terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Programa Xuxa Meneghel #20 - 28/12/2015

O último programa Xuxa Meneghel do ano começou com a inusitada e emocionante visita de Xuxa a um presídio localizado em Juíz de Fora (MG), onde conheceu o projeto de reabilitação dos presidiários. A cena dos presos tentando tocar em Xuxa através das grades foi algo emocionante e inédito até então. 


Pela 1ª vez, o Na Lata foi só para baixinhos e recebeu talentos infantis que se destacam na internet, o que deixou Xuxa visivelmente entusiasmada. Ela ainda expressou sua satisfação de receber crianças no seu palco em um post do Facebook, publicado enquanto o programa estava no ar.


Vendo o pgm.... Caraca .... Amo criança.... Bgda RECORD
Posted by Xuxa on Monday, December 28, 2015


A vontade de Xuxa contar com a participação dos pequenos em seu programa não é segredo pra ninguém. Mas será que a disputa de calouro infantis, algo tão recorrente e batido em programas de auditório, seria a melhor opção para o formato do Xuxa Meneghel?


A atriz Katiuscia Canoro foi a principal atração da noite e matou a saudade que o público estava da sua personagem, Lady Kate.


Mas o bom mesmo foi ver Xuxa soltando a franga e vestindo uma das perucas utilizadas por Katiuscia para dançar loucamente ao som do MC Koringa com o grupo Carrossel de Emoções.


As duas ainda protagonizaram uma cena hilária no último bloco ao se caracterizarem de dupla sertaneja e interpretarem Evidências, de Chitãozinho e Xororó. É muito bom ver nossa Rainha soltando sua veia cômica e esperamos ver isso mais vezes no programa ano que vem, uma vez que isso foi sendo deixado de lado desde quando o programa estreou.


E qualquer semelhança com a cena protagonizada no Xou em 1989 é mera coincidência...


No encerramento, ainda caracterizada, fomos surpreendidos com uma retrospectiva dos melhores momentos desses 4 meses de Xuxa Meneghel, além de um depoimento emocionado da nossa Rainha sobre seu 1º ano de Rede Record. Na próxima semana o Xuxa Meneghel não será exibido e deve voltar à grade no dia 11, com mais duas edições gravadas a serem exibidas.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Roberto Carlos: o Rei dos Baixinhos?

Por: Jamur

Antes de surgir nossa Rainha comandando o Clube da Criança, a cultura pop brasileira não tinha ídolos exclusivos infantis. Já existiam programas infantis de sucesso, mas só quem se destacava eram os personagens (Sítio do Pica-Pau Amarelo, Capitão Aza, Carequinha e os vários seriados e desenhos enlatados). Não havia uma pessoa ou um grupo musical como ídolo das crianças. Com isso, muitos ídolos dos adultos eram “emprestados” aos pequenos, seja por falta de opção e também por certos elementos que reforçavam essa empatia.

Um exemplo disso é o cantor e Rei da música brasileira, Roberto Carlos. Ele, que já tinha certo apelo infantil na Jovem Guarda, reforçou essa idolatria nos formatos de seus primeiros tradicionais especiais de natal na Rede Globo, que tem muito mais semelhanças com os especiais da Xuxa do que se pode imaginar...


O primeiro foi ao ar no dia 25/12/1974 e, apesar de ter começado com ele em seu camarim fumando um cachimbo (cena também recorrente em outros especiais dos anos 70/80 e que hoje seria taxada de politicamente incorreta), o especial inicia dedicado às crianças. Após a participação do elenco da Vila Sésamo, Roberto Carlos faz um clip com seu filho, Dudu Braga (o Segundinho) da música “O Calhambeque”. O resto do especial segue dedicado mais para o público adulto.


O segundo especial, exibido em plena véspera de ano novo de 1975, utilizou recursos que os especiais da Xuxa usariam nos anos seguintes (como o de 1990): ele já inicia mostrando toda a comoção que ele causava nas multidões nas cidades e países onde ele passava. 


