey da Xuxa

Xuxa, nos meados da década de 80, participava de pacotes turísticos acompanhando crianças brasileiras à Disneylândia. A música de Minnie tocava a exaustão nos parques e foi lá que a loirinha teve a ideia de trazer a canção para seu álbum. Em texto para o Jornal do Brasil sobre o Xegundo, o jornalista Tárik de Souza confirma:  “Toda viagem grande que Xuxa faz assim para a Disneylândia – a música Hey Mickey ela trouxe de lá – tem uma fita cassete contando, que nem esse diário aqui (...)”



Xuxa durante as viagens para a Disney World em 1987

Vale lembrar:
** A versão de Minnie tocava nos sorteios do Xou da Xuxa, sendo substituída pela versão de Xuxa tão logo a loira gravou.

** Quem fez a versão brasileira foi a própria Xuxa!

** Nós já dedicamos um post inteiro a essa faixa e você pode conferi-lo nesse link. Tem mais detalhes sobre a canção, suas histórias e versões.



 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

3. Feliz (Eduardo Souto Neto e Nelson Wellington)

♫♫♫ Eu sou feliz, eu sou feliz, quem toma conta e manda em mim é o meu nariz ♫♫♫

A faixa mais adolescente do disco, com uma pegada mais pop rock, ritmo não comum ao repertório de Xuxa, mas tarefa simples para a dupla que compôs o tema do Rock in Rio (1984). A letra segue para o lado “rebelde” comum aos adolescentes que não querem “a mãe na parada” e que pregam sua independência com a mesma frequência que ouvem “um rock bem da pesada”. Xuxa apresentava a canção como seu hino, mas provavelmente ela se referia mais ao refrão que ao restante da letra.  A canção acabou esquecida depois da fase de divulgação do álbum.

A performance de Xuxa para a música Feliz no programa do 1º aniversário do Xou
ficou eternizada na VHS Xou da Xuxa 2, lançada pela Globo Video em 1990


Vale lembrar:
** No encarte a letra é toda escrita como se o intérprete fosse um homem: “eu já não sou mais um garotinho /  sou muito louco por um carinho”. Isso explica a expressão “azarar um brotinho”, já que brotinho era uma gíria mais usada para as moças. Aliás, é curioso que os compositores usassem esse termo em fins dos anos 80, já que seu auge foi durante os anos 60 e 70 com a Jovem Guarda.

A faixa foi escrita como se um homem fosse intrepretá-la, mas Xuxa deu seu jeitinho...


 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

4. O Circo (Paulo César Barros, Prêntice e Ronaldo Monteiro de Souza)

♫♫♫ O palhaço me deixa tão feliz, quando brinco bate forte o meu coração ♫♫♫

Com tantas atrações circenses no programa, uma música sobre esse universo era mais que necessária. A letra de Prêntice e Ronaldo se encaixavam como uma cartola luva e a música fez mágica! Ela ultrapassou os limites do disco e seguiu sendo utilizada ano após ano no Xou e até mesmo no Xuxa Park. Uma música que foi feita para falar do circo acabou virando música de circo, quem nunca ouviu carros de som anunciando algum circo na cidade com a música tocando ao fundo ou até mesmo durante os espetáculos?

Atrações circenses sempre foram características do Xou da Xuxa
e precisavam de uma música-tema


Curiosidade: a melodia da música ficou a cargo de Paulo César Barros, que à época era cunhado de Prêntice. Ele, que não tinha qualquer relação ao mundo circense, nos contou que viu a melodia nascer mais rápida que um truque de mágica: “foi muito rápido, nem sentei para compor. Peguei o violão e a melodia surgiu completa em, sem exagero, cinco minutos.”

Vale lembrar:
** Nas versões LP e K7, a faixa aparece como “O Circo”, após a edição em CD o artigo foi suprimido ficando só “Circo”.

** Circo aparece ainda nos lançamentos: Karaokê da Xuxa (Globo Discos, 1987 – em versão instrumental) e Xuxa Hits – Vol.1 (Globo Disk, 1997).

** A versão em espanhol, El Circo, saiu no disco Xuxa (Globo Records, 1989) comercializado na América latina e EUA. A versão foi feita por Cristina Larraura.

** Em janeiro de 88, durante o Xou, ao falar sobre seus discos, Xuxa contou que gostava muito de Festa do Estica e Puxa, mas O Circo era seu verdadeiro xodó.

