sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Programa Xuxa Meneghel #55 - 19/09/2016

O 55º Xuxa Meneghel começou mostrando a tocante história de um casal mais que especial. Fernandinho e Kelly são portadores de síndrome de down e foram surpreendidos pela visita de Xuxa, que preparou uma festinha de noivado para os pombinhos. A loira que sempre levantou a bandeira em prol das pessoas com a síndrome já não abordava o assunto há algum tempo em seu programa.


No palco, uma nova dinâmica de games com os convidados que, diga-se de passagem, cairia como uma luva no programa de Dia dos Pais. Conrado, Maurício Mattar e Fernando Scherer, o Xuxa, participaram junto de suas respectivas filhas de dois games: "O Genro Perfeito" e "Pai x Filha".



Com pouquinho de ousadia, os games se basearam nos pais acertarem as preferências e intimidades das garotas. A nova gincana funcionou, foi divertida e diferente do que estamos acostumados no programa, porém a interação entre pais e filhas não durou muito no palco.


Os humoristas Ed Gama e Felipe Rugger ocuparam a segunda metade do programa para fazer uma paródia do programa Domingão do Faustão com direito a ênfase no quadro Arquivo Confidencial, que virou o Arquivo de Pasta Confidencial. Equanto Ed se caracterizou de Fausto Silva, Felipe imitou Galvão Bueno. Da rápida esquete, destacamos Felipe Rugger Galvão Bueno narrando um gol da Xuxa - "aí vem ela, aí vem Xuxa Meneghel, gaúcha de Santa Rrrrrosa, aí vem ela... desceu da nave, beijou a criança, passou pela Praga, vem o Dengue, ela contorrrna! Dengue, que hoje se chamaria Zika... Aí vem ela, foi pra frente, de peixinho foi pra trás... Olha o gol xou, olha o gol xou, xooooooooou da  Xuuuuuuuuxa!"


Se o humorista buscou o passado e brincou com todas as referências "xuxescas" que pôde juntar, Xuxa não deixou por menos e recorreu à confusa narração de Galvão Bueno para a medalha de ouro de Michael Phelps nos Jogos de Pequim, em 2008.


Após suas atuações, os humoristas participaram de mais uma edição do Errou Caiu. Nessa parte, os pais e filhas convidados voltaram a participar, lendo as perguntas para os participantes. Nany People também tomou ajudou com as perguntas.


A atração musical da noite ficou por conta de Maurício Mattar que reviveu alguns de seus sucessos como "Nada Apaga Essa Paixão", que foi tema da novela das seis História de Amor (Rede Globo, 1995) e que ele chegou a cantar no Xuxa Hits em 1996.


Já que estavam revivendo musicas do passado, não dava pra colocá-lo cantando "Você Pode Ser Feliz", seu dueto com Xuxa, de 1994?


As mudanças esperadas por conta dos índices de audiência parecem começar a acontecer, mas temos impressão que existe cautela na hora de arriscar novas fórmulas logo de uma vez, como foi o caso desse programa, em que um novo tipo de game foi testado, mas rapidamente deu lugar ao que já estamos acostumados a ver. Ainda que em pequenas doses, as mudanças são bem vindas.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Programa Xuxa Meneghel #54 - 12/09/2016

A 54ª edição do Xuxa Meneghel teve como destaque a externa realizada com o deputado Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como Tiririca. Depois de um bom tempo sem se encontrarem, Xuxa e o palhaço bateram papo, cantaram, dublaram e novamente garantiram bons momentos. Para relembrar outros bons momentos, acesse nosso post "Xuxa, a Florentina de Tiririca".


Bem extensa, a matéria realizada na Feira de São Cristóvão e mostrou uma entrevista com o cantor, humorista e atual deputado federal, que em momento algum se descaracterizou do personagem. A matéria rendeu tanto que foi dividida em duas partes.


A parte mais aguardada, sem dúvida, foi o momento em que os dois sobem ao palco da feira e realizam uma performance de Florentina, inspirada no clipe que eles fizeram em 1996 para o especial de Dia das Crianças "O Direito de Ser Feliz", há 20 anos (e não 23, como tia Xuxa disse durante a matéria, ops...).


