quinta-feira, 19 de maio de 2016

Revista da Xuxa: Edições 46, 47 e 48

Por: Leandro Franco


Sobreviveremos a essa década mortal  / E só mesmo o amor vai nos libertar...
Nem que tenhamos que viver em uma nave espacial,
Sobreviveremos, Sobreviveremos,
Pra recomeçar...

Qualquer um que acompanhou o Xou da Xuxa pela TV estremece só de ouvir esses versos que selam o fim do programa da Rede Globo. Nosso post da Revista da Xuxa chega hoje a esse momento na linha do tempo. Abordaremos as edições 46, 47 e 48, publicadas nos três últimos  meses de 1992, que coincidem com as últimas exibições da atração televisiva.


A extinção do Xou refletiria nas vendas do gibi? Como continuar abordando personagens como Praga, Dengue, Moderninho e até mesmo as Paquitas? Xuxa só estrearia seu novo programa, totalmente diferente da concepção do Xou, em maio de 1993 e à Revista cabia a função de manter o lado lúdico de Xuxa na mente das crianças. Façam o download e venham comentar conosco!

Edição 46
Clique aqui para download da versão digitalizada da revistinha nº 46

Na edição de outubro já começamos com Xuxa às voltas com um pretendente daqueles bem chatos, grudentos – como alguns que já apareceram em edições passadas – mas apesar de ser um tema recorrente, essa história consegue prender a atenção do começo ao fim.


Destacamos o visual do pretendente, claramente uma referência ao supervisor artístico do gibi, Reinaldo Waisman. Podemos dizer que esse rapaz é o Paulista crescido, já que o personagem infantil foi inspirado em Waisman e segundo a ficha-perfil publicada na edição 4: “Ele é gamadão na Xuxa e vive desenhando coraçõezinhos apaixonados para ela”.


Sem contar as coisas meio malucas que o rapaz faz, algo bem Moderninho – sim, Waisman é o pai do boneco de espuma. A propósito, temos algo curioso na história: o encontro de criador e criatura. E então? Concordam? Muita referência num personagem só... 

Praga, fazendo jus a seu nome, aprontou tanto que foi dar de cara com o Tinhoso, mas parece que o nível de encapetamento da tartaruga estava tão alto que nem o Malvadão deu conta...


Na história “O sabonete” um fato curioso: pela primeira vez uma música do 4º Xou da Xuxa (1989) era cantada. A escolhida foi Tindolelê. Lembrando que Lua de Cristal já tinha aparecido na edição 36, mostrando que o Xuxa 5 foi mencionado antes mesmo do 4º Xou da Xuxa. Pelo tempo já deveriam ter mostrado faixas do Xou da Xuxa Seis (1991), mas isso não aconteceu.
“O Caso dos Bombons” traz Moderninho incorporando novamente o detetive inspirado em Elliot Ness. Mais uma vez os “bandidos” Dengue e Praga roubam algo da pobre mocinha indefesa. 



A diferença é que dessa vez não era imaginação do Moderninho...

Fechando o gibi, uma história onde Xuxa vai parar onde Judas perdeu as botas, ou melhor, quase isso...


Notaram a diferença nos quadrinhos dessa história: o cenário é mais elaborado, com mais detalhes. Sabem por que? Um novo estúdio assumiu a edição 46: Amâncio Produções. Não conseguimos saber a razão disso ter acontecido. Talvez o Estúdio AW estivesse de férias... Afinal, o AW volta na edição 48 e cuidará das historinhas até a última edição.


A tirinha que encerra as publicação poderia ser um meme em tempos de combate à dengue, zika e aquela outra lá...

O anúncio da vez fica para o disco Xou da Xuxa Sete! Pela segunda e última vez, o gibi anuncia um disco da Xuxa (o primeiro foi o Xuxa 5). É interessante ver a rapidez com que o anúncio foi publicado; o álbum saiu em 02/10/1992 e já na edição de outubro estava anunciado. A propaganda do Xuxa 5, na época, demorou quase 6 meses para aparecer.