** Embora tenha ficado de fora dos álbuns comemorativos de Xuxa (10 anos e 20 anos), O Circo marcou presença no Especial Xuxa 10 anos com um belíssimo clipe gravado no Circo Beto Carrero World. Foi o primeiro clipe do programa.




 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

5. Banda da Xuxa (Reinaldo Waisman e Robson Stipancovich)

♫♫♫ O Dengue na guitarra, a Praga no tambor... Essa banda é um terror ♫♫♫

A música do Moderninho! O boneco, que roubava a cena nos sorteios do “Xou”, divide os vocais da faixa com sua musa Xuxa. Moderninho também é criação de Reinaldo, compositor da canção. O Xegundo é o único disco onde o louco boneco tem destaque: depois de uma rápida introdução em Festa do Estica e Puxa, ele agora comanda o “jazzi” a frente da banda. Aliás, esse mesmo “jazzi” já era executado por Moderninho nos sorteios junto com os ié ié iééé.

E no jazz a girar e a dançar, Moderninho vai arrasar

Apesar do destaque ao personagem, TODOS os outros participantes da turma da Xuxa estão na letra: Dengue na guitarra, Praga no tambor, Xuxo a latir, Paquitas a dançar. Não faltou ninguém (o personagem Frentinha só apareceu em julho de 1987).

Vale lembrar:
** Reinaldo e Robson repetem a parceria em músicas para Xuxa. Os dois já haviam composto “Turma da Xuxa”, lançada no disco anterior da apresentadora. O estilo dos dois é inconfundível: humor debochado e um tanto escatológico. Se antes tinha o bafo da Lola, o chulé do Zé e o bundão do Marcão, agora temos o sovaco da tia e o bundão do Agenor.

** E se o Praga confundiu o bundão do Agenor com o tambor, o Ministério da Justiça confundiu com uma ofensa à moral. A faixa chegou a ser proibida de ser executada nas rádios e TV justamente por conta desses versos. O Conselho Superior de Censura decidiu cancelar o veto e liberar a música em 21/08/1987. Como a música não era o carro chefe do disco, a rápida proibição não chegou a influenciar nas vendas.

Banda da Xuxa foi censurada por conta do "bundão do Agenor".
Curiosamente, "Turma da Xuxa" (do disco anterior e dos
mesmos autores) escapou ilesa e tinha os versos
"o Marcão é brigão porque é grandão, mas dizem no lugar que tem fama de bundão"


 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

6. Crock Crock (Rubens Alexandre)


♫♫♫ O Sapo Pula-Pula só queria brincadeira ♫♫♫

Crock-Crock conta a história do sapinho que invadiu a casa de Xuxa provocando uma confusão danada. Xuxa sempre contava que chegou a ter um sapo de estimação chamado Felipe e no dia do programa de lançamento do disco dá a entender que a música é sobre ele. Mas o sapo da vez se chama “Pula Pula” e fez bem mais que assustar a “mamãe, vovó e a titia”... A música se tornou um dos maiores sucessos internacionais de Xuxa! Quem diria que o Sapito Salta-Salta iria tão longe...

Vale lembrar
** A música aparece também no Karaokê da Xuxa (Globo Discos, 1987) em versão instrumental;

** A versão em espanhol – Crocki,Crocki – foi lançada no disco Xuxa 2 (Globo Records, 1991) e incluída na coletânea Xuxa Todos Sus Exitos (Globo Records, 1993), confirmando que o sucesso do Sapo Salta-Salta foi maior até mesmo que o de Luna de Cristal (que nem está no disco). Existiu ainda uma versão em inglês chamada Frog Frog, tocada no programa de Xuxa nos EUA.

** A música ganhou clipe no programa Xuxa no Mundo da Imaginação em 2002


** No LP e K7 a faixa nos é apresentada com a grafia Crock Crock, nas reedições em CD suprimiu-se o “K”, ficando somente Croc Croc, grafia mais comum para a onomatopeia do coaxar dos sapos.