Em seu Instagram, Tiririca publicou um comparativo da foto em que aparece ao lado da Rainha em 1996, nas gravações do clipe, com a foto dos dois na apresentação exibida, e que foi repostada pela conta oficial do programa. 


No palco, a principal atração foi o Casei, Dancei, que parece já estar nas graças do público.


O quadro se desenrolou durante todo o programa em meio às apresentações do cantor Naldo (participando pela 3ª vez do programa), do cantor Léo Magalhães e de um rápido bate-papo com Nicole Balhs, que chegou a gravar uma participação no quadro Olimpíadas do Bem, que acabou engavetado.


A atração dessa semana buscou dosar melhor a externa com a dinâmica do palco, sem destacar nenhum dos convidados, o que acabou dando a Tiririca o posto de principal atração da noite.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Álbum: Xou da Xuxa Seis

Por: Leandro Franco

O grande sentido da vida
é a gente vencer cada dia
como se fosse o maior de todos os prêmios...

Os versos iniciais de “Bom Dia”, canção de Mário Marcos, são atemporais, não há dúvidas, mas há 25 anos eles faziam sentido como nunca na vida de Xuxa. A faixa é uma das que integram o álbum Xou da Xuxa Seis, lançado em 12 de setembro de 1991, pela gravadora Som Livre.



O contexto histórico

1991 foi um ano atípico para Xuxa. Profissionalmente as coisas não poderiam estar melhores: ela estreou o Show de Xuxa na Argentina expandindo seu reinado por toda América Latina e a Revista Forbes a elegeu como uma das artistas mais ricas do mundo – a primeira brasileira a figurar na lista! Mas a vida pessoal de Xuxa sofreu um baque: uma tentativa de sequestro e ainda a propagação de boatos, iniciados no Chile, de que suas músicas tinham mensagens subliminares fizeram com que o brilho nos olhos de Xuxa não fosse o mesmo e ela chegou a questionar o sentido disso.

Me sinto a boba da corte, a única pessoa alegre, num lugar em que todos estão tristes. Não dá pra esconder, a realidade esta aí, nas ruas. Gosto do que faço, mas não sei se vale a pena continuar fazendo aqui. Estou, sim, desanimada, triste, cansada e decepcionada com o País.”
Xuxa, em matéria da Revista Isto É, de 25/09/1991


Essas declarações estamparam inúmeras reportagens bem na semana de lançamento do disco. Foi o suficiente para que se falasse no fim do Xou da Xuxa e, consequentemente, o lançamento do último disco de Xuxa.


A Folha de São Paulo publicou em 13.09.1991:

O sexto e novo LP da apresentadora pode ser o último que ela lança no Brasil. Xuxa pensa em parar de fazer seu programa na Rede Globo. Sendo assim, ela diz não ver mais sentido em gravar um disco aqui. “Não me acho uma cantora”, disse. (...) Está quase certa, porém que o “Xuxa 6” deve ser seu último disco.

O jornal O GLOBO quis ir mais além e procurou a Som Livre para averiguar o impacto das declarações de Xuxa. Aretuza Garibaldi, a assessora da Som Livre, foi taxativa: “Nada foi comunicado até agora às empresas envolvidas. Não podemos dar nenhuma declaração sobre algo que desconhecemos”. (O GLOBO, 13.09.1991)



Diante desse impasse era de se esperar que a divulgação do Xou da Xuxa Seis ficasse atrelada a esse momento. E foi o que aconteceu. Até nas resenhas do discos, a possibilidade de encerramento da carreira da loira era o trilho.

Crítica publicada no Jornal O GLOBO de 30/09/1991

Coincidentemente, o "Seis" é o disco da era Xou da Xuxa mais “sério”. A preocupação em transmitir mensagens sobre a situação do planeta, a intolerância sobre as diferenças, a falta de diálogo entre a família nunca foi tão evidente, o que não quer dizer que as tradicionais músicas de celebração à alegria e ao lúdico tenham sido abandonadas.