Na “cota infantil” do especial, Wanderléia , Erasmo Carlos e Roberto Carlos gravaram clips de “Pare o Casamento”, “Lobo Mau”, “Negro Gato” , “1990: Projeto SalvaTerra” e “Mexerico da Candinha” de um jeito bem lúdico. 


Também é interessante constatar que, além do aspecto infantil, tem mais dois elementos que seriam comuns nos especiais da Rainha dos Baixinhos: clips de amigos da Xuxa (como Simone em 1991 e Zé Henrique em 1998) e músicas dedicadas a preservação do meio ambiente (como “O Boto Rosa” em 1991 e “A Chuva” em 1996). 


Mais para frente no especial, Roberto Carlos canta com Dorival Caymmi e Silvio Caldas “Acalanto”, que Xuxa gravaria para o disco “Xuxa e seus Amigos” em 1985 e cujo estilo de música seria comum nos encerramentos dos XSPBs.


O especial exibido em 1978 teve como tema principal os direitos da criança. A escolha deve-se ao fato que no ano seguinte seria lançada pela Unicef uma campanha chamada “Ano Internacional da Criança”. Durante todo o especial, Roberto lia os dez artigos que faziam parte da declaração dos diretos das crianças. Algo não muito diferente do que Xuxa fazia nos especiais de dia da criança.



Além disso, o especial ainda contou com a presença dos Trapalhões que, junto com o grupo A Patotinha, cantou a tradicional canção Noite Feliz. O nome desse especial é “Um Milhão de Amigos”, homônimo de sua famosa canção e foi ao ar dia 28/12/1978.
Diretos das Crianças + Unicef + Os Trapalhões + Um Milhão de Amigos... essa junção lembra uma certa campanha, não? #criancaesperancafeelings rs

Curiosidades
A primeira edição do Criança Esperança também foi ao ar no dia 28/12, mas de 1986. E a versão em espanhol de Um Milhão de Amigos, Roberto Carlos cantou na sua apresentação no programa de Nico, na Argentina em 1998. E ele foi chamado ao palco por Xuxa, que estava grávida na época.



No especial de 1980, Roberto Carlos abraça a causa que seria uma das principais bandeiras defendidas pela Xuxa: as pessoas com algum tipo de “deficiência” (na época, ainda se usava essa expressão, hoje considerada politicamente incorreta). O cantor também tinha uma motivação pessoal para defender esse tema: o seu filho, Dudu Braga, era cego.



E no especial de 1981, há pelo menos mais dois elementos que remetem a Xuxa: o clip da música “As Baleias”, lançado no disco daquele ano, que falava das caçadas desenfreadas ao animal. Qualquer semelhança com “O Boto Rosa” é mera coincidência.



Ainda no especial de 1981, é mostrado um trecho de uma Chegada do Papai Noel no Maracanã (sim, Roberto Carlos fazia a Chegada, nos mesmos moldes que a Xuxa faria nos anos seguintes).


Após todos esses elementos, não tem como negar que Roberto Carlos era sim o Rei dos Baixinhos dos anos 70 e início dos anos 80. E também mostra que, tanto Xuxa, quanto Roberto Carlos não ganharam o título de realeza a toa. As causas defendidas por ambos são até hoje pertinentes e nobres. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Programa Xuxa Meneghel #19 - 21/12/2015

Então é Natal...
E o que você fez?

Bom, o que cada um fez a gente não sabe, mas o programa Xuxa Meneghel Especial de Natal soube o que o pequeno Adriel fez e continua fazendo melhor que muita gente e resolveu mostrar pra todo o Brasil. A história de vida do menino portador de cuidados especiais foi mostrada na externa que abriu a atração e se seguiu no palco. Adriel foi acompanhado de sua professora Sônia, que também foi homenageada por sua atuação junto aos cegos e surdos no acompanhamento escolar. 


O momento foi propício pra Xuxa mais uma vez explicar seu famoso sinal na linguagem de libras que tantas pessoas insistem em transformar em algo totalmente sem propósito como se fosse um sinal contrário a Deus. Se assim fosse...


A emoção do garoto sanfoneiro se completou com a participação da dupla Cesar Menotti e Fabiano, seus ídolos, que chegaram de surpresa no palco.


