quinta-feira, 14 de julho de 2016

Revista da Xuxa: Edições 61 e 62 (Promocionais da Arisco)

Por: Leandro Franco

“Nem tudo acaba quando termina”... Vocês se lembram que escrevemos isso no nosso último post sobre a Revista da Xuxa? Pois é, pura verdade! Antes de qualquer coisa, que tal uma recapitulada? O gibi da loira teve 60 edições publicadas entre dezembro de 1988 e dezembro de 1993, através da Editora Globo e foi o gibi de personalidade da TV que teve a maior duração no mercado dos quadrinhos: 5 anos. Com o fim da publicação, parecia que as aventuras da Xuxa nos quadrinhos estavam definitivamente encerradas. E o que dizer dos outros personagens? Moderninho, Praga, Dengue, Vovuxa, Xuxo... todos esses dependiam do gibi para ainda se fazerem presentes na carreira de Xuxa, pois o programa infantil já não mais existia.


Graças a uma ousada e grandiosa parceria entre Xuxa e a empresa de gêneros alimentícios Arisco, esses personagens tiveram ainda uma sobrevida. A Revista da Xuxa voltou a ser editada e novas aventuras foram escritas.


Claro que muita coisa mudou; a começar pela periodicidade e pela forma de distribuição da publicação. Antes de chegarmos a esses detalhes precisamos entender melhor a parceria Xuxa e Arisco.



“Tô assim com a Arisco”
A Arisco surgiu em 1969 e seu primeiro produto comercializado era uma espécie de tempero em pasta que misturava alho, sal e pimenta. Somente no final dos anos 80 e início dos anos 90 que a empresa teve uma expansão significativa no mercado nacional, quando passou a produzir caldos e sopas, amido de milho, pó para refresco, maionese, catchup, macarrão instantâneo e achocolatado. Logo, toda a linha Arisco começou a ser exportada para vários países.



No ano de 1990, a empresa se tornou uma das patrocinadoras dos sorteios do Xou da Xuxa. Os baixinhos que escrevessem para o programa ganhavam uma bicicleta promocional.  Xuxa foi escolhida para destacar a praticidade e jovialidade do produto junto ao seu público, que tinha donas de casa também. Deu certo!



Em 1992 Xuxa fechou um contrato de exclusividade com a marca e passou a ser a garota propaganda, ficando responsável por todas as campanhas publicitárias, fora o merchandising em seus programas.


Um vídeo institucional apresentando Xuxa como a nova garota-propaganda foi veiculado na TV. Em cerca de 1 minuto, Xuxa deixa clara sua aprovação à marca e recomenda o consumo dos produtos.


Nessa época surge o famoso boné vermelho que trazia o autógrafo de Xuxa nas laterais e que se tornou objeto cobiçado entre os fãs da loira – não só os do Brasil, afinal Xuxa era a “cara” da Arisco também na Argentina.



Curiosidade: o boné teve duas versões durante o contrato de Xuxa com a Arisco. A primeira (1992-1993), mais simples, estampou os primeiros comerciais e ensaios de divulgação.  A partir de 1994, o boné já estampava a marca sem a segunda linha verde e na parte de trás trazia o nome “Arisco” em meia lua na parte de regulagem.



Modelo 1: a marca ainda usava o segundo retângulo verde e a parte de trás era lisa.

Modelo 2: a marca aparece num único retângulo e na parte de trás
aparece novamente o nome "Arisco"

Em 1993, foi lançado o refresco em pó Frisco e foi esse produto o principal responsável por  vincular a imagem de Xuxa à marca de forma definitiva. Cada embalagem trazia em seu verso uma foto da apresentadora para ser recortada e colecionada. O assunto Xuxa/Frisco é tão interessante que o reservamos para um futuro post. Fiquem de olho, logo, logo publicaremos.



E