** Em 2010 a música foi regravada para o XSPB 10 - Baixinhos e Bichinhos.


 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

7. Campeão (Lucas Robles, César Rossini e Conceição Azevedo)

♫♫♫ Tem que ser campeão com força no coração ♫♫♫

Conseguem imaginar Juninho Bill, Vanessa e Luciano (Trem da Alegria) cantando essa música? E Angélica? Não, nem nós, mas poderia ter acontecido. A faixa que fecha o lado A nas versões LP e K7 tem, provavelmente, a história mais curiosa de todas as músicas do disco. Batemos um papo com o autor Lucas Robles, confiram:

Como surgiu a oportunidade de compor uma música para a Xuxa e o processo de criação?
- Naquela época havia uma invasão de música focada para o público infantil. Eu e o César Rossini, meu parceiro, sempre estávamos ligados para compor músicas que tivessem a ver com o momento musical.  Tínhamos esta música (Campeão) que teve três letras; em princípio para um grupo que ia ser lançado e que uma das integrantes era a Angélica, bem no início de carreira, quando começou na TV Manchete. O grupo não deu certo e não foi lançado. Fizemos uma segunda letra para o Trem da Alegria, também não deu certo.

O então diretor da Editora Peermusic (onde editávamos as nossas músicas), Manoel Nenzinho Pinto, nos deu um toque: “a Xuxa está escolhendo repertório” e lá fomos nós a trocar a letra de novo para que tivesse a cara da XUXA, desta vez deu certo! Agregamos algumas palavras chave que tivesse a ver com Xuxa, como Rei, Reino da Alegria, floresta... Foi muito bom, era uma felicidade muito grande gravar com a Rainha dos Baixinhos.
A música foi muito bem aceita pelo público mirim, era muito lindo ver a galerinha cantando junto com a Xuxa….

Você esperava todo esse sucesso? A música teve até versão em espanhol!
Sim, claro, aliás, todas as músicas que a Xuxa lançava eram sucesso. A versão em espanhol ficou muito boa; eu tive a oportunidade de ver este sucesso pessoalmente em vários países, pois além de autor e compositor, era diretor e produtor musical e isso me permitia viajar muito.


Se as gravações de Angélica (como integrante do grupo Ultra-Leve) 
e Trem da Alegria seriam melhores nunca saberemos.
Já a clássica pose da capa...

Vale lembrar:
** A música se tornou uma espécie de tema da vitória e na temporada de 87 era tocada toda vez que alguém ganhava alguma brincadeira. Já no Xuxa Park, a música era tocada só quando os meninos ganhavam.

** A versão em espanhol, Campeón, saiu no disco Xuxa (Globo Records, 1989) e foi muito trabalhada no Show de Xuxa (Telefe), até mais que no Brasil.

** O primeiro e único clipe aconteceu somente no programa Xuxa no Mundo da Imaginação, em 2002.




          X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

8. Rambo (Michael Sullivan e Paulo Massadas)

♫♫♫ Vem que a paz não tem fronteira e a gente chega lá ♫♫♫

Mais uma canção em que o tema gira em torno de um desenho do Xou, mas Rambo tem algumas particularidades. Se antes (She-Ra e Peter Pan – Xou da Xuxa 1 – ou até mesmo Mickey neste álbum) a letra trazia Xuxa para dentro do universo do personagem, como se ela também fizesse parte da história, interagindo; agora Xuxa canta como se fosse uma telespectadora que só quer seguir os ideais do desenho.

O desenho Rambo surgiu no ano de 1986 e chegou ao Brasil através do Xou da Xuxa, em 29/06/1987, ou seja, na época do lançamento do álbum. Obviamente, as negociações para a compra dos episódios foram bem anteriores a isso e como a animação era uma das apostas da Globo para o segundo semestre de 1987, uma canção sobre o herói ajudaria bastante na divulgação.

A versão animada de Rambo: o desenho foi o chamariz da nova leva de desenhos do Xou

Sullivan e Massadas fizeram uma letra mais genérica, diferente do que estávamos acostumados a ouvir, até mesmo com outros cantores (He-Man / Thundercats do Trem da Alegria). Não há menção aos personagens, bons ou maus. O universo de Rambo-desenho era rico, havia muitos personagens na equipe “Force of Freedom”, mas eles diferem dos personagens do filme, o que dificultava aos autores uma letra mais fiel.

O nome da série animada era “Rambo: Força da Liberdade” e é só essa menção que você achará em toda a letra: Liberdade nós vamos conseguir/força, vida, o amor está aí”. À exceção do simples refrão, todas as estrofes poderiam muito bem se encaixar no perfil do He-Man, do Super Homem, do Lion-o... ou qualquer herói que se dispusesse a lutar contra o mal.