Ainda tivemos a exibição de um dos melhores Toc Toc até agora. Fugindo um pouco do habitual, dessa vez Xuxa visitou uma fã adolescente. Eduarda, que é cadeirante, chamou atenção por fazer uma apresentação em sua escola da música "Você Vai Gostar de Mim" em libras. Não faltou emoção. Pelo menos essa parte...


Por fim, a atração levou ao ar a final do concurso "A Nova Prometida", que ocupou a maior parte do programa. O concurso não foi muito bem aceito pelos fãs nas redes sociais desde a primeira eliminatória e teve uma maior rejeição na final exibida ontem, já que para um especial de natal se esperava algo mais apropriado para a data.


Tirando os enfeites natalinos bem discretos no cenário, o Xuxa Meneghel se resumiu em um programa comum. A única parte que remetia ao clima de natal foi cortada: na gravação, Xuxa abriu uma exceção e voltou a fazer uma entrada no palco, descendo as escadas ao som de "Então é Natal", na versão solo. :(

video

Isso foi compensado pela beleza da apresentadora e pelo emocionante Toc Toc, mas para um programa "especial", o público sentiu falta de atrações de mais variadas e de maior destaque. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Álbum: Xuxa e Seus Amigos

Por: Leandro Franco

Junte as interpretações de Caetano Veloso, Chico Buarque, Nara Leão, Erasmo Carlos, Zizi Possi, Marina Lima à produção eficaz de Roberto Menescal... Praticamente todos os ingredientes para um songbook da MPB, certo? Poderia ser, mas a “liga” dessa receita - e também a cereja do bolo - nos mostrou que o resultado foi algo bem menos previsível e muito mais divertido.


Em 1985, Xuxa gravou seu primeiro disco – Xuxa e seus Amigos – que foi lançado pela Polygram/Philips já perto do natal. O disco passa longe do destaque alcançado pelos sucessores, mas sua importância lhe dá lugar de honra na discografia da estrela.


A produção do disco
O compositor e produtor Roberto Menescal, na época diretor artístico da Philips/Polygram, foi o responsável por fazer a jovem apresentadora gravar seu primeiro disco e o Xuper Blog teve a oportunidade de conversar com ele sobre os 30 anos de Xuxa e seus Amigos.
“Xuxa já estava com sua ida para a Globo acertada, mas mesmo assim eu quis fazer um disco com ela. Na época, a Polygram havia vetado a produção de qualquer disco, pois estava em crise, havia uma negociação de compra e venda de gravadora, coisas assim. Mesmo sem verba, eu decidi que ia fazer esse disco sem gastar um tostão, afinal eu já tinha falado com Xuxa.”

Xuxa no dia da assinatura do contrato com a Philips com Roberto Menescal,
Marcelo Castello Branco e sua equipe e o irmão Cyrano Rojabaglia.
Sendo diretor artístico da gravadora, Menescal tinha dezenas de artistas já consagrados sob sua batuta e isso podia facilitar as coisas. A solução? Pedir faixas emprestadas aos artistas da casa. Assim vieram Leãozinho, Pra Mode Chatear, O Caderno, Meu Boomerangue Não Quer Mais Voltar, O Gato e Irmão Sol Irmã Lua. 


Esses “duetos” foram todos feitos com as gravações originais e os vocais de Xuxa acrescentados posteriormente. “Todas as músicas  do disco estão lá por terem uma relação com a Xuxa ou com o Clube da Criança, nada foi por acaso”, conta Menescal.


As Músicas

O Leãozinho
A música de Caetano que Xuxa tanto gosta (e denominou como a “música de Sasha”) é a primeira do disco. A canção é de 1977, foi lançada no disco Bicho e sua inspiração não foi o rei das selvas. Caetano compôs a faixa para Dadi Carvalho, músico que participou dos grupos Novos Baianos e A Cor do Som nos anos 70. Dadi é do signo de Leão. 

