quinta-feira, 12 de março de 2015

Matéria: Paquitos - A hora e a vez dos "altinhos" da Xuxa

Pegando carona na exibição do programa "Câmera Record", que na madrugada de ontem mostrou por onde andam alguns dos ex-Paquitos e ex-Paquitas da geração "Xou da Xuxa", trazemos uma curiosa matéria da extinta Revista Fama. Publicada em meados de 1990, a publicação conta como surgiu a ideia do grupo musical e ainda traça um rápido perfil biográfico dos integrantes. E para o deleite das fãs daquela época, as páginas são ilustradas com fotos de cada um dos Paquitos descamisados. Naquela altura, o paquito Robson Barros, que mais tarde seria substituído por Yuri Martins, ainda não havia deixado a banda. Confira a matéria na íntegra:


Formar um conjunto musical "biônico" não é tão difícil assim. Basta a gravadora fazer a chamada geral, recrutar os melhores pretendentes e submetê-los a uma bateria de testes. Uma derradeira filtragem apontará os mais indicados. Como se percebe, é tão fácil quanto abrir um crediário. Ocorre, porém, que, por maior que seja o esquema de lançamento, nem sempre um grupo musical montado nessas bases acerta o compasso do sucesso. Poucos são os escolhidos pelos volúveis deuses do hit parade. Entre esses privilegiados estão os Paquitos. Alexandre, Marcelo, Gigio, Robson e Cláudio, os rapazes do grupo, não vêem problema algum em pertencerem a um conjunto, digamos, formado em laboratório. E exultam com os rápidos resultados: já venderam 400 mil discos em menos de um ano de carreira! Além disso, a agenda de shows está para lá de lotada, deixando orgulhosíssima madrinha do grupo, Xuxa. Foi ela quem teve a ideia de criar uma versão masculina das Paquitas. Não só: Xuxa também escolheu pessoalmente os garotos, as coreografias, as músicas e até desenhou os figurinos do grupo. "Eles não são uns amorecos ? ' pergunta, feliz, a loirinha. O público já deu sua resposta, também muito feliz. A "operação Paquitos" começou com rápidas chamadas convocando candidatos durante o Xou da Xuxa 'Tomamos um susto, porque chegaram mais de oito mil cartas", revela Marlene Mattos, a diretora do programa. Feita a seleção, começaram os ensaios. E logo os meninos - hoje, entre os 17 e os 19 anos — estavam participando do Xou. Primeiro, sem cantar. Eles fizeram um "estágio' ajudando Xuxa a subir e descer do disco voador e também cuidavam dos "baixinhos". Segundo Marlene, "era a única maneira de desinibir Os Paquitos e dar-lhes experiência de palco". Do "estágio" para a fama foi, como se costuma dizer, um pulo. Paquidance, a música de estréia, invadiu as rádios com tudo, as garotinhas logo se ouriçaram com a boa pinta dos rapazes e o valioso aval da Xuxa tratou do resto. Agora, o grupo dos Paquitos, pré-fabricado assumidíssimo, só quer saber de aproveitar os dias de glória.


Alexandre - Ao melhor estilo da -"geração saúde" 
Embora todos os Paquitos se apresentem com as mesmas roupas e os mesmos passos de dança, um deles se sobressai. Afinal, Alexandre Canhoni, 18 anos, o Alex, é o vocalista-solo do grupo. Paulista da capital, alto (1,80 m), forte e extrovertido, o garoto é uma verdadeira "fera": pratica capoeira, musculação, defesa pessoal e aeróbica. Música? Eis aí uma verdadeira paixão. Aos noves anos ele já se exercitava ao piano, estimulado pela irmã. Regina. Pouco depois, quando a família mudou-se para Belo Horizonte, Alex resolveu trocar de instrumento. Passou para a bateria e com ela, da banda Contra-mão. "Foi minha escola musical", diz o garotão, que animou muitos bailes da vida em Belo Horizonte. Pouca gente sabe, mas, por trás da grande simpatia, Alex esconde um drama: dois anos atrás, seu pai, Waldemar, foi assassinado na porta de sua farmácia. Ainda hoje o rapaz chora muito, ao lembrar da tragédia. "O drama, apesar de tudo, uniu ainda mais a minha família "diz ele. Amadurecido e romântico confesso, o atraente Alex é o mais assediado do grupo. Mas está sem namorada...