As Músicas


Xou da Xuxa Seis teve produção de Max Pierre, Michael Sullivan e Paulo Massadas. Max Pierre, que era Diretor Artístico da Som Livre, assume pela primeira – e única – vez a produção de um álbum de Xuxa; ele atuou como diretor artístico nos volumes 2, 3, 4, 5 e 7 da era Xou da Xuxa.
Além do “novo” produtor, o disco contou também com um novo coral: pela primeira vez “As Meninas Cantoras de Petrópolis” fizeram coro nas faixas, substituindo os vocais das Paquitas.  Provavelmente uma sugestão de Max Pierre, já que ele também foi diretor artístico de um dos discos das “Meninas...” na mesma época.


1. O Xou da Xuxa Começou ----------------------------------------------------------------




Melhor forma de começar o álbum não havia. A canção composta por Dido de Oliveira segue o padrão dos volumes anteriores: uma canção convite! “É nesse pique total que de repente você vai se entregar e sorrir”. Sem dúvida, o momento mais eufórico do disco e justamente por isso, o mais injustiçado. Como uma canção desse calibre não serviu como tema de abertura da nave? Se aqui não aconteceu, no Show de Xuxa (1993) e nos Xuxa USA (1993) deu certo.



O Xou da Xuxa Começou apareceu também nos discos Xuxa 3 (RCA Records, 1992 – na versão em espanhol, El Show de Xuxa Comenzó); Todos Sus Exitos (RCA Records, 1993 – versão em espanhol); Xuxa Hits Vol.2 (Globo Discos, 1997) e Xuxa 20 Anos (Som Livre, 2006).
A versão em inglês, Xuxa’s Theme, não foi lançada oficialmente, sendo encontrada somente nas fitas K7 que acompanhavam algumas bonecas americanas da loira e mesmo assim, trata-se de uma versão editada.


Você sabia?

Ana Malhoa é uma cantora portuguesa com grande apelo na Terrinha. A moça é chamada de “A Rainha do Pop Português”, mas já foi apresentadora infantil. Entre 1994 e 1998 ela apresentou o programa Buéréré, que se tornou o programa infantil mais visto em Portugal. Nem precisamos dizer que ele era claramente inspirado no Xou da Xuxa; a moça tinha até um projeto de nave... Em 2005, Ana resolveu fazer uma “volta às origens” e lançou o CD Só Para Amiguinhos (sim, qualquer semelhança não é mera coincidência...). O álbum ficou 27 semanas na lista dos mais vendidos! A primeira música se chama “Bué da Fixe”. Bué da fixe é uma gíria portuguesa que serve para definir algo muito legal, muito bacana. Algo bem legal e bem bacana como o Xou da Xuxa... Bom, ouçam vocês mesmos...



2. A Dança do Coco --------------------------------------------------------------------------




A Dança do Coco foi a primeira “música de trabalho” do disco. Composição de Carlos Colla e Augusto Cezar, a letra é didática e se atém a descrever os movimentos da dança. O refrão fácil aliado à coreografia simples fizeram da música uma das mais queridas do disco. Xuxa incluiu a música na turnê de divulgação do álbum.

Xuxa cantou "A Dança do Coco" também na turnê de 1992

Marcante mesmo foi o “clipe” exibido no Especial de Natal “Fábrica das Ilusões”, de 1991. Posteriormente o mesmo foi incluído no VHS Xuxa Momentos Especiais (Globo Vídeo, 1992).
Um segundo clipe foi gravado no cenário do Show de Xuxa (Argentina). Apesar de estar no cenário do programa argentino, a versão escolhida foi a brasileira. Em 2003, um terceiro clipe, dessa vez para o programa Xuxa no Mundo da Imaginação.
Dança do Coco teve uma versão em espanhol, La Danza Del Coco, que saiu no CD Xuxa 3 (RCA Records, 1992)



3. Planeta Terra --------------------------------------------------------------------------------



A composição de Carlos de Andrade é o primeiro recado de Xuxa no disco. A canção, de forma alegre, busca atrair a atenção para os problemas da poluição (“não é possível a gente crescer tendo que aturar poluição e guerra”) e da intolerância religiosa (“não é incrível o homem brigar para poder rezar pro mesmo Deus da gente, só porque ele fala outra língua e tem nome diferente?”).
A faixa reedita o recurso de misturar idiomas em seu refrão, tal e qual a faixa do disco anterior I Love You Xuxu
Durante o Especial de Natal de 1991, a faixa foi cantada pelas Paquitas e Xuxa no papel de suas personagens no programa. Anos mais tarde, o programa Xuxa no Mundo da Imaginação (Rede Globo) fez um novo clipe.



