quinta-feira, 16 de junho de 2016

Revista da Xuxa: Edições 58, 59 e 60

Por: Leandro Franco

SESSENTA edições! CINCO anos! Chegamos ao fim dos nossos posts sobre a Revista da Xuxa no formato de gibi vendido em bancas. Hoje falaremos das três últimas edições: 58, 59 e 60, publicadas no último trimestre de 1993. Como dissemos num post prévio, a Revista da Xuxa foi a única revista baseada em artistas da TV que restou no mercado naquele ano. Trapalhões, Sérgio Mallandro, Chaves, Gugu... todos já tinham publicado sua última edição nessa época.
O final do gibi da loira não teve qualquer menção na publicação, nada de “última história” ou edição especial com caráter retrospectivo, simplesmente ACABOU. Logo, logo nós chegaremos lá, antes disso faça seu download, leia e venha comentar conosco tudo o que reservavam as últimas edições da revistinha.



Edição 58

Clique aqui para download da versão digitalizada da revistinha nº 58

Na capa dessa edição temos mais um figurino “real”: Xuxa apresentou o Xou da Xuxa em 1992 usando o modelo que, obviamente, foi a inspiração para o Cosme fazer a arte. 




Oi? Quem é o Cosme? Bom, ele era o Chefe de Arte da revistinha até a edição 47, mas foi na edição 45 que pudemos vê-lo num momento “além vida”. 



Será que ele psicografou a capa? Como sabemos que foi ele? Ele fez questão de assinar o desenho – única vez que isso aconteceu na Revista da Xuxa.



“A gente gosta de brincar de circo...” e o Moderninho também, mas quando o boneco de espuma está por perto, podem ter certeza que vem confusão das grandes.


Aliás, grande mesmo era a Xuxa nessa história. Como explicar que ela tenha o mesmo tamanho do carrinho do sorveteiro com o guarda-sol. Uma Xuxona!


Se a Xuxa estava gigante no quadrinho, isso deve ser porque estavam desenhando-a proporcionalmente ao sucesso. Na história “Quem tem medo de Fantasmas” descobrimos que Xuxa faz sucesso até no outro mundo! Cadê o Gasparzinho em participação especial?



Vamos do mundo sobrenatural para o mundo Elemental: Xuxa apareceu de fada para um baile a fantasia. Uma fantasia tirada lá dos sonhos do Praguinha... lembram da edição 32 (Agosto de 1991)?

Se vocês se lembram da edição 32 não sabemos, mas certamente se lembram desse bicão do Wander...
Viram a "participação especial" dele no quadrinho aí de cima?

Em “Uma Barata na Sala”, o Cosme (ele de novo!) resgatou outro figurino “real”. Olha aí a Xuxa com a roupa do Show de Xuxa (Argentina) num programa de agosto de 1992. 


Ah, o Cosme agora canta também... Viram o disco dele no som da Xuxa? Pra dupla sertaneja, só falta o Damião...



Voltando ao modelito da capa, ele também deu o ar da graça na historinha que fecha o gibi, mas na versão “sem-boina-com-xuquinhas”. História daquelas muito bem desenhadas , característica especial do estúdio “Amâncio Produções”. Vai deixar saudade...


Quem disse que o programa XUXA não agradava aos baixinhos? No Correio da Xuxa tivemos algumas cartinhas elogiando o programa da loira. Mal sabiam essas leitoras que justamente no mês que a cartinha delas foi publicada, o programa chegaria ao fim.


E não é que uma leitora fez a mesma observação que nós fizemos sobre a capa da edição 55?


Edição 59

Clique aqui para download da versão digitalizada da revistinha nº 59

Uma das capas mais bonitas da história da Revista da Xuxa, a penúltima edição trouxe uma versão “alternativa” do figurino usado pela loira lá na edição 56, só trocaram as cores.



Na história de abertura, Xuxa estava toda derretida por um tal de Fabinho, mas parece que o moço não queria nada com ela... Praga e Moderninho é que foram abrir os olhos da loira sobre as reais intenções do rapaz, mas parece que ela não se conformou.