O músico Dadi Carvalho, na época da composição de Leãozinho
O Gato
Poesia de Vinícius de Moraes escrita para seus filhos e que foi publicada no livro A Arca de Noé, em 1970. Vinícius conheceu Toquinho e dez anos depois o livro virou disco pelas mãos do amigo. O LP A Arca de Noé trouxe a poesia "O Gato" musicada (e com pequenas modificações na letra) e coube a Marina Lima sua interpretação.



Em 2013 o disco A Arca de Noé foi totalmente regravado e desta vez Mart’nália deu voz às peripécias do gato que vai “do muro ao chão”.


Curiosidade: se compararmos a versão original (Arca) com a versão de Xuxa e seus Amigos, veremos que no disco de Xuxa a música teve sua rotação acelerada resultando num vocal distorcido para Marina. Qual o propósito disso? A uma primeira audição pode-se até mesmo achar que se tratam de vocais diferentes, mas não são. Ouçam: 

Versão do Xuxa e seus Amigos x Versão da Arca:



Versão do Xuxa e seus Amigos (com rotação diminuída) x Versão da Arca



Meu Boomerangue Não Quer Mais Voltar
Erasmo Carlos e Roberto Carlos não poderiam faltar. A dupla da Jovem Guarda marca presença na composição Meu Boomerangue Não Quer Mais Voltar, mas quem divide os vocais com Xuxa é somente Erasmo. A faixa foi lançada originalmente no álbum Amar Pra Viver Ou Morrer De Amor, em 1982. Sabiam que o Tremendão andava com um boomerangue vermelho na época? Mas em entrevista à Revista Pipoca Moderna,em dezembro de 1982 ,ele disse que isso não era estratégia de divulgação pro disco e ainda contou que o titulo da música veio de uma lembrança de 1961 quando escrevia uma coluna sobre as paradas musicais no mundo e  lá na Austrália um cantor estourava com 'My Boomerang Won't Come Back'.
Os vocais de Xuxa foram acrescidos simultaneamente aos de Erasmo, o que faz com que pareça que ela só fez uma participação no refrão, mas não, Xuxa está lá nos primeiros versos também.


Irmão Sol, Irmã Lua
Composição de Aécio Flávio e Léo Vitor que foi lançada no disco de estreia – Flor do Mal (1978) – da cantora Zizi Possi. Como deixar de fora a cantora descoberta por Menescal em 1977 enquanto ela gravava um programa de TV para uma emissora baiana? A música traz uma referência ao Cântico da Criaturas (ano 1224), composto por São Francisco de Assis, onde ele louva ao Criador de maneira simples, quase infantil, agradecendo a Deus por suas criações e as chamando de  Irmão Sol, Irmã Lua, Irmã Água...


O Caderno
Canção de Toquinho e Mutinho, O Caderno ficou eternizada na interpretação de Chico Buarque, que foi lançada no álbum Casa de Brinquedos, trilha sonora do especial homônimo da TV Globo exibido em  outubro de 1983. Ao final da canção, o vocal da criança (a pequena atriz Aretha) é mantido na versão de Xuxa, mesmo estando ele ligado à cena do especial global em que Aretha contracena com Chico (minuto 29:00).




Pra Mode Chatear
Para muitos uma canção que não devia estar num disco de crianças, principalmente se for cantada pela Xuxa. A interpretação errônea pode até ser levada em conta se considerarmos só os primeiros versos. A própria Nara Leão se “assustou” com os surpreendentes versos de Tom Jobim, mas aí é que está o verdadeiro diferencial da música... As “criancinhas” têm sua revanche contra a “gente grande”, oras. A faixa saiu no disco A Viagem Encantada de 1982. Ninguém melhor do que a própria Nara para explicar a história da música, ouçam:



Encerrados os “duetos”, vamos às canções sem a participação de Xuxa:

Xa Xe Xi Xo Xuxa
Xuxa e Os Trapalhões já tinham uma história juntos. Desde 1983, Xuxa já participava dos filmes do quarteto e como convidada dos shows no Scala (RJ). Os Trapalhões, por sua vez, já  tinham uma carreira consolidada e além de seus filmes, também lançavam seus discos. Segundo Menescal, a faixa composta por Daniel Azulay, estava destinada a um dos lançamentos fonográficos dos Trapalhões, mas acabou não sendo utilizada e caiu como uma luva para a proposta do Xuxa e seus Amigos.