4. Quem Sabe um Dia ------------------------------------------------------------------------



Torquatto Mariano e Cláudio Rabello trouxeram para a música as referências do filme “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” (1977), de Steven Spielberg.  Sabem aquele “La Ri La La La” do início da faixa? Pois então, no filme as naves espaciais se comunicam com os terráqueos através de uma melodia de cinco notas.



Mais uma canção com forte mensagem de alerta à destruição do Planeta: “animaizinhos socorrer / olhar  o outro como irmão / cuidar da terra como quem cuida do coração
Na turnê do disco, essa é a abertura do show e assim que sai de sua nave, Xuxa recebe o Daniel, o baixinho especial que a acompanha na performance. Notem que há um X no canto do palco cujas extremidades se acendem conforme a música, exatamente como no filme.



5. Bom Dia ---------------------------------------------------------------------------------------



Primeira regravação do disco, a canção de Mário Marcos já era conhecida nas vozes de Chitãozinho & Xororó, que a lançaram no disco Cowboys do Asfalto, em 1990. Teve um clipe gravado para exibição no programa, que posteriormente foi incluído no VHS Momentos Especiais. Em 2003, ganhou novo clipe no Mundo da Imaginação.
Uma das primeiras canções gravadas, é também a única canção do disco em que o coro é feito pelas Paquitas.



6. Não Basta (No Basta) ---------------------------------------------------------------------



Segunda regravação do disco, esta canção é também uma versão. Coube a Biafra adaptar para nosso idioma a música do cantor venezuelano Franco De Vitta. A faixa No Basta foi lançada por Franco em 1990, em seu álbum Extranjero; mas somente em 1991 conheceu o sucesso: foi #1 na Billboard Top Latin Songs e fechou o ano como uma das músicas latinas mais ouvidas nos EUA.


A versão gravada por Xuxa preserva praticamente toda a letra original, numa tradução quase literal do que Franco compôs. Provavelmente a canção mais densa de todo o catálogo de Xuxa. Desta vez não era um recado só para os baixinhos, mas também para os pais deles. Um alerta, uma preocupação sobre a forma de se educar um filho com base em presentes e sem diálogo.


A linguagem é bem objetiva e forte (“o seu pai não vai ser eterno”), o que representa uma quebra de padrões para as músicas de Xuxa. Não que ela não falasse de assuntos sérios, mas nunca havia falado tão explicitamente. Por essa razão, a faixa foi estrategicamente colocada como encerramento de um dos lados do LP. Ao terminar, o ouvinte ainda fica pensando no que lhe foi dito. Com a edição em CD, esse conceito se perde, pois logo em seguida vêm os acordes animados de Xuxa Café.

Você sabia?
Franco de Vitta foi um dos convidados do Paradão da Xuxa em 1992 e ele cantou a versão original da música. Na versão original, há uma introdução de crianças conversando, na versão de Xuxa essa parte foi cortada, mas foi reaproveitada como a introdução de América Geral (Xou da Xuxa Sete - Som Livre, 1992).


7. Hoje é Dia de Folia -------------------------------------------------------------------------



Nando Cordel, famoso pelas inúmeras canções que compôs e que já foram gravadas por artistas como Elba Ramalho (De Volta Pro Aconchego), Fafá de Belém (É Tão Bom Te Amar) e Maria Bethânia (Gostoso Demais) foi o responsável pela música de maior sucesso do disco “6”.
A canção foi composta nos bastidores do Xou da Xuxa e quem nos conta isso é a própria Xuxa em entrevista à Revista Regional de dezembro de 2014.


Hoje é Dia de Folia ganhou versões em espanhol, Hoy És Día de Alegria, e em inglês, Today’s a Happy Day. Em 2005 a música foi regravada por Xuxa para o sexto volume da série XSPB. A faixa aparece ainda nos discos: Xuxa 3 (RCA Records, 1992 – na versão em espanhol); Todos Sus Exitos (RCA Records, 1993 – versão em espanhol); Xuxa Hits Vol.2 (Globo Discos, 1997) e Xuxa Pérolas (Som Livre, 2000).