Se o Moderninho e o Praga tentaram proteger Xuxa dos perigos de uma desilusão amorosa, foi a própria Xuxa que protegeu o Paulista, a Angel e o Mumu de perigos bem mais concretos causados por um carinha nada legal.  Aproveitem pra dar tchau ao Paulista, aqui ele encerra sua participação nos gibis da loira.


A história seguinte também é de “despedida”, o índio amigo de Xuxa, Tupinixim, faz sua última aparição nas historinhas. Uma longa participação que começou lá na n.0. Tupinixim foi um personagem exclusivo dos quadrinhos e que rendeu muito mais que muito personagem “real” da Turma da Xuxa.


Penúltima edição é praticamente penúltimo capítulo de novela, os personagens secundários têm seu destino fechado para no último o foco estar nos principais. Nessa regra temos ainda quatro outras despedidas:

1. Pimpo, o cachorrinho n.2 de Xuxa, cai no papo do Xuxo e troca seis por meia dúzia. Ô Xente, que xaudade – como ele diria..


2. Pavão , o coreógrafo de Xuxa,personagem inspirado no Berry, protagoniza sua última história, que muito se assemelha a uma que fizeram para Xuxa na edição 52. Dormir mais do que deveria, sair apressado para um compromisso e ao chegar lembrar que não era o dia certo... Deja vu!



3. Di Junior, o surfista paquerador, aparece numa participação na historinha do Pavão. O personagem foi inspirado no Di Junior da produção do Xou da Xuxa. Curiosamente, o verdadeiro Di Junior não era loiro.  Di Junior protagonizou boas histórias ao longo das sessenta edições e foi um dos personagens mais presentes em todas as fases do gibi.


4. Vovuxa, a simpática vovó de Xuxa, não poderia sair sem contar como conheceu o avô de Xuxa. Única personagem que teve uma história do tipo “como tudo começou”. 


No casamento da Vovuxa Tivemos um penetra! Esse homem tem máquina do tempo também?


Destaque para a Xuxa/Vovuxa com figurino dos anos 40.


Graças ao Correio da Xuxa pudemos saber que as edição 50 e 54 eram quase letais. O Ministério da Xuxa adverte: não morra porque se morrer outro gibi você não vai ler!



Edição 60

Clique aqui para download da versão digitalizada da revistinha nº 60
Última edição! A 60ª Revista da Xuxa encerrou seu ciclo junto com o ano de 1993. Publicado em dezembro daquele ano, o gibi trouxe poucas diferenças de suas edições anteriores, diferenças que foram mais evidentes no seu formato do que no seu conteúdo: número de páginas, preço, encadernação.


Uma edição “normal” da revistinha tinha 66 páginas (incluindo as propagandas), essa teve 114, quase o dobro.  Claro que se temos o dobro de páginas, o preço também não ficaria para trás: de CR$270,00 (Cruzeiros reais, a moeda da época) foi para CR$550,00. Sim, mais que o dobro! Provavelmente a justificativa por não se ter o dobro de páginas, mas ter um preço que era mais que o dobro ficou a cargo da encadernação. Com mais páginas, o formato utilizado não foi aquele de grampos no meio e sim o método que envolve cola e a criação de uma  lombada (esse foi o formato adotado pelo Almanaque da Xuxa em todas suas edições).


A capa pela primeira vez foi feita com base em uma foto de Xuxa. Uma das cenas finais do filme Super Xuxa Contra Baixo Astral (1988) foi a inspiração.  Como o mês era dezembro, a revista precisava de um ar natalino. A solução foi acrescentar enfeites da natal ao fundo, sobrepor Praga e Moderninho vestidos com roupas de Noel e trocar o famoso cristal do filme por uma estrela. Pronto! Estrela... Estrela de Belém, Estrela de Natal.

A intenção foi boa, mas não deu muito certo:
pescoço e membros grandes demais e mãos pequenas deixaram a Xuxa dos gibis desproporcional

 Não sabemos por que escolheram o filme Super Xuxa, já que a loira, a essa altura tinha um vasto catálogo de imagens de temática natalina que poderiam perfeitamente inspirar capas para os próximos dez natais. Nosso palpite: uma volta ao começo; em 1988 foi publicada a primeira Revista da Xuxa, mesmo ano do lançamento do filme.