No Mundo da Lua e Delícia
As duas canções foram produzidas no ano de 1985 e foram faixas cedidas para compor a lista de músicas do disco. Biquíni Cavadão e Ciclone, os respectivos intérpretes , eram presença constante no Clube da Criança e suas músicas estavam em alta naquele ano. Nada mais certo que figurassem no repertório aproveitando-se o bom momento de ambos.

E chegamos às faixas solo de Xuxa...
Sete Quedas, Kiddo e Acalanto foram feitas com “sobras” de outras produções de outros artistas da gravadora. Como Menescal contou, não havia verba para custear o disco, então não dava pra chamar outros cantores, a solução foi juntar sobras dos recursos de projetos anteriores e custear a produção dessas faixas, só com os vocais de Xuxa mesmo.
Sete Quedas, composição de Juninho Ferreira – o mesmo de “Xuxa Xuxu “do LP Clube da Criança  - virou a “música de trabalho”; Xuxa chegou a se apresentar até no SBT, no Programa Flávio Cavalcanti cantando a canção.



Um compacto promocional foi editado para divulgação junto às rádios. A capa foi feita por Maurício de Souza.


Kiddo (Meu Herói Querido), composição de Billy Blanco Jr, também teve seu destaque. O mesmo compacto que trazia Sete Quedas, trazia Kiddo no lado oposto e a capa também retratava Xuxa ao estilo de Maurício de Souza. Curiosidade: O irmão de Xuxa, Cyrano Rojabaglia, aparece como produtor na capa do compacto promocional, mas não há menção a ele no encarte do LP.


Acalanto, canção que Dorival Caymmi fez para sua filha Nana Caymmi, guarda uma origem especial e uma letra confessional.  A pequena Nana não gostava de dormir e Dorival resolveu compor a música para que sua esposa e mãe de Nana cantasse para a menina.  A composição foi feita em 1941, mas somente foi gravada em dueto pai-filha em 1960. “A intenção dessa música é causar sono” teria dito Dorival numa apresentação em 1952.


Curiosidade: Prestando a atenção, vemos que o projeto XSPB  adotou o mesmo recurso que Xuxa e seus Amigos, alocando uma canção de ninar ao final do repertório, como um descanso para os pequenos que se empolgaram ao longo do disco.


Lançamento, Relançamento e Lanzamiento

O álbum ganhou  edições em LP e cassete, em novembro de 1985. Para a divulgação foi veiculada uma propaganda impressa nas revistas semanais da época. A propaganda ressaltava as participações especiais e os brindes.


Sim! Quem conseguiu comprar a primeira tiragem teve de presente um quebra cabeça que recriava a capa do disco. 


O outro “brinde” não era bem um brinde, tratava-se de um cupom que dava direito a concorrer a prêmios no Clube da Criança. Algo que ficou sem muito sentido, pois o disco já foi pensado quando Xuxa já tinha sua ida acertada para a nova emissora e portanto, só restava mais um mês de programas inéditos para exibição. Ou a pessoa comprava o disco logo e tentava a sorte nesse um mês ou já era...


O disco vendeu cerca de 500 mil cópias, como nos contou Menescal. Um número expressivo para um álbum que não tinha o poder de alcance da rede Globo na divulgação e que saiu num momento em que Xuxa ficaria afastada da TV até estrear na nova emissora.



Com o estouro de Xuxa na Globo, a Polygram/Philips foi rápida e não deixou de garantir sua fatia do bolo. Em outubro de 1988, Xuxa e seus Amigos foi relançado (em vinil e cassete) a “pedido dos lojistas”. Não houve qualquer modificação da edição original para essa. Obviamente não havia mais quebra-cabeça e nem cupom de sorteio. Confiram o folheto da Philips anunciando o relançamento:



Em 1990 um novo relançamento, mas desta vez para “nuestros hermanos”. Com Xuxa fazendo sucesso na Argentina, a Philips também tratou de lança-lo por lá. Infelizmente a edição parece ter sofrido uns cortes orçamentários na produção. A contracapa era em preto e branco e não houve qualquer adaptação do título na capa, ficou em português mesmo. Entretanto o rótulo do vinil foi traduzido para o espanhol e é o único lugar onde lemos “Xuxa y Sus Amigos”. Curiosamente a ordem das faixas foi alterada, mas somente no rótulo do vinil temos essa informação.