8. A Dança do Paloê ----------------------------------------------------------------------



Fafy Siqueira, amiga de longa data de Xuxa, fez sua primeira composição para a loira ao lado da parceira Sarah Benchimol. Dança do Paloê é adaptação (pelo menos o refrão) de uma canção tradicional de Sant Domingo – República Dominicana, Palo Bonito, composta em homenagem à Virgem de Altagracia. Os demais versos são criados por Fafy e Sarah.



Você Sabia?
Muitos fãs acreditam que Paloê é uma regravação da canção “Palo Bonito”(1988) de Chayanne, cantor porto-riquenho, mas basta uma audição mais atenta para perceber que o cantor também é um dos que regravou a canção folclórica e nada tem a ver com a versão de Xuxa.



9. Novo Planeta --------------------------------------------------------------------------------



A canção composta por Zé Henrique, Marcelo Azevedo, Marcelo Faria, Val Martino, Renato Terra e Angel Mattos foi uma das primeiras a ser gravadas, talvez a primeira. A música chegou a ser tocada no Xou da Xuxa até mesmo antes da estreia do cenário de 1991 e nessa primeira versão o coro era feito pelas Paquitas. A versão que saiu no disco teve coro das Meninas Cantoras de Petrópolis.


Foi essa canção que substituiu “Amiguinha Xuxa” como tema da descida da nave no programa . Uma mudança e tanto! Mais uma das músicas com mensagem de preservação à natureza (“Tratar bem os bichos / as flores acariciar / nunca fazer guerra / não poluir o ar”), a faixa ganhou um belo clipe que foi exibido repetidas vezes no Xou da Xuxa e ainda integrou a seleção de vídeos para o VHS Xuxa Momentos Especiais (Globo Video, 1992).


10. Fã Nº 1 ----------------------------------------------------------------------------------------



Única composição de Sullivan e Massadas, Fã Nº1 é a faixa mais infantil do disco e não podia ser diferente, pois conta a história de um baixinho fascinado pela loira. O refrão lembra rapidamente “Dança da Xuxa”, pela repetição “Xuxu Xaxa”. Em 1991, a Revista Marie Claire acompanhou um dia de Xuxa enquanto ela gravava o álbum e em certo momento relatam que a voz de Xuxa falhou várias vezes no início da faixa “Xuxuxu Xaxaxa”. Como não existe essa faixa no disco, é bem provável que a repórter quisesse se referir a “Fã Nº 1”.



11. Meu Cachorrinho Pimpo ---------------------------------------------------------------



Rubens Alexandre deu ao pequeno mascote de Xuxa uma honra que até então só Xuxo tinha recebido em 1986: uma música pra chamar de sua. Diferente da faixa dedicada a Xuxo, dessa vez a música é bem animada e não há que se falar em um deixar o outro. Pimpo era a companhia n.1 da loira em seus passeios, gravações e viagens.



Você Sabia?
Pimpo foi o presente que o cantor José Augusto deu a Xuxa por ocasião do seu 25º aniversário e ele veio com o nome de Xábado, uma referência à música Sábado do cantor. Logo foi rebatizado para Zé do Pimpo ou simplesmente Pimpo, como todo o Brasil o conheceu. Pimpo também virou personagem dos gibis da loira.



Curiosamente a capa da Revista da Xuxa em setembro de 1991, mês do lançamento do disco, foi a última capa de Pimpo na publicação.



12. Nana Caxuxa ------------------------------------------------------------------------------



Outra novidade na carreira musical de Xuxa: pela primeira vez uma faixa de um disco seu era toda falada sem refrão e melodia. Coube a Moacyr Franco escrever essa história que encerra o disco.  Xuxa convida seus ouvintes a embarcar numa viagem pela terra dos sonhos e retoma um recurso de finalizar seu disco com algo para ninar seus baixinhos; anteriormente só Xuxa e Seus Amigos (Philips, 1985) tinha feito isso. Moacyr utilizou-se do recurso da contração no título: Nana com a Xuxa > Nana Caxuxa




13.   Xuxa Café (Faixa Bônus) ------------------------------------------------------------


Xuxa Café foi composta por Ed Wilson e Carlos Pedro. A faixa só foi incluída na edição em CD do álbum. Não havia espaço suficiente no LP para a inclusão da mesma. Foi a única vez que um disco de Xuxa teve uma faixa a menos que sua versão em CD. A música serviu de tema para o café da manhã durante a temporada de 1991.