Teorias de capa temática à parte, nenhuma história faz menção ao Natal ou ao fim da publicação. Na verdade temos a impressão que a equipe foi pega de surpresa e simplesmente juntaram todas as histórias que já tinham prontas e criou-se a última edição, o que explicaria o maior número de páginas. Algo que chama atenção é o fato desta edição compilar os desenhos mais mal feitos da Xuxa e sua turma. Muitos parecem estar ainda no “rascunho”. Vamos a algumas comparações:







As histórias
A abertura traz Xuxa e Moderninho numa aventura intergaláctica no Planeta Dróide. Apesar do desfecho ser completamente diferente, boa parte da história nos remete a uma aventura da edição 15: Xuxa e Moderninho chegam a uma civilização diferente da nossa, são classificados como intrusos, presos; na prisão conhecem outro preso e que os ajudará  a escapar da enrascada. Bem parecidas, não?







A segunda narrativa traz um recurso bastante comum nas histórias em quadrinhos: fazer os personagens conversarem com seus “criadores”, geralmente para reivindicar alguma coisa. E quem aparece no estúdio? Wander... estava demorando. Numa história que todos queriam chamar de “sua”, nos despedimos Mumu, Angel e o cavalo Apolo, além das Paquitas com novo uniforme.


Wander reaparece para revelar sua identidade secreta. Ele é o SHAZAN (SQN).  O figurante misterioso encerra sua participação bicona nos gibis da Xuxa. 

Repararam na pasta do Wander? Isso explica porque ele não aparece nas edições
a cargo da Amâncio Produções. Provavelmente ele é o "W" da AW.

Outros super-heróis também aparecem na historinha numa mistureba de fazer inveja a DC Comics e Marvel, com direito a participação de Arnold Schwarzenegger.


Dengue e Praga vão atrás do final do arco-íris na oitava aventura do gibi. O que foram fazer lá? Se certificar que “toda cor tem si uma luz, uma certa magia”?


A décima história foi realmente NOTA DEZ. Bem desenhada, bem articulada, provavelmente feita pelo estúdio Amâncio Produções, pois o cuidado com os traços é evidente. Reparem que essa história poderia ser da edição 58: Xuxa com a mesma roupa e o rapaz não parece o mesmo que está na capa da antepenúltima edição? E também rolou um “climinha” tal e qual na referida capa.




E tudo se encerra com a história “O Caçados das Estrelas”. Infelizmente, aquela que poderia ter sido memorável foi só mais uma no meio de tantas. Outra história intergaláctica, com um traço “desengonçado” para o desenho de Xuxa e Robuxo descaracterizado novamente, pois continuaram pintando-o de azul. 


Além de desenharem uma boca aberta na frente da Nave, ainda mudaram a cor do laço. Por que?


O enredo não é ruim e, como dissemos, poderia estar em qualquer outra edição, até mesmo na própria n.60, mas não deveria ser o encerramento de uma história de 5 anos.


O último Correio da Xuxa veio pra mostrar que realmente não esperavam que a n.60 seria a última. Tivemos cartinhas que enviaram sugestões para novas histórias, novas seções e todas foram respondidas com a tradicional frase “sua sugestão está anotada e será estudada com muito carinho”. 



Uma delas foi um pouco mais longe, Xuxa chega a dizer para a leitora esperar as próximas edições porque a ficha do bicho que ela queria seria publicada em breve. 



Respondendo outra cartinha, Xuxa fala que está amando o novo programa, mas como? O programa saiu do ar em outubro. Claro que a carta devia ser antiga, mas não podiam ter feito uma seleção do que seria publicado para que não ficasse contraditório com a “vida real”?



Encerramos nossa abordagem a cada uma das edições da Revista da Xuxa, esperamos que tenham gostado tanto quanto nós, poder reviver (ou conhecer) todo esse universo paralelo de Xuxa.  Mas sabem como é, não é? A gente termina uma revistinha e já quer logo outra... O Xuper Blog não para  e vai continuar “assim” com vocês. Aguardem!