"Força da Liberdade": única referencia do desenho na música;
demais personagens - como K.A.T, crush do Rambo - foram ignorados


Vale lembrar:
** Rambo estreou no Xou da Xuxa naquele que era considerado o horário nobre do programa: no último bloco, por volta de 11/12h, horário em que o público era maior pois atingia as crianças que chegavam da escola e as que ainda estavam se aprontando para ir.

** Xuxa cantava Rambo antes mesmo do desenho estrear, pois o personagem já era conhecido de todos por conta dos dois filmes que já haviam saído.

** Mesmo sem ser uma das faixas de maior sucesso do Xegundo, Rambo foi incluída em sua versão instrumental no disco Karaokê da Xuxa (Globo Discos, 1987)


 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

9. Quem Quiser Que Conte Outra (Luiz Fernando e Fábio Luiz)

♫♫♫ E ainda sou mais bonito que o Alain Delon ♫♫♫

Imaginem uma brincadeira: um concurso onde o vencedor é aquele que contar a mentira mais absurda. Com uma letra divertida, Quem Quiser que Conte Outra traz os primeiros – e únicos – vocais de Dengue e Praga em um disco da Xuxa. Os próprios intérpretes dos personagens no programa gravaram em estúdio, mas só aparecem como “Dengue” e “Praga” nos créditos do álbum.

Quem Quiser Que Conte Outra: o primeiro registro musical da dupla de personagens

A canção faz parte de uma leva que ficou presa a uma época e só quem viveu nesse período consegue captar toda sua ideia. Como dimensionar para a geração Park ou XSPB quem eram Dengue e Praga? E isso não se resume aos personagens da turma! Uma das mentirinhas do Praga é que ele é “mais bonito que Alain Delon”. Essa era difícil até mesmo para os baixinhos dos anos 80. Alan Delon é um ator francês, hoje com 81 anos e foi um ícone de beleza masculina entre os anos 60 e 70, uma referência quase impossível de se captar para quem tinha entre 7 e 12 anos à época do lançamento do Xegundo.

Alain Delon, baixinho... aquele que namorou a Romy Schneider, sabe?


Vale lembrar:
** O termo “maninha” – “mas nunca me chame de Chita, ô maninha– é uma gíria típica da região Norte do Brasil e quer dizer “amiga”, “pessoa próxima”. Curioso porque essa expressão nunca se firmou no sudeste e nem era característica de Xuxa usá-la.

** Existe uma divergência de compositores para a canção. Enquanto Luiz Fernando e Fábio Luiz aparecem creditados no encarte; no ECAD, que cuida da arrecadação dos direitos autorais, a música é creditada a Michael Sullivan, Miguel Popschi e Sandra Rios.



 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

10. Aquecendo (Ginástica) (Michael Sullivan e Paulo Massadas)

♫♫♫ Você pode chegar, você pode malhar, você pode mudar seu ritmo ♫♫♫

O quadro da Ginástica exibido, inicialmente aos sábados, no Xou da Xuxa, era um sucesso e com o crescimento do programa, nada mais justo que ele tivesse uma música tema. Assim nasceu “Aquecendo” cuja letra compilava alguns exercícios que Xuxa já fazia durante o quadro na temporada anterior do programa.

Vale lembrar:
** Aquecendo (Ginástica) também aparece na coletânea Xuxa Hits (Globo Disk, 1997)
**A música foi tema do quadro até 1991, quando o mesmo deixou de ser exibido.



 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

11. Comigo Ninguém Pode (Patrícia Marques)

♫♫♫ Uma briguinha não faz mal, se tem beijinho pra depois ♫♫♫

Seguindo a linha do disco anterior, o álbum reserva uma de suas faixas à cantora Patrícia Marques (na época ainda sem a grafia Marx). Patrícia, que já havia cantado a bela Miragem Viagem (Black Orchid) no disco 1 do Xou da Xuxa, chega com um pop adolescente com letra de interpretação dúbia e que certamente não passaria ilesa nos dias de hoje. Se não fosse o fato de estar num disco classificado como infantil, a música hoje seria mais uma a engrossar o coro do “empoderamento feminino”, não muito diferente do que já produziram Kelly Key, Anitta e Ludmilla.

Pegar gravetos esfregar um no outro, acender uma tocha e correr na noite.
Depois fazer uma dança ao som de tambores indígenas para Jaci, a Lua...
Oi? Não é isso? Pancada de amor então é... deixa pra lá!


