sábado, 13 de setembro de 2008

Crônica: Xuxa, nasce uma estrela...

Confira uma crônica escrita por Maurício de Souza em 1997, sobre sua amizade com Xuxa, publicada no site oficial da Turma da Mônica (http://www.monica.com.br/):

Começou com um telefonema do Pelé: "Você precisa ajudar a Xuxa a entrar na Globo, cara!"

Eu estava no México, durante o campeonato mundial de futebol, e um grande amigo me pedia auxílio para sua namorada. Se eu pudesse... tivesse condições...

"Seguinte: ela tem que apresentar um cenário novo para o Boni. Ele já vetou um! Além disso, tem que bolar brincadeiras novas, jogos... você não tem alguém aí da sua equipe para assessorá-la?"

Xuxa, nesse tempo, era a namorada do Pelé e estava deixando a TV Manchete, contratada pela Globo. Resolvi desviar um pouco a minha atenção da Turma da Mônica e tentar atender ao pedido do amigo, com o auxílio de alguns bons artistas do nosso estúdio.

De volta ao Brasil, conversei com a Xuxa, trocamos idéias sobre cenário, jogos, produtos para licenciamento... e percebi, desde o início, sua dedicação e criatividade a serviço da carreira. Era (e é) uma guerreira.

Começamos a trabalhar duro e nasceu o cenário, depois aprovado pelo Boni. E nasceram idéias para todo o universo Xuxa que se seguiu. Cheguei a criar uma nova empresa chamada TOY-SA, com alguns associados, para cuidar dos produtos da Xuxa. Mas não houve "liga" entre ela e meus associados. Também nessa época, um dos meus criativos debandou. Foi criar diretamente com Xuxa. A Globo insistia em cuidar, cada vez mais de perto, dos negócios crescentes do seu merchandising. Marlene Mattos crescia na administração do processo. Era hora de eu me retirar e cuidar exclusivamente da minha "família Mônica", mesmo porque muitos colegas do meu próprio estúdio me chamavam a atenção por eu ter ajudado a criar uma forte concorrente.

Nunca pensei assim.

Xuxa é um fenômeno diferente do fenômeno Mônica. Há espaços mil, no mundo da comunicação e dos negócios, para processos como os de Xuxa, Mônica, Angélica, Mickey, Pernalonga e outros.

Alguns mitos ou marcas se eternizam, viram clássicos, quando lastreados em cuidados técnicos, boa imagem e mensagem. Enquanto a grande maioria se esvai depois de uma onda, de um modismo.

Se a decisão está nas nossas mãos, podemos optar pelo bom e rápido ótimo negócio ou o bom e estável negócio a longo prazo. Se pudermos, além disso, nos realizar com essa atividade, melhor ainda.

Essas opiniões eu passei para a jovem Xuxa nos nossos primeiros contatos. Ela (e Marlene) optou pelo caminho das estrelas e, em muitos momentos, preocupei-me com a Xuxa "esmagada", como ser humano, pelo sucesso.

Hoje vejo, com satisfação, que ela já se reserva tempo e carinho.

Fico feliz por minha amiga e gratificado por ter assistido ao nascimento de uma estrela.
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