Um gaúchinho em busca do amor
Vocês se lembram do ratinho italiano Topo Gigio, que comandava um programa de tevê? Pois é. Há muitos anos ele está fora do ar por aqui, mas deixou lembranças, O gaúcho Egom Barbosa Jr., de 19 anos, por exemplo, é chamado por todo mundo de Gigio, porque quando nasceu uma tia achou que ele se parecia com o tal ratinho. O apelido pegou na cidade de Santa Maria, vingou também em Porto Alegre e continua firme no Rio. Tão firme quanto o amor de Gigio pela música. Aos oito anos, ele já estudava violão. Adolescente, formou o grupo de rock Liberdade Vigiada, com o qual tocou em diversos barzinhos de Porto Alegre. A entrada para os Paquitos foi* um feliz acaso. Operado de amigdalite, Gigio se restabelecia na casa dos pais, vendo tevê o dia inteiro. Numa das manhãs, assistia ao Xou da Xuxa e deu de cara com a convocação geral para os testes dos Paquitos. Não pensou duas vezes e correu atrás da chance. Com tanta convicção que acabou ganhando a vaga, ainda que tivesse de trancar matrícula na faculdade de Engenharia e mudar-se para o Rio. "Agora só falta uma namorada", avisa.



Marcelo: Pianista, poliglota... e de olhos verdes 
O contrário dos outros integrantes do conjunto, Marcelo Junho Faustini não chegou a candidatar-se a uma vaga nos Paquitos. Tirou a sorte grande quando caminhava em frente ao Teatro Fênix. no Rio, onde é gravado o Xou da Xuxa. Moreno de olhos verdes, extrovertido, chamou a atenção de uma das assistentes da diretora do programa. Rapidamente inscrito, foi um dos primeiros a ganhar a aprovação, graças às habilidades de dançarino. "Sempre gostei de dançar", diz ele. "Mas nunca tinha pensado em fazer isso profissionalmente' Filho de um arquiteto e de uma advogada, Marcelo é de Belo Horizonte mas mora no Rio desde garoto. Hoje, vive num apartamento de cobertura no bairro do Leblon, de frente para o mar. Ali, gosta de tocar baladas ao piano. E também de gastar as horas de lazer diante de um bom livro. Culto, Marcelinho fala fluentemente inglês, italiano e espanhol. Quanto aos Paquitos, ele adora estar no grupo. Mesmo porque aumentou sua independência. "Acho ótimo ganhar meu próprio dinheiro' resume, sem rodeios. 



Surfista carioca na onda da música 
"Antes de entrar para os Paquitos, o máximo de experiência que eu tinha como cantor era debaixo do chuveiro". Quem confessa, bem-humorado e sem constrangimento, é o carioquinha Cláudio Henrich Méier. Por isso mesmo, o garotão de 17 anos admite que levou um susto quando avisaram, por telefone, que ele havia passado nos testes. "Eu não podia nem imaginar", suspira Claúdio. Na realidade, não fosse a insistência de uma tia, o rapaz louro e musculoso sequer teria escrito respondendo ao chamado do Xou. Temia até que os amigos de praia, companheiros do surf diário, pegassem no seu pé, fazendo pilhérias por causa da cartinha. Mas hoje o sorridente Cláudio dá de ombros para as brincadeiras dos surfistas — que costumam chamá-lo de "Paqui" ou de "Quito". "Não me importo", diz, sincero. "Gosto de ser paquito. Além do mais, todo mundo me apóia e, para falar a verdade, as paqueras até aumentaram..." Típico menino do Rio, o escorpiano Cláudio não vive sem sol e praia. Mas desistiu de ser surfista profissional. "Me entusiasmei com a vida de artista", justifica.


Robson: O motoqueiro voa para a fama 
O paulista Robson Barros de Almeida, de 19 anos, fã de grupos como os Beatles e o Police, tinha também um sonho: ser um ídolo popular. A maneira de viabilizar essa quase obsessão foi fazer os testes para os Paquitos. Uma super empreitada. Mas, como se costuma dizer, Robson foi, viu e venceu. A própria Xuxa, deu-lhe as boas novas durante uma festa, no Rio. Quase não acreditei", recorda o garoto. "Foi melhor do que ganhar na loteria!". Caçulinha de quatro irmãos, Robson dividia seu tempo, antes de entrar no grupo, entre as aulas do Colegial - que terminou no ano passado -  e o trabalho como técnico de som na empresa do pai, Genival. Não chegava a ser uma vida dura, mas tampouco mansa. "Sempre estudei e trabalhei bastante, mas também sempre sobrou tempo para curtir meus discos de rock e minha moto", diz ele. Antes de dormir, ainda restavam alguns minutos para sonhar com o estrelato. E Robson, o mais "baixinho" do grupo, mede 1,68 m não tem dúvidas: "Os Paquitos vão fazer um sucesso ainda maior. Estamos merecendo isso".
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