segunda-feira, 6 de julho de 2015

Afinal, Xuxa deu certo nos EUA?



O comentado "insucesso" de Xuxa nos Estados Unidos rende diferentes opiniões até hoje. Enquanto muitos consideram um fracasso, outros acreditam que o programa não foi tão mal assim, uma vez que foi reprisado durante 2 anos e chegou a ser exportado para países da Europa e até Oriente Médio, como no caso de Israel, onde Xuxa fez um considerável sucesso por conta da exibição do programa em inglês. 



Sim, para quem não sabe, apesar das gravações do programa terem ocorrido apenas no ano de 1993, o programa continuou sendo reprisado em alguns canais e ganhou novas "cabeças" de apresentação, gravadas por Xuxa posteriormente, como é possível conferir nesse vídeo:



Essas imagens possivelmente foram gravadas por aqui. Pelo menos é o que diz o Jornal do Brasil, que publicou a seguinte notinha no dia 08 de setembro de 1994:

"Para não atrasar o cronograma de gravações do seu programa brasileiro, Xuxa decidiu inovar na produção do xou americano.

Vai gravar 45 blocos no Brasil, usando 20 crianças recrutadas na Escola Americana.

- Os americanos nem vão desconfiar - diz a empresária Marlene Mattos."


Abaixo, confira alguns trechos de uma matéria publicada no jornal O Globo, em 03 de janeiro de 1995. Nela, a então diretora e empresária de Xuxa, Marlene Mattos, faz sua análise do desempenho do programa. Na mesma publicação, a jornalista Helena Viera faz uma crítica sobre a atração em inglês e tenta explicar o porque de Xuxa não ter atingido o sucesso esperando nos Estados Unidos.


O PROGRAMA DE XUXA NOS EUA NÃO É UM FRACASSO


Marlene Mattos diz que não se envergonha de seus equívocos. E exemplifica com a mea culpa feita em relação ao extinto "Xuxa", que não vingou aos domingos. Mas quando o assunto é o programa americano, a empresária acha que foi uma experiência interessante, embora ache que o resultado final tenha ficado aquém do esperado.

O GLOBO — O programa da Xuxa nos EUA é um fracasso? 

MARLENE MATTOS — Fracasso é quando um programa sai do ar duas semanas depois da estréia. Não é um êxito como no Brasil, na Argentina... Mas que fracasso é esse que fica dois anos no ar? E a renovação do contrato depende de nós.


O GLOBO — Você acha que errou escolhendo a MTM?

MARLENE — Quando penso em MTM me vem à cabeça Mary Tyler Moore, uma mulher vitoriosa. Tive outras opções, mas investi nessa. Como uma produtora de Terceiro Mundo, pensei que pudesse aprender com eles, mas vi que não era bem assim. O americano é muito frio. Para eles, o lado emocional atrapalha. E Xuxa é espontaneidade pura.

O GLOBO — Este redirecionamento ao mercado latino é uma forma de resgatar o público que andava afastado?

MARLENE — É apenas uma manutenção. Os latinos continuam adorando a Xuxa. Quando ela ficou doente, não pensei em tirar a Argentina da vida dela. Pensei em tirar 175 programas da agenda. Continuo com planos para os EUA, mas só se puder fazer um programa em que Xuxa fique solta, livre como ela é.



PROGRAMA PECA POR SER ADAPTAÇÃO FIEL


Autor/Repórter: Helena Vieira

A entrada triunfal no palco, o beijo nas bochechas das crianças e as mensagens das crianças para amigos e parentes em casa foram mantidos no "Xou" americano. Mas o medo das críticas ao inglês de Xuxa levou os produtores a criarem dois personagens insossos para explicar as regras dos jogos para as crianças: um urso imenso, com voz rouca e fala idiota, e um leopardo que não disse a que veio.


Foi também o medo das críticas que levou a produção a preparar um quadro educativo, em que Xuxa lê um bilhete de uma criança com uma pergunta sobre artes ou ciências. A pergunta é respondida não pela própria. Xuxa, mas através de um vídeo gravado por um americano.

Mais recentemente, a apresentadora passou a deixar claro que estava numa posição difícil, cantando uma música que dizia algo como "por favor, me ajudem, me entendam. A minha língua é o português."


Quando veio para os Estados Unidos, Marlene Mattos teve duas outras propostas: uma da Warner, para filmes de cinema, e outra da Sony, para gravação de discos e shows ao vivo. Mas optou pela proposta da MTM, produtora de "Mary Tyler Moore", um dos programas de maior sucesso na TV americana nos anos 60.

Há quem considere que a escolha da MTM foi o golpe fatal na possibilidade de sucesso do programa. A produtora queria fazer do "Xou da Xuxa" uma ponte para o retorno às grandes produções de televisão. Mas, segundo críticos mais ferrenhos, há muito tempo a MTM não entende de TV.
Comentários
1 Comentários

Um comentário:

Lilia disse...

"O americano é muito frio. Para eles, o lado emocional atrapalha." E com essa Marlene sela de vez o seu destino como imbecil. Desculpem o termo, mas botar a culpa nos outros quando o erro foi SEU, é de matar. Americano não é frio... conheço vários. Mas americano trabalha e quer ter hora pra sair, entrar, e quer desempenhar a SUA função. Até parece que iriam ficar de babá da Sra Mattos. Ela que fosse cursar faculdade se quisesse aprender algo.

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