terça-feira, 1 de julho de 2008

Linha do Tempo - Matéria sobre o aniversário de 2 anos do "Xou"


Confira uma matéria jornalística da época que fala sobre o tumulto causado em frente ao teatro Fênix devido a comemoração dos 2 anos de programa.


Jornal: Jornal do Brasil
Data de Publicação: 01/07/1988
Repórter: Dulce Janotti

O FRENESI DA XUXA


Aniversário do show leva delírio e tumulto ao Jardim Botânico"
Os dois anos de sucesso da Xuxa foram comemorados com gritaria, confusão e transtorno ontem, das 8h às 12h, no Teatro Fênix, Jardim Botânico, O Detran fechou desde anteontem à noite o lado esquerdo da Rua General Gazon e a pisita em frente ao Teatro Fênix na Rua Lineu de Paula achado e a PM por duas vezes teve que interditar a Rua Saturnino de Brito, com medo de que fossem atropeladas crianças eufóricas com a sua musa. Durante toda a manhã e boa parte da tarde o trânsito do Jardim Botânico, normalmente congestionado, ficou um caos e motoristas irritados buzinavam sem parar.

Por volta de uma hora da madrugada, a fila para o show, formada por pais, mães, adolescentes e crianças, uma grande parte ainda de colo, ia até à Rua Jardim Botânico. Quem chegou depois das 5h não conseguiu mais entrar no teatro e teve que se contentar em assistir a festa como teriam feito em casa: pelas telas de televisões, estrategicamente colocadas na calçada em frente ao teatro. Para estes, Xuxa concedeu a graça de aparecer na rua por duas vezes, escorada nos ombros de seguranças. Nestes momentos, o tumulto era grande e entre empurrões para ver a apresentadora, vestida de branco, com apliques coloridos e duas "xuxinhas no cabelo", algumas se machucaram. A primeira aparição foi às 9h30min, quando Xuxa distribuiu disco, bonecas e vários brinquedos e a segunda às 11h, quando cantou e dançou levando ao delírio as crianças, a maioria vestida com algum adereço do guarda-roupa de sua heroína.

Sem se importar com a confusão, Marina, 11, dizia que o show estava o maior barato e pedia a sua mãe, Clara Roberta Melo, para voltar em outros programas. Paula, 8, que veio de Camas com o pai Pedro Lopes, chegou a chorar quando viu a apresentadora. Junto com Xuxa, ela dançava e cantava as músicas que aprendeu pela televisão. "Ela fica doida quando vê a Xuxa e pelos filhos a gente faz qualquer coisa. Coitado de mim se não viesse aqui hoje", brincava seu pai Pedro Lopes.

Com os filhos nos ombros para poderem dançar e assistir ao show, alguns pais que saíram cedo dos subúrbios ou de municípios vizinhos ao Rio voltaram carregando as crianças cansadas no colo. No final da festa, várias dormiam sobre papéis na calçada, Era ande o número de moradores da Rua Lineu de Paula Machado e das ruas vizinhas que estavam indignados com o barulho e o caos que se transformou o trânsito da ruas Jardim Botânico, Pacheco Leão, General Gazoni, Saturnino de Brito e as pistas da Lagoa Rodrigo de Freitas.

"Ninguém dormiu durante a madrugada. Além do teste com o som, eles bateram prego a noite inteira nos tapumes colocados em frente ao teatro", contava indignada Derci Schliemann, moradora na Rua Lineu de Paula Machado, 1006, apto. 204. Sua vizinha, Rosa Pereira, reclamava que não conseguia sair com o carro da garagem do prédio. "Todo dia de gravação esta rua vira uma bagunça, mas hoje está insuportável, A gente nem pode deixar o portão aberto, porque as pessoas entram para ir ao banheiro e tomar água", contou ela.

Disputando uma boneca para a sua filha Andréa, 17, Creuza Braga acabou tendo as orelhas rasgadas pelos brincos arrancados na confusão. "A Xuxa jogou uma boneca e eu peguei, mas as pessoas avançaram sobre ela e fiquei apenas com o corpo. Na segunda vez, mostrei a boneca sem cabeça, ela jogou de novo em minha direção e no tumulto consegui salvar a cabeça e uma mão, mas a confusão era tanta que arrancaram meus brincos", contava ela, mostrando a boneca sem uma mão."Eles não podiam anunciar que quem chegasse, entraria. As crianças estão chorando", disse Lourdes Perez, que voltou para Petrópolis com as filhas Mônica, 8, e Jaqueline, 5, sem entrar no teatro. Muitas crianças passaram mal e tiveram que ser atendidas no posto médico, montado dentro do teatro.

"Por que não fizeram esta festa no Maracanãzinho, este teatro tem capacidade para apenas 650 pessoas'', comentava o sargento Orlando, do 2º BPM, que com seus homens tentava a todo custo controlar as crianças para que elas não fossem para o meio da Rua Saturnino de Brito. Policiais calculavam que às 7h30min, quando Xuxa chegou ao teatro havia cerca de 3 mil pessoas na rua. Para a festa foram mobilizados 70 homens do 2º BPM, bombeiros do Batalhão da Gávea, cerca de 30 policiais femininas e mais de 300 seguranças da Globo.

A festa terminou com Xuxa dedicando o primeiro pedaço de bolo para Bruna, a menina brasileira que foi seqüestrada quando nasceu, há dois anos, levada para Israel e agora está em São Paulo com os pais. Ela pediu desculpa "aos baixinhos" pela confusão e do lado de fora soltou dezenas de pombos.
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