Edição 47
Clique aqui para download da versão digitalizada da revistinha nº 47

Uma das capas mais bonitas da Revista da Xuxa! Podemos dizer que ela é a versão “doméstica” da capa da edição 11. Reparem que na edição 11 temos somente animais silvestres ao redor de Xuxa, enquanto nesta edição são animais domésticos. 
Comparação das capas das edições 11 e 47
E esse sheepdog que não nos foi apresentado? Será que era a Priscilla pegando umas dicas para apresentar um programa em 1993?

Essa roupa da capa também fecha mais uma “trilogia”. Pela última vez Xuxa aparece com seu macacão vermelho. As outras vezes foram na edição 25 e no número 7 de seu Almanaque.


Se na edição anterior comentamos o cuidado da Amâncio Produções em retratar os cenários nas historinhas, dessa vez surpreenderam pelo contrário: uma história inteira só com Xuxa e Praga no “nada”. Bom, a culpa não foi do estúdio, né, Moderninho?

A folga do estúdio acabou na história “Cooper-Ando”. Uma riqueza de detalhes impressionante numa história que pode ser considerada a versão em quadrinhos da clássica mensagem de Xuxa contra a destruição da natureza. A cena final não parece ter sido retirada de um clipe da Xuxa?
"Baixinhos unidos jamais serão vencidos..."

Falando em coisas clássicas, pela primeira vez temos uma historinha inteira sem Xuxa aparecer com seu tradicional penteado de xuquinhas! Acostumem-se, vai acontecer novamente nas próximas edições.


O gibi se encerra com a tradução perfeita de “rir é o melhor remédio”. Não estamos falando da música da Xuxa, que só saiu em 1994, mas sim do ditado popular. Curiosamente a história não nos faz rir e sim pensar no quanto temos que encarar as partes difíceis com bom humor. Xuxa aprendeu e ensina isso direitinho.


No Correio da Xuxa, uma leitora se lembrou da Sandrão e pediu mais histórias com ela. Curioso, não? Uma personagem que nem aparecia no Xou... Bom, pelo menos essa vai ter seu pedido atendido. Aguardem.

Houve quem quisesse uma história contando sobre a trajetória da Xuxa. Poxa, será que ela não leu a “brilhante” versão da vida da Xuxa contada pelo Moderninho, na edição 43?


Estavam com saudades da Mocreia? Pois é, a rival da loira não dá as caras no gibi há algum tempo, mas um anúncio nos fez lembrá-la. O minigame “Xuxa no Labirinto da Mocreia” lançado pela Tec Toy fez sucesso no Dia das Crianças e no Natal de 1992.



Edição 48
Clique aqui para download da versão digitalizada da revistinha nº 48

Pronto! A última edição de 1992, que foi publicada no último mês do Xou da Xuxa. Imaginem como estava a cabeça dos leitores: o Xou acabando significaria o fim da revistinha também? Hoje nós sabemos que não, mas naquela época isso devia ser uma incógnita. De certa forma, a edição já parecia alheia aos acontecimentos na carreira da loira e à época. Estávamos em dezembro, Natal, e a capa não trazia qualquer referência. Também não tivemos historinhas com o tema. A comemoração se restringiu às Dicas Pros Baixinhos, que ensinou a fazer enfeites horrorosos para sua árvore.


Se na edição 42 tivemos o primeiro desenho de Xuxa com o estilo do Xou da Xuxa no ano de 1992, agora temos a primeira historinha; é com esse visual que Xuxa vai se aventurar nas indicações de Moderninho para um bom descanso de fim-de-semana. Indicações do Moderninho? Isso não pode ser boa coisa...


