domingo, 5 de julho de 2015

Matéria: Yes, nós temos Shoosha

Mais uma matéria sobre a entrada de Xuxa no mercado americano. Nessa reportagem, publicada pela revista Contigo! no dia 16 de março de 1993, ressalta o licenciamento de inúmeros brinquedos que já estavam sendo idealizados e fabricados mesmo antes do programa começar a ser gravado. O intitulado plano de "xuxalização" mostra o quanto a aposta em Xuxa foi grande e ambiciosa. Confira na íntegra:



Na trilha de Carmen Miranda

A apresentadora brasileira, que faz 30 anos este mês,  estoura nos Estados Unidos, assinando contratos de fazer inveja aos grandes astros americanos, e lança bonecas e produtos eletrônicos no mercado americano

por Osmar Freitas Junior, Nova York



Era uma vez um repórter brasileiro que escreveu o nome Xuxa num papel e saiu pela ruas de Nova York pedindo para as pessoas lerem o que estava escrito. Não conseguiu uma única resposta correta. A maioria respondia "Zazei" ou "Zuza". Essa situação, no entanto, deve mudar logo, logo. Um plano de "xuxalização" da América está sendo posto em prática em terras americanas. A tendência é que, no máximo em seis meses, os americanos já saibam pronunciar corretamente o nome da apresentadora brasileira. É "Shoo-Sha" como ensinam as propagandas que estão pintando nas grandes revistas americanas. A loirinha gaúcha, aliás, está se preparando com notável aplicação para invadir o mercado mercado americano: tem aulas diárias de inglês, com duração de até 6 horas.


O plano de "xuxalização" dos EUA inclui — além do programa que a Rede Univision apresenta nas emissoras hispânicas do país — a invasão do país por vários produtos. Atualmente, por sinal, nada menos que 3 milhões de pezinhos já usam sandálias Xuxa — informações do fabricante, a Grendene, dão conta que já foram vendidos nos EUA 1 milhão e 500 mil pares do calçado. Trata-se apenas de um primeiro item de um total de 56 produtos com a grife Xuxa que estão invadindo o mercado americano.



Mercado inexplorado — O plano de "xuxalização" dos EUA ganhou impulso neste primeiro semestre numa feira de produções para televisão, em San Francisco, na Califórnia — quando grandes fotos da loirinha gaúcha vestindo a camiseta de "Xuxa USA" chamaram a atenção dos importantes empresários. Agora a rainha dos baixinhos brasileiros pode, em pouco tempo, tornar-se o maior sucesso de exportação do Brasil desde o advento do café, da banana e do futebol.


No contrato entre a MTM - empresa da atriz Mary Tyler Moore - e Xuxa, a loirinha brasileira fica com US$ 3 milhões, mais a participação de 33% nos lucros com a venda de 65 programas. Para ter uma idéia das vantagens desse acordo, basta dizer que nenhum artista de Hollywood conseguiu pegar mais do que 20% de participação nas bilheterias dos filmes que faz. E, é bom que se diga, as vendas do programa estão a todo vapor. 




Estamos com 90% do território americano coberto — diz Chuck Whitaker, do departamento de marketing da empresa. — Xuxa será coroada rainha dos baixinhos americanos em janeiro de 1994 -  afirma o entusiasmado empresário americano.


Xuxamania: a brasileira conquista os EUA, e a linha de produtos eletrônicos, segundo a ABC International Trade Inco, deve faturar 60 milhões de dólares até o final do ano



Xuxa versus Barbie — A primeira grande novidade da linha Xuxa nas prateleiras das lojas americanas é uma boneca que é a cópia fiel da rainha dos baixinhos. O lançamento é da empresa Rose Art, de Nova York, e segue os padrões da boneca Barbie - com quem, aliás, a bonequinha Xuxa tem uma notável semelhança. A Shoo-Sha — como será chamada a bonequinha da brasileira -  está sendo fabricada na China, de onde, aliás, vêm os brinquedos de plástico mais consumidos na América.


Uma boneca chamada Shoo-Sha: a empresa Rose de Nova York, quer vender até o Natal 500 mil exemplares do brinquedo, uma cópia fiel da rainha dos baixinhos
— Acredito que no próximo Natal já poderemos estar vendendo 500 mil bonecas, declara, entusiasmado, Robert Norton, um dos diretores da Rose Art.
A bonequinha Shoo-Sha promete ser tão vaidosa quanto Barbie. Mais de cinqüenta modelitos já estão sendo preparados para ela nas pranchetas dos designers americanos. Somam-se a isso pares de sapato de fazer inveja a Imelda Marcos — aquela esposa do ditador filipino que tinha 2 mil pares de calçados guardados no seu closet.


Jogos de ação — O filé-mignon do comércio dos Estados Unidos, no entanto, está mesmo no ramo dos eletrônicos. Já está nas linhas de montagem da China uma lista composta de gravadores, relógios — dois de pulso e um despertador -, walkmen, rádios e até mesmo um tipo de "game-boy" para os viciados em joguinhos de ação. A empresa que cuida dessa parte é a ABC International Trade Inc., o carro-chefe de um conglomerado de fabricantes que vão pegar carona na cauda do cometa Xuxa.
— Estamos criando um grande sucesso de vendas. Até o início do próximo ano as cifras devem chegar a 60 milhões de dólares... - avalia Mark Spinker, consultor de marketing da empresa.
Isso, é claro, sem contar com a série de produtos das Paquitas, que deverá reforçar esse time.




A queridinha do John-John — Com toda essa "xuxalização" será quase impossível que Xuxa não se transforme numa espécie de paixão nacional nos EUA. John-John, o filho do ex-presidente John Kennedy, não esconde de ninguém que é um dos pioneiros nessa onda de admiração e, esperto, marcou um almoço romântico com a apresentadora no ano passado. O filho mais querido de Jacqueline Onassis é considerado atualmente o solteirão mais cobiçado dos EUA. Há quem aposte, inclusive, que ele acabe presidente no próximo milênio. Xuxa está passando uns tempos em Los Angeles, e o namoro entre os dois pode acabar rendendo.
Ou seja: a rainha dos baixinhos corre o risco de virar primeira-dama dos Estados Unidos. Enquanto isso não acontece, Xuxa, ou melhor, Shoo-Sha vai reinar mesmo é no coração da garotada americana 

Comentários
1 Comentários

Um comentário:

Matheus Santos disse...

Muito interessante essa matéria.
É muito bom o "Xuper Blog" trazer de volta essas matérias que foram relíquias e que muitos fãs não tiveram acesso, como eu, por exemplo. Desta forma podemos conferir reportagens raras e que nunca imaginávamos que existia.

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