Vale lembrar:
** Patrícia tinha acabado de sair do Trem da Alegria e preparava seu primeiro disco solo, mas a canção não entrou para o repertório da garota, ficando restrita ao Xegundo.



 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

12. Dodói Neném (Guilherme Maia e Fred Góes)

♫♫♫ Fica combinado assim: até isso tudo passar, Xuxa você cuida de mim ♫♫♫

Uma das ideias para o Xegundo era que existisse uma música que falasse da criança que está doente, mas ainda assim vê o Xou da Xuxa e é o programa que faz a companhia para o baixinho até que ele se restabeleça. Foi a última música a ser gravada para o disco, como conta o autor Fred Góes:

Os produtores do disco tinham prazo para entregar mas faltava uma música sobre criança doente, o que sempre é muito difícil de se fazer já que é um tema delicado. Já era tarde da noite quando ligaram para casa do Guilherme Maia, o meu parceiro nesta canção, pedindo se ele seria capaz de fazer em caráter de urgência. Logo pela manhã ele me ligou e me propôs a empreitada. Nos reunimos e rápido fizemos a canção, logo aprovada pelos produtores.
O processo não foi complicado, tínhamos como foco falar de um assunto melindroso como "doença" sem perder a delicadeza, procurando ver o lado legal de estar em casa recebendo cuidados especiais.

Vale lembrar:
** A criança que faz a introdução da música é Pablo Meneghel, sobrinho de Xuxa e filho de Mara Rúbia, irmã de Xuxa. O baixinho também aparece na contracapa do álbum numa foto com a titia famosa.

Pablo Meneghel: participação na música e na contracapa

** Dodói Neném ganhou clipe em 2004 no programa Xuxa no Mundo da Imaginação.


 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

13. Rexeita da Xuxa (Arnaldo e Mônica Freitas)

♫♫♫ Guardei na geladeira uma surpresa e se quiser comer tem gelatina ♫♫♫

Quem Qué Pão deu certo no Xou 1, mas como dizem “nem só de pão vive o homem”, no caso, os baixinhos. Assim surgiu Rexeita da Xuxa! A música veio para ser uma espécie de tema para a hora do café da manhã, substituindo “Quem Qué Pão”. Embora tenha se popularizado assim, é bom ressaltar que a música fala de todas as refeições. A introdução e partes da letra remetem à tradicional tarantela italiana (os gritos “tem”, por exemplo).

Tem pêra? Tem! Tarantela também!

Vale lembrar:
** Rexeita da Xuxa foi tema do café da manhã até julho de 1989. Na temporada de 87, a primeira estrofe era cantada no encerramento do primeiro bloco, enquanto a segunda estrofe era cantada antes de Xuxa subir na nave, encerrando o programa.

**A música foi incluída em sua versão instrumental no disco Karaokê da Xuxa (Globo Discos, 1987). Uma versão em espanhol, Receta de Xuxa, foi lançada no disco Xuxa (Globo Records, 1989) e existe ainda a versão em inglês, Xuxa’s Recipe, de 1993, que não foi lançada comercialmente.

** A música ganhou clipe no programa Xuxa no Mundo da Imaginação em 2002






 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

14. Nós Somos o Amanhã (Michael Sullivan e Paulo Massadas)

♫♫♫ Campeã das nossas aventuras, nessa nave iremos com você aonde for ♫♫♫


Primeira música de Sullivan e Massadas num disco da Xuxa, Nós Somos o Amanhã também foi a primeira música divulgada. Na realidade, a música foi feita para o especial Xou da Xuxa Criança Esperança exibido em 28/12/1986 na Rede Globo e acabou entrando para o repertório do Xegundo.

É a única música do disco que foi produzida por Guto Graça Mello, conforme créditos do encarte. Xuxa canta apenas alguns versos (“Atenção, pequenos passageiros/ Vamos nós voar o mundo inteiro / espalhar pelo Planeta Terra o nosso amor”), além de fazer a introdução.

Como o próprio nome já fala, a música é cantada pelas crianças (o amanhã) e para isso foram convidadas as principais atrações infantis do “Xou”: Trem da Alegria, Os Abelhudos e as cantoras mirins Gabriela (famosa pela versão “Pego um Martelo”) e Tatiana (ex-integrante dos Abelhudos e que gravou a música Burocracia da trilha sonora de Super Xuxa Contra o Baixo Astral).

