sábado, 20 de junho de 2015

Lua de Cristal: a saga dos tênis e outros deslizes

Por: Leandro Franco

Lua de Cristal completa bodas de prata amanhã! A geração 80/90 assistiu a história de Maria da Graça em salas de cinemas bem mais simples que as de hoje, não comprou seu ingresso pela internet nem pode conferir o trailer pelo Youtube, na tela de seu smartphone. Havia a novidade, a ansiedade e a ingenuidade.

Ingenuidade, pois é, a gente tinha muita, né? Quem mais passou 2 décadas e meia achando que na cena que Maria e Bob se conhecem, depois do “encontrão”, houve uma troca de tênis entre os dois?
NUNCA houve troca de tênis! Tanto o azul quanto o bege eram da Maria! No desastroso primeiro encontro entre Maria e Bob, logo no início, o "príncipe" surge em sua mobilete calçando um SAPATO marrom, enquanto Maria da Graça está com um par de tênis bege. Na confusão armada quando os dois caem no chão, Maria calça um tênis (azul) que estava por ali e segue o seu rumo sem perceber que usava um tênis de cada cor.


A cena sugere que houve uma troca entre os calçados dos personagens, mas certamente não foi o que aconteceu. Então de onde saiu o tênis azul, se o Bob estava vestindo sapatos marrons? A única explicação plausível é que o tênis saiu de uma de suas malas - que em momento algum da cena parecem ter sido abertas com o baque dos dois. E se o tênis azul fosse do Bob, não seria estranho que os dois calçassem o mesmo número? Afinal Maria coloca o tênis com a maior naturalidade do mundo.

A história segue, Lidinha – não Lindinha, como muitos acham – atormentando Maria, que vive seus dias de empreguete e a saga dos tênis também continua. Logo após a cena em que a periguete dá aquele banho em Maria com o balde que estava apoiado na porta, nossa mocinha vai para o terraço choramingar com a sua plantinha seca. Nesse momento, é visível que Maria está calçando um par de tênis azuis - o que reforça a ideia de que os tênis eram realmente dela e não do Bob.


Dias depois, ao sair para procurar emprego, Maria aparece novamente vestindo um tênis azul e o outro bege. Por qual razão ela sairia de casa usando um tênis de cada cor? Simpatia? Promessa? Daltonismo? Déficit de atenção?


Já no dia seguinte, Maria arruma coragem para se matricular na escola de música e vai até o jardim conhecer seu professor. E os tênis? AZUIS! Os dois.


Já depois de receber seu tênis bege perdido e conseguir emprego na lanchonete, na cena em que Lidinha entra bêbada em seu quarto, pedindo pra que a pobre moça faça um café, Maria veste novamente um tênis de cada cor. FIM! E quanto aos tênis de cores diferentes nunca mais se ouviu falar deles.



Quando se conta uma história de vida em um filme de 90 min, você tem que fazer dias serem horas e horas serem minutos, afinal tem que sobrar tempo pra mostrar duzentas paquitas-sílfides e cem paquitos-duendes pulando no mato... Maria está ligando pra saber a data da matrícula da escola de canto, a atendente fala "dia 17". A câmera foca a data no calendário: 12 de março, enquanto Lidinha ouve a conversa e ainda dá um “confere” no calendário.


Maria desliga o telefone, vai até o calendário e arranca a folhinha. Que dia aparece imediatamente? 17/03! Maria então arrancou 4 folhas de uma vez, sem pensar? “Basta arrancar levantar porque o futuro é agora...”


E vamos ao clímax do filme: vilão pega mocinha, todos ficam tensos, quem poderá nos ajudar?
Pouco antes da cena em que Maria é sequestrada por Mauricinho, ela vai caminhando e passa por uma Kombi toda sucateada. Logo em seguida, o vilão cata a moça e a coloca na moto e vai embora, passando pela Kombi, anda um bom tanto, talvez uns 500 metros...


Mas lembram que no cinema horas são minutos? Então, metros são centímetros! E negativos! Não é que na cena seguinte (Duda vendo o sequestro) o homem aparece na motoca ANTES de chegar na Kombi? Que é isso, gente? Cosplay de máquina do tempo? Ou a Kombi tem vida própria e saiu correndo na frente?


E o grand finale! Mocinho entra no túnel que transforma mobilete em cavalo, mocinha se afoga, Paquitas rodam, Paquitos, beijo do príncipe bonitão – SQN, gritaria, palmas, você chorando em casa / no cinema e finalmente é hora de cantar Lua de Cristal. Tem coisa mais bonitinha que Maria toda concentrada pegando no microfone pra cantar os primeiros versos?


E ela não tá pra brincadeira! Quando ela diz que o amor a faz cantar, pode ter certeza que faz mesmo, porque depois da introdução ela larga o microfone pra lá e continua a cantar no mesmo tom, com a mesma potência vocal.


Ou é o amor ou as maravilhas do sistema de som da Estub.


E alguém nos diz onde tem violino em Lua de Cristal? Porque é isso que o Marcelo Faustini toca durante a apresentação, se bem que ele parece confundir com um serrote.


Temos certeza que a partir de hoje vocês terão um novo olhar sobre Lua de Cristal. ;)
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