14.   Faixas Descartadas --------------------------------------------------------------------
Pelo menos três faixas foram feitas para estar no Xou da Xuxa Seis acabaram foram da seleção final: Corrente do Amor, Tô Aí e A Cigarra e A Formiga.




As duas primeiras foram lançadas posteriormente no disco XUXA (Som Livre, 1993) e podemos deduzir que eram da mesma lavra pelos créditos de produção e pela presença do coro das Meninas Cantoras de Petrópolis, além da própria Xuxa ter dito em seu programa dominical que o disco de 1993 era composto de faixas produzidas para trabalhos anteriores e que acabaram descartadas.

Mesma produção, mesmos músicos, mesmo coro...

Já “A Cigarra e A Formiga” permanece desconhecida do público. Como dissemos, a Revista Marie Claire acompanhou um dia de gravação do álbum e em determinada  momento cita a gravação dessa música. Vejam:




Os Formatos

O álbum foi disponibilizado em três formatos: LP, K7 e CD, nessa ordem de prevalência.



O LP, formato dominante em vendas na época, trouxe um encarte que reproduzia a foto da capa proporcionando uma visão “completa” da foto. Apesar de ser uma das fotos mais belas de Xuxa, por que repeti-la já que havia todo um ensaio disponível? No verso do pôster estavam as letras das faixas e uma pequena arte de Reinaldo Waisman para a Nave Xuxa, que aparecia pela ultima vez num disco da loira – e também em suas cores originais, pois em 1992 a Nave passou a ser branca.



A fita K7 não tinha nenhum atrativo, como de costume. Sua capa trouxe a foto “completa” e o nome do álbum passou a ser grafado na horizontal; notamos também que a bandeirinha do Brasil mudou de lugar – logo falaremos dela.


Embora Xuxa já tivesse alguns poucos títulos lançados no formato de compact disc, a representatividade do formato nas vendas ainda era tímida, mas dessa vez ter o álbum em CD fazia a diferença. Pela primeira e única vez, uma edição em CD de Xuxa trouxe uma faixa-bônus: Xuxa Café.


Como se não bastasse, somente quem comprasse o álbum nesse formato poderia ter as faixas completas. Isso mesmo! Quase todas as faixas do Xou da Xuxa Seis tiveram sua duração diminuída para caber no LP.  Comparem:


Existe uma informação de que Xuxa Café foi incluída em uma única tiragem do disco em LP, o que não procede. Se tiveram que encurtar as faixas para caber no LP, iriam encurtá-las ainda mais para colocar Xuxa Café?
O álbum foi relançado mais três vezes em CD depois da tiragem inicial: 1997,  2006 e 2013. Nenhuma tiragem teve seu encarte reproduzido, somente as contracapas sofreram alterações.



Outra coisa a ser notada é a impressionante variação na impressão das cores da capa; a edição de 2006 deixou a foto tão clara que parece até outra foto. Essa edição também trouxe a foto da contracapa num outro enquadramento que permitiu que o chapéu fosse visto por completo em detrimento ao braço de Xuxa.


A contracapa com um novo enquadramento na edição de 2006

O último lançamento do Xou da Xuxa Seis aconteceu em 2013, quando a Som Livre lançou um box comemorativo. Pela primeira vez tivemos o formato cardsleeve.



Divulgação

A Som Livre investiu bem na divulgação do disco. Anúncios foram publicados nas revistas em quadrinhos da Editora Globo (Turma da Mônica e Turma do Arrepio) durante os meses de setembro e novembro. Curiosamente a Revista da Xuxa não publicou nenhum anúncio sequer.



Nas ruas do Rio de Janeiro pôsteres com a capa do disco foram afixados nos pontos de maior movimento, como mostra o livro “Xuxa – The Mega-Marketing of Gender, Race and Modernity” (Temple University Press, 1993) de Amelia Simpson:



Para a TV um comercial também foi criado. Uma baixinha – hoje bastante famosa – convidava todo mundo a “se requebrar e se remexer com o novo disco da Xuxa”. Descobriram quem é?


