segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Editorial: Chega de ser acusada de vilã

Confira abaixo o longo editorial escrito por Xuxa para a revista Veja do dia 28 de outubro de 1992, no qual ela se defende sobre o caso do filme "As Aventuras de Xuxa no Planeta X".

Nunca me manifestei sobre esse assunto por 3 motivos. Primeiro porque não é um assunto do interesse do meu público. Segundo, porque se trata de mais de uma tentativa oportunista de atingir o meu sucesso pessoal, que tanto incomoda os invejosos. E terceiro porque tudo o que eu via tinha objetivos sensacionalistas. Infelizmente, passados mais de cinco anos, não tive a oportunidade de me defender adequadamente no processo, e erros de terceiros me levaram a esta situação difícil. Hoje, lendo as notícias publicadas sobre o assunto, só vejo mentiras e percebo que o meu silêncio está me prejudicando, e muito. Me acusam de descumprir contratos, abandonar o Brasil e de ser vilã do cinema nacional. Trabalho no mundo artístico há dez anos, sempre agi corretamente, com lisura e dignidade em todos os meus compromissos. Confiei na Justiça e continuo confiando. Respeitei a imprensa, procurando colaborar em tudo. O que não posso admitir é, após uma década de trabalho no Brasil, ser acusada de infratora, mentirosa e descumpridora de minhas obrigações. Chega! A imprensa vem sendo usada por pessoas inescrupulosas, que não gostam do sucesso de uma mulher. Em toda a minha carreira sempre agi com pontualidade e disciplina, as características mais fortes da minha personalidade. É mentirosa a afirmação de que deixei de fazer o filme "Aventuras de Xuxa no Planeta X" para fazer "Super Xuxa Contra o Baixo Astral". O primeiro era para ter acontecido em 1987, o segundo aconteceu em 1988. Não descumpri nenhum contrato com a Interfilmes. Ao contrário, ela é que não cumpriu as ações e prazos acertados de comum acordo. Nunca abandonei o Brasil. Sou brasileira, gosto daqui e nada me afastará. Já tive motivos mais fortes, que comprometiam a minha segurança pessoal, e não abandonei. Não será um processo judicial que o fará. Não devo nada a ninguém. Tenho a consciência tranquila. Deito minha cabeça no travesseiro todas as noites e durmo tranquilamente. Se a justiça entender que tenho que pagar alguma indenização, pagarei. O meu caráter não me permite fugir de situações desfavoráveis. Brigarei sempre que me entender prejudicada em meus direitos. Vou brigar até o fim para não pagar nada à Interfilmes, porque entendo que nada devo. A última e mais absurda das acusações é que sou a vilã do cinema nacional. Nos últimos quatro anos participei direta e indiretamente de sete filmes longa-metragem. Dei emprego a centenas de pessoas. Proporcionei alegria e diversão a milhões de pessoas, realizando promoções infantis de alto nível técnico. Será que sou realmente a vilã da história? Se o filme "Aventuras de Xuxa no Planeta X" não aconteceu, não foi por minha causa. Lamentavelmente, a produtora encarregada da produção não tinha recursos necessários para produzi-lo. Daí o motivo do não cumprimento dos prazos combinados. Tempos após a rescisão do contrato, descobri que a Interfilmes, em última e desesperadora tentativa, vendeu 50% dos direitos do filme para o senhor Hélio Ferraz, que em troca teria uma participação no filme no papel do personagem Super Helinho. Tal decisão teria que ter minha aprovação e nunca fui consultada. Agora fui surpreendida com a informação de que o juiz responsável pelo processo determinou o "arresto" de todos meus bens pessoais. Tal decisão foi tomada com base nas alegações da Interfilmes, que dizia que estou vendendo meus bens pessoais e vou fugir do Brasil para não cumprir as decisões da Justiça. Afirmaram também que em 1993 não terei mais programa na TV Globo. Tudo mentira. As minhas viagens para o exterior não são para cumprir contratos com as televisões americana, argentina e espanhola. Em 1993 continuarei com o programa na Globo. Não abandonarei o meu público. Não estou vendendo meus bens imóveis. Sou empresaria e quando vendo alguns imóveis compro outros. O meu patrimônio nos últimos anos cresceu. Se estivesse preocupada com o processo, não compraria mais nada em meu nome. Sobre a absurda quantia de 100 bilhões de cruzeiros, que supostamente eu deveria pagar, quem vai decidir é a Justiça. Respeito e confio nas pessoas que vão averiguar e analisar os valores apresentados pela Interfilmes. Sei que estão sendo pressionados por tudo o que está acontecendo mas continuo confiando. Até para o leigo é fácil observar que um filme nacional não pode chegar à astronômica quantia de 100 bilhões de cruzeiros, como resultado de comercialização. É evidente que os valores apresentados estão superfaturados. Nos próximos dias meus advogados ingressarão na Justiça com documentos contundentes que comprovam os artifícios praticados pela Interfilmes para chegar a tão absurda quantia. Ficará demonstrado que não sou a vilã da história.
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