O Estúdio AW voltou a cuidar das historinhas e sabem quem ele trouxe junto? Aquele figurante estranho, o tal Wander, que pensávamos ter morrido, mas agora parece estar vivinho da silva. O cara é multifacetado: Candidato a cargo político (1992 era ano de eleição), ladrão e velhinho do chapéu na ventania... está passando dos limites, daqui a pouco ele aparece mais que a própria Xuxa.






O homem assalta e ainda se candidata a cargo público? Bem Brasil isso... Cadê a polícia federal dos quadrinhos? E o Pavão ainda quis ajudá-lo a recuperar o chapéu. Sabe de nada, inocente.


Moderninho, como de costume, teve mais uma história-solo. Vejam bem, já são 48 edições da Revista da Xuxa, então já estamos mais que acostumados aos devaneios do boneco de espuma. Só que chamar de “devaneio” o enredo dessa história é até elogio! A falta de sentido vai MUITO mais além do que ousamos imaginar. Será que o roteirista tinha cheirado nanquim ou engoliu giz de cera?


Fechando a edição, temos nossa primeira referência à mitologia grega: Xuxa e Xuxo vão enfrentar Cérbero, o cão de três cabeças que guardava os portões do inferno. Bom, aqui ele é chamado de Tição... deve ser porque tição é o carvão tirado do fogo. Fogo... inferno... captaram?



Tempos depois o Harry Potter também encontrou o Tição Fofo (Fluffy)... não adianta, J.K. Rowling, Xuxa fez primeiro! #XuxaDidItFirst


No Correio da Xuxa, uma leitora veio elogiar o Dengue. Curiosamente, essa edição é a primeira onde ele não aparece NENHUMA vez. Foi proposital publicarem a cartinha justo nesse número?

Fechamos o ano IV da Revista da Xuxa! Como puderam ver, o fim do Xou da Xuxa foi totalmente ignorado pela publicação. Que bom, deu aos leitores a chance de continuar contando com a Xuxa nos quadrinhos, já que na TV isso só aconteceu quase na metade de 1993 e, mesmo assim, durou pouco, mas essa é uma outra história...

Vem novidade por aí, começando pelos figurinos versão 1993! Opa, nem tão novos assim... Se você está acompanhando nossas postagens desde o início vai se lembrar. Se não lembrar, deixa com a gente que logo, logo esclareceremos isso...



Comentários
3 Comentários

3 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns Leandro! Muito bom mesmo! Ass. Sandro de Recife.

Rafael F. Abrão disse...

Como uma mudança de estúdio, mesmo que ligeira, pode mudar tanta coisa!
Até o momento as edições 46 e 47 foram as mais legais na minha opinião e não tem como deixar de atribuir ao estúdio responsável. O desenho da Xuxa tem mais movimento, tem mais ângulos, demonstra mais emoção, os roteiros são mais diversificados e o capricho é visível.
Eu tenho um carinho muito grande pelas edições da revista que foram lançadas pelo primeiro estúdio. Embora aquela Xuxa seja mais 'humanóide' dado que a cabeça dela era as vezes desproporcional para o corpo, o rosto tinha uma delicadeza muito mais bonita, que se perdeu com a mudança para o AW. Essas duas edições por um terceiro estúdio mostram, na minha opinião, como o que possivelmente perdemos se a revista ficasse a cargo de outro estúdio (embora eu goste muito do trabalho que foi feito no AW, nao quero desmerecer de jeito nenhum).

Matheus Santos disse...

Quando eu era criança queria muito ter o Mini Game da Xuxa e me lembro dessas propagandas próprias para gibis, inclusive nas revistinhas da Turma da Mônica.
Agora, analisando os traços, desenhos e tudo mais da histórinhas da Turma da Xuxa, dá para ver nitidamente que a Amâncio Produções era superior ao Estúdio AW, deixando a incógnita de como e porque esse estúdio continuava produzindo a revistinha. Será que eles cobravam mais barato? Será que era algum estúdio de indicação? O mistério está lançado. Se um dia esse Blog descobrir, por favor, nos faça uma resenha sobre isso.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...