As principais atrações infantis do Xou dividem os vocais na faixa Nós Somos o Amanhã


Vale lembrar:
** A primeira versão tinha algumas diferenças: o primeiro verso é cantado por Diego Saldanha (do grupo Abelhudos), enquanto no álbum quem canta é a cantora Gabriela (que também canta o segundo verso em ambas versões). A introdução não tem a mensagem da Xuxa e os arranjos possuem algumas diferenças; no final há uma parte “acústica” enquanto o coro canta “lalala” .

** A música instrumental saiu no disco Karaokê da Xuxa (Globo Discos, 1987). Curiosamente a faixa é a base instrumental da primeira versão (!!!).

** A música é a única faixa da era Xou da Xuxa que está fora das plataformas digitais até hoje, provavelmente por alguma questão relacionada a direitos autorais (como aconteceu em 2015 com “Garoto Problema”)


 X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X  X 

Lançamentos

O Xegundo Xou da Xuxa foi editado inicialmente em LP e K7. O CD só saiu 8 anos depois.




A fita K7, como de costume, não trazia nenhum atrativo. O fato da foto ser pensada para a capa de um LP fez com que a gravadora precisasse preencher o espaço com os nomes das músicas, desvalorizando ainda mais a arte.




Já a versão em LP rendeu bem mais. Foram feitas duas tiragens: uma simples, tradicional, vendida desde a época do lançamento e outra em formato gatefold (a popular capa dupla), vendida no final de 1987. O formato gatefold se abre como se a capa fosse um livro e sua função primordial é abrigar um segundo LP.

Xegundo em versão gatefold: capa dupla mal aproveitada

No caso do Xegundo, isso não aconteceu e apenas adaptaram o encarte para o formato. O que acabou se tornando um desperdício de espaço, pois a parte interna é justamente para estampar imagens ou artes diferentes de uma versão simples.


A cartinha de Xuxa ganhou destaque na capa dupla

O formato gatefold do Xegundo fazia parte de uma série de LPs chamada “Super TV” que a Som Livre adotou no ano de 1987, ou seja, não foi só para Xuxa, até os discos das novelas da Globo vinham com o selinho da coleção na capa.

O selo "Série Super TV" saiu somente na capa dupla

Cantores, Novelas, coletâneas... tudo fazia parte da Série Super TV


Outra diferença entre a capa simples e a dupla era o encarte. A capa simples ganhou um encarte duplo com a “cartinha de Xuxa” e os créditos do disco de um lado e as letras das músicas do outro. Já a capa dupla contava com um encarte simples onde de um lado estavam as músicas do Lado A e no verso as do Lado B.

As cores do encarte também se diferenciam nas versões simples (preta) e dupla (rosa)

Só em 1995, o álbum ganhou sua primeira edição em CD. O lançamento aconteceu de forma simultânea com o álbum Xou da Xuxa. Já que o Karaokê da Xuxa – também de 1987 – não seria lançado no formato, a gravadora optou por dividir as quatro faixas inéditas do projeto entre os dois discos. Assim o Xegundo passou a contar com 16 faixas, ao invés das 14 originais.



Já falamos da nossa insatisfação à forma de como isso foi feito (no post do Xou da Xuxa – O Disco), mas vamos voltar um pouco ao tema. As faixas extras escolhidas para figurar no Xegundo foram “Estrela Guia” e “Beijinho Beijinho”, canções que não foram pensadas para o disco. Não procedem as histórias de que Estrela e Beijinho (assim como as que foram para o volume 1) fossem faixas descartadas do Xegundo, mas isso vamos abordar no devido tempo. Colocar Estrela Guia para abrir o CD é quebrar a concepção de uma obra. O disco não era natalino e sequer foi lançado na época de Natal. Que as faixas fossem colocadas ao fim do repertório como faixas-bônus.

A versão em CD "ganhou" como faixas bônus duas músicas do Karaokê da Xuxa

Tivemos outros 3 relançamentos em CD: 1997, 2006 e 2013. Somente na edições de 1995 e 1997 foi mantido o encarte original (adaptado para o formato), entretanto a contracapa foi mantida em todas edições na parte interna.