Especial de TV
Mais famoso que o disco (pelo menos entre os fãs de Xuxa) foi o Especial para a TV Manchete “Xuxa e seus Amigos”. Ao contrário do que muita gente acredita, o disco não é a trilha desse especial, que foi feito DEPOIS do álbum já pronto. O programa foi ao ar em 22/12/1985 e se tornou o primeiro especial de Natal da Xuxa, mas nada tem de clima natalino, somente foi exibido nessa época.



O especial foi dirigido por Paulo Netto - convidado pela própria Xuxa, como o próprio contou em sua coluna para o site O Fuxico, em 1999:

Xuxa  perguntou se eu gostaria de criar e dirigir o seu primeiro especial de “Natal”, satisfeito com a proposta, aceitei rapidamente, pois eu gostava muito da sua maneira amiga e carinhosa de me tratar. (...) Encontrei-me com Xuxa na Philips para uma reunião com Menescal; me lembro muito bem que ela estava simplesmente linda, feliz com o andamento dos trabalhos e contente com a minha criação, que foi modesta por ter pouca verba.
Como eu já tinha feito alguns especiais com efeitos de “chroma-key”, resolvi fazer todo o trabalho dentro desta técnica, o gasto seria infinitamente menor, com um resultado de agrado visual do público infantil da Xuxa.
A criação do Menescal foi maravilhosa, com convidados importantes e uma seleção de músicas de qualidade que me permitiu criar sem limites.
Trabalhei com maquetes, externas e no auditório da Manchete. As externa foram feitas no “Recanto de Itaipuaçu”, em Maricá onde moro.”

Paulo Netto com Xuxa na gravação do Especial e posteriormente no ano de 1992
O Especial começa com Xuxa chamando as crianças para conhecer as letras  na máquina de datilografar e daí segue-se o clipe de Xa Xe Xi Xo Xuxa, de onde foram extraídas a maior parte das poucas imagens que foram divulgadas em programas posteriores como O TV Ano 50 da Rede Globo.


Clipes com Marina Lima (O Gato) e Zizi Possi (Irmão Sol, Irmã Lua) também foram exibidos, assim como Kiddo, Leãozinho (que na verdade foi gravado com um puma) e um outro com Xuxa em trajes de aventureira (Infelizmente não identificamos qual música é cantada nessa parte). 

Xuxa e Marina Lima na gravação do especial

Xuxa e Zizi Possi gravam o especial





No que parece ser o encerramento, temos Xuxa num vestido de gala cantando Sete Quedas no estúdio com as crianças.


De acordo com uma publicação da revista Amiga da época, a gravação do especial durou sete dias. O então jogador Zico, e o autor de "Xa Xe Xi Xo Xuxa", Daniel Azulay, também participaram do especial.


A primeira gravação foi do clipe "Leãozinho". Mas ao invés de contracenar com o rei das selvas, Xuxa gravou com uma filha de puma fêmea, batizada de Lady, de apenas seis meses. Ao final das gravações, a revista Amiga revela que Lady havia se simpatizado com a Xuxa, comprovando isso com "babadas e lambidas".



Ainda na publicação, Xuxa revela que antes da ideia do especial, sua intenção era gravar apenas um video-clipe, mas mudou de ideia por conta da época de fim de ano. "A fórmula de agradar as crianças é intuitiva e o especial é a coroação do meu trabalho na televisão.", declarou Xuxa à publicação.


O Especial nunca foi reapresentado e permanecerá no limbo das gravações, principalmente se for verdade que a Rede Globo, na época do fechamento da Rede Manchete comprou os direitos de alguns programas. Se com Xuxa na empresa por 28 anos nunca houve interesse na exibição, agora então...