Nem tudo acaba quando termina...

Comentários
5 Comentários

5 comentários:

Matheus Santos disse...

NÃÃÃOOO....SOCORROOO....BUÁÁÁ! :(
Com o término do gibi que marcou uma geração, seus eternos baixinhos ficaram orfãos de vez (pelo menos naquela época) do Mundo Mágico e Surreal que a Rainha transmitia.
Confesso que lendo a resenha também achei fraca para uma última edição, mostrando e provando através do "Correio da Xuxa" que a produção foi pega de Xurpresa.
Enfim, agradeço a todos os Estúdios e Profissionais envolvidos na criação e elaboração da Revistinha da Xuxa, cobiçada pelas crianças do Brasil e do Mundo, alegrando-as todo o mês.
Obrigadooooooooooo!
Agora, eu "Tô Assim" para ver as resenhas da Revistinha promocional da Arisco.

Diego Umino-Hatake disse...

Essa história que vocês elogiaram creio que não foi feita pelo Aluir Amâncio. Não se parece com o traço dele. Se lembro bem, ele não colaborou na edição 60. Realmente ele é um dos melhores desenhistas brasileiros. Me inspirava muito nele.

Rafael F. Abrão disse...

Há 3 edições do Xuper sobre as revistas (9 então, no caso), eu não estou podendo ler por conta dos meus compromissos com o meu tcc. Mas eu achei interessante que eu NUNCA havia visto a capa da edição 59. Foi totalmente nova pra mim. Assim que me sobrar um tempinho (apresento meu tcc dia 23) eu vou correr ler. Obrigado novamente por dividir esse lindo material com a gente <3

William Borba disse...

Parabéns pelo blog, bastante detalhado e informativo. Também foi interessante rever algumas das revistas da Xuxa para as quais colaborei como desenhista.
Eu, assim como vários outros artistas, trabalhava na época para vários títulos da Ed. Globo e Ed. Abril (como Heróis da TV e Aventuras dos Trapalhões) através do estúdio AW, que pertencia ao artista Wanderley Mayhé, o "bicão" que aparece em várias das histórias como Wander. É praxe dos artistas desenhar amigos e colegas de trabalho como uma forma de brincadeira e homenagem aos mesmos. O próprio Wanderley desenhou várias das histórias da Xuxa e não deixou de incluir-se nelas como uma forma de “assinar” a obra, uma vez que, diferente da ed. Abril, a política interna da ed. Globo proibia que os artistas free-lancers tivessem seus nomes nos créditos.
No caso da historinha "Falta de Espaço", que está neste post, eu sou o desenhista que aparece junto à prancheta, conversando com a Xuxa num exercício de metalinguagem.
Devo dizer que o título (revista) foi encerrado com meses de antecedência, devido a problemas entre a produção da Xuxa e a editora Globo. Várias das histórias que desenhei naquele último ano do título ficaram engavetadas, apesar de terem sido até mesmo arte-finalizadas e letreiradas, estando inéditas até hoje.
Quanto a algumas das críticas, preciso esclarecer que os desenhistas baseavam-se nos roteiros e model sheets que recebiam, desenhando apenas o que era pedido pela equipe editorial, que mudava os nomes de alguns personagens quando da publicação, como no caso da paquita Pituxa, que apareceu como sendo Xiquita na edição 38. A maioria de nós só tinha contato com o universo da Xuxa por meio desses materiais que nos entregavam, uma vez que não tínhamos tempo para assistir a seus programas.

claudio kepps disse...

Eu encontrei o blog por acaso, e me apaixonei.
As revistas da Xuxa fizeram parte da minha infância. Muitas eu via só de longe,pois eram caras pra mim. Fui ter uma muitos anos depois de já ter acabado.
A Xuxa bem que poderia voltar com os quadrinhos.
Agora com a tecnologia mais avançada ficaria demais.
Fico por aqui,dizendo que amo o blog.

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