Divulgação
Além do Xou da Xuxa exibido no dia do lançamento, outros programas abriram espaço para a nova empreitada de Xuxa. Ela esteve no Jornal Hoje apresentado por Leda Nagle e nos Trapalhões.

Além do Xou da Xuxa: Xegundo nos "Trapalhões" e no "Jornal Hoje"


Xuxa fez ainda um show especial no dia 04/07/1987, no Scala no Rio de Janeiro. O show foi um sucesso, na plateia vários famosos como Leda Nagle, Hildegard Angel, Ronaldo Bôscoli, Renato Aragão, Marco Nanini e Maurício Scherman. O presidente da Som Livre, João Araújo também estava lá e ao final subiu ao palco para presentear a Rainha.

Registro de Xuxa durante o show no Scala/RJ em 04/07/1987


Os paulistas tiveram que esperar um pouco mais, o show de lançamento do disco só foi acontecer em 29/08/1987, no Palace.

Em São Paulo, o show de lançamento só aconteceu 2 meses depois



Uma estratégia curiosa foi adotada para garantir ainda mais vendas: numa parceria da Prodisc com os postos de gasolina Itaipava do Rio de Janeiro era possível comprar seu LP enquanto abastecia o carro.


Estratégia curiosa: abasteça o carro, troque o óleo
e ainda leve o disco da Xuxa pro seu baixinho


Na TV, claro, havia também o comercial. Por incrível que pareça somente “O Circo” tocava no comercial. Definitivamente não se precisava saber quais músicas tinha o disco, bastava saber que era da Xuxa.


Passada a euforia do lançamento, a Mimo incrementou as vendas da boneca – a primeira – com o Xegundo numa parceria com as Lojas Americanas. Quem comprasse a boneca, levava o LP.


Vendagem
Lembram que o João Araújo tinha falado que esperavam que Xuxa batesse o próprio recorde? Pois ela conseguiu! Xuxa fechou 1987 como dona do disco mais vendido no ano. O Xegundo permaneceu no topo dos mais vendidos por 6 semanas consecutivas, no total de 13 semanas. (Fonte: Jornal Folha de São Paulo e Nopem)



Os últimos dados oficiais de vendagem datam de 1993 e marcam 2.701.435 cópias vendidas. Infelizmente depois dessa data não há uma fonte confiável e atualizada como o Nopem que fornecia a vendagem dos álbuns no Brasil.


Os ensaios
Se o repertório do disco seguiu a fórmula de sucesso do primeiro, o ensaio da capa também.  Com fotos de James Reda e Joseph Kieny, os mesmos responsáveis pela capa do Xou 1, temos Xuxa novamente em corpo inteiro em mais uma pose que se tornou clássica. Se no disco anterior, a foto foi tirada de um ensaio já pronto para ilustrar a capa de última hora; agora Xuxa posou com toda calma para os fotógrafos.

Na contracapa as referências ao Xou ficam por conta das ilustrações de Reinaldo Waisman que se misturam a outras fotos do ensaio da capa e mais outros dois: um externo onde Xuxa aparece com seu sobrinho e outro em estúdio onde a loira lança mão das transparências.

Poucas fotos desse ensaio foram divulgadas, as mais famosas foram publicadas pela revista Manchete de 29/08/1987.





A capa ainda rendeu algumas inspirações mundo afora para outras cantoras: 

Patsy na Argentina ganhou o prêmio "Ctrl+C Ctrl+V de ouro",
já a cantora japonesa Koda Kumi foi uma coincidência e tanto... ou não?
#XuxaDidItFirst


Invadindo a Terra na tela do computador...
O Xegundo Xou da Xuxa fez história na música, nos charts, no programa, mas sobretudo na memória afetiva dos baixinhos que dançavam a Festa do Estica e Puxa ou imitavam a coreografia de Circo frente às suas TVs. Quem nunca fez pelo menos um pedacinho de Ginástica?

Há 30 anos Xuxa falou “É, baixinhos... com certeza vocês são o amanhã. Que legal que a gente está junto hoje...” Não sabemos se ainda podemos nos chamar de “amanhã”, mas com certeza é muito bom poder repetir “que legal que a gente está junto hoje”!!!

O Xuper Blog agradece ao produtor musical Guto Graça Mello, aos compositores Lucas Robles Paulo César Barros e Fred Góes pela gentileza e atenção e a você que embarcou na mesma nave que a gente há 30 anos!


E agora que tal rever um pouquinho dessa viagem?


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...