“Este Especial foi uma grande "Vitrine" das qualidades da Xuxa" – disse Paulo Netto. E merecia uma comemoração... Em 19/12/1985 foi organizado um coquetel de pré-estreia na Manchete. Presenças ilustres como Adolfo Bloch, presidente da emissora, e nomes da MPB como Zizi Possi prestigiaram Xuxa que, como de costume, brilhou na festa.



Curiosidades:
* Sabiam que - pra mode chatear – Xuxa e seus Amigos é o único álbum de Xuxa não lançado em CD? Possivelmente os direitos do álbum pertençam à Universal que hoje é detentora do  catálogo da Philips /Polygram. Todas as fotos do disco em versão CD que circulam pela internet são trabalhos “fan-made”



* Poucas fotos do ensaio foram divulgadas e mesmo assim trata-se de uma suposição, já que não dá para identificar a roupa que Xuxa usava. O que mais se usa para essa afirmação é o estilo de cabelos molhados e o fundo das fotos.



* A faixa Sete Quedas foi  pensada para um projeto um tanto diferente: um livro! Vejam o que dizia uma matéria do jornal O Globo de 12/08/1985:


Posteriormente foi incluída na coletânea infantil Tevelândia (1986), da Som Livre. Na capa os artistas são retratados por desenhos. O de Xuxa recria a pose da contracapa do álbum Clube da Criança (1984).



* O carinho de Xuxa pela canção O Leãozinho fez com que a música fosse incluída no repertório do XSPB 10 (2010), desta vez em dueto com a cantora Maria Gadu. A declaração de Caetano sobre a regravação foi  definitiva:
"Ela gosta dessa música desde que trabalhava na TV Manchete. Adoro a Xuxa cantando ‘Leãozinho’… Acho que ela ter incluído essa faixa no DVD coloca a música no lugar certo, para criança ouvir" (em entrevista ao Glamurama em 09/09/2010).


Os “parceiros” de Xuxa se encontraram para cantar a música para ela no TV Xuxa Especial de 25 anos, em 2011.




* Apesar do pouco tempo entre o lançamento do disco e o fim do programa, Xuxa chegou a divulgar a música Sete Quedas, em uma versão com arranjos um pouco diferentes da lançada no disco:


* Em 1986 aconteceu a convenção anual de vendas da Philips, Roberto Menescal foi com Xuxa ao evento. Estava presente até o Presidente da Companhia. Quando todos esperavam que Menescal anunciasse o segundo disco de Xuxa na gravadora, ele somente comunicou que Xuxa e seus Amigos era o primeiro e último álbum de Xuxa na Philips, afinal a empresa não quis custear o disco. Roberto ligou para João Araújo, presidente da Som Livre e o resto da história todo mundo já sabe...

Xuxa assinando o contrato com a gravadora Philips
E lá se vão trinta anos de um álbum onde respeitados nomes da MPB, um produtor corajoso  e uma apresentadora que “nem cantora é” se juntaram pra mostrar que um bom disco não precisa de um orçamento dos grandes com um esquema perfeito de divulgação pra dar certo. Só precisa de boa vontade, persistência e, claro, amigos... muitos!


Nosso agradecimento especial ao produtor e compositor Roberto Menescal que gentilmente cedeu seu tempo para nos contar detalhes da produção do álbum. Menescal, sem dúvida, o primeiro e principal AMIGO desse disco foi você.
Xuper Blog

domingo, 20 de dezembro de 2015

Xuxa no Legendários - Todo Artista Tem um Lado Xuxa

Por: Leandro Franco

Legendário, segundo o dicionário Houaiss, s.m, (...) lendário, muito conhecido, célebre. Marcos Mion nunca fez tanto jus ao nome de seu programa. Como um integrante da geração "Xou da Xuxa", o apresentador resgatou as principais marcas da época para a participação da Rainha no seu programa. Nave (ou pelo menos uma tentativa), Paquitas (do tipo que, ao invés de cantar "quem quer pão", cantariam "quem quer whey? Whey... Whey), Praga e Doce Mel (tocado a exaustão), o programa ainda trouxe ao palco calouros que fizeram apresentações inspiradas na Xuxa, afinal "Todo Artista Tem um Lado Xuxa".