Completando a estratégia de divulgação, uma turnê percorreu as principais cidades brasileiras entre setembro e dezembro de 1991.





No repertório, várias músicas do álbum e os clássicos sucesso de Xuxa. A abertura era feita ao som de “Quem Sabe Um Dia...” e tinha a presença do garoto Daniel, portador da Sindrome de Down. Após sair da nave, Xuxa cantava a música no cenário quase todo apagado em quanto uma projeção de estrelas a rodeava.


Com toda a divulgação, Xuxa Seis não fez feio e vendeu cerca de 1 milhão de cópias. No Xou da Xuxa especial de Natal daquele ano, Xuxa recebeu disco triplo de platina e um de ouro pelas vendagens.



Xuxa 2, Xou da Xuxa Seis e a bandeira do Brasil

Pela primeira vez (e única), um disco de Xuxa trouxe uma identificação na capa, representada pela bandeira do Brasil. A explicação estava no próprio encarte: “a bandeira na capa caracteriza a edição brasileira do disco, uma vez que a mesma capa foi utilizada para a edição do disco Xuxa 2 em espanhol”.


Parece simples, não? Nem tanto. Muitos fãs comentam que chegaram a procurar o disco Xuxa 2 com uma bandeira argentina, por exemplo, na crença que se havia a necessidade de diferenciar, haveria a outra opção; mas não é bem assim... A identificação pela bandeira NUNCA foi destinada ao público brasileiro e sim ao público de língua espanhola da América Latina. O disco Xuxa 2 saiu ANTES do Xou da Xuxa Seis (e nunca foi comercializado no Brasil), por essa razão ele não tem bandeira alguma na capa; porém desde o Xuxa 5 (Som Livre, 1990) os discos de Xuxa em português passaram a ser distribuídos também nos países que a assistiam via Show de Xuxa e como explicar para os latino americanos que aquele disco não era o mesmo que eles já viam nas lojas há mais de um mês? Com a bandeira, claro! Não há que se falar em identificação para o Brasil, pois só existiu uma opção de venda.

O ensaio da capa

Como vimos, a capa do disco em espanhol foi uma escolha tão acertada que a equipe de Xuxa não pensou duas vezes em reaproveitá-la aqui no Brasil. O ensaio “solar” de Xuxa até hoje é um dos que mais rendeu fotos divulgadas fora do disco. Variações da capa – ou outtakes, se preferirem – ilustraram matérias e até capas estrangeiras.


“O visual das fotos da capa e da contracapa é simples e natural, e Xuxa parece estar esbanjando saúde. Usa um chapéu de palha de aba larga, com os fios dourados delicadamente combinados numa textura que une simplicidade com complexidade, sugerindo artesanato antiquado. A dualidade mulher-criança de Xuxa está presente nas expressões contrastantes entre a capa e a contracapa do LP. Na capa ela está séria e sedutora; na contracapa está risonha, a cabeça virada pra trás, o longo pescoço emergindo de um macio e dourado par de ombros nus.” – discorreu a escritora americana Amelia Simpson, no já citado livro. (Trecho extraído da tradução da Editora Sumaré, 1994).

Você sabia?
Os cliques do fotógrafo Paulo Rocha foram feitos mais de um ano antes de sair o disco Xuxa 2. Provavelmente foram feitas na mesma época que Paulo fez as fotos do ensaio para a capa do disco Xuxa 5.



Me leva pro futuro, me leva, coração...

São 25 anos desde o seu lançamento, Xou da Xuxa Seis marcou a carreira fonográfica da Rainha por sua coragem e ousadia, nenhum outro disco de Xuxa foi tão incisivo nas mensagens a serem deixadas. Em pleno 2016, o homem ainda briga pra poder rezar pro mesmo Deus da gente; pais e filhos ainda não perceberam que o afeto dado muitas vezes é bem pouco; ainda não aprendemos a olhar o outro como irmão ou a cuidar da terra como quem cuida do coração... Talvez mais 25 anos sejam pouco, mas a gente tem muita esperança, devemos plantar a semente, queremos colher o sorriso que tem nossa gente...

Alguma dúvida quanto à atualidade desse disco?



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