Rodrigo Teaser e MC Biel foram as outras atrações do programa. O primeiro, considerado o cover oficial de Michael Jackson no Brasil, performou fazendo o olho da loira brilhar e claro, serviu como gancho para que ela relembrasse seu encontro com o rei do pop em Neverland, já o Biel se ateve a divulgar suas músicas e a erguer sua camisa, que já deve ser algo rotineiro pra ele.


O destaque ficou mesmo para Xuxa que, além de juri do concurso de calouros, protagonizou momentos memoráveis. Como não se encantar ao vê-la bancando a cheerleader e sendo erguida até o alto? Alguém lembra da abertura do especial de 3 anos do Xou da Xuxa?




Ao infinito e além
A propósito, as referências não pararam por aí, TODOS os concorrentes usaram roupas inspiradas nos figurinos de Xuxa. No grupo de cheerleaders, que escolheram Hey Mickey como música de fundo, as meninas usaram uma roupa inspirada no emblemático figurino de 1990 - o mesmo reutilizado no TV Xuxa de anos 80, em 2012.


O rapaz do passinho que fez sua dança ao som de um mix "Lua de Cristal x Funk da Comunidade" (algo bem, digamos, curioso) usou uma roupa que também vem do Xou da Xuxa (1992) e que também foi reutilizada no TV Xuxa anos 80.




E o que dizer do dançarino de hip hop e stiletto dance vestindo (quase) o mesmo figurino da capa do primeiro "Xou da Xuxa"? Só faltou ele fazer a pose no final...

#XoudaXuxa30Anos
A surpresa do concurso ficou pela moça praticante de pole dance, que com seu figurino "marinheira do Xou da Xuxa" mostrou que a sensualidade não precisa estar atrelada à prática da dança em questão. E quem diria que Estátua seria bem utilizada na performance? Xuxa e Junno - que fez uma surpresa para a amada e ganhou todos os elogios, declarações de amor e beijinhos possíveis - se empolgaram e a escolheram como a vencedora.


O encerramento se deu com um momento "Me, Myself and I". Mion pediu que Xuxa, em frente a um espelho, falasse algo sobre quem ali ela via. Não poderia ser diferente, Xuxa em toda sua verdade mostrou que é a mesma de sempre e que seus desejos não mudaram desde que ela se tornou a "legendária" modelo que virou apresentadora: saúde para Dona Alda, para Sasha e a companhia de Junno até o infinito.


O momento mais fotografado e comentado do programa - Xuxa erguida ao alto, toda imponente - resultou numa euforia dos fãs e claro, surgiram questões como "vemos no programa dos outros a Xuxa que não vemos no programa dela própria"... Mion tinha Xuxa como sua maior e melhor atração, ele queria homenageá-la e, sim, mostrar o status de realeza que a ela foi dado. Agora como podem cobrar essa postura da própria Xuxa? Ela foi erguida pelo grupo de cheerleaders, não se ergueu sozinha. 


Essa comparação serve para os programas: no programa dos outros ela pode (e achamos que deve) ser tratada com ares de realeza, mas no próprio programa ela tem que ser a mestre de cerimônias, a "liga" entre tudo que ela tem pra apresentar, não pode ser a estrela. Ali ela é uma apresentadora  e tem que agir como tal. Além do mais, se ela mesma se enaltecer,  suas características mais apaixonantes se perderiam: a simplicidade e a verdade. Cobra-se essa postura real de Xuxa sob a alegação de que uma vez posta no trono, ela deve tal lugar aos que a ergueram tão alto e lá deve permanecer. O grupo de cheerleaders a trouxe de volta ao chão e o que aconteceu depois? O melhor momento: ela se olhando, sem coroa, pés no chão, sozinha, frente a um espelho. Talvez o melhor jeito de ver a Xuxa que se quer no "Programa Xuxa Meneghel" é se lembrar que realeza vem de REAL, de VERDADEIRO. Ela não precisa da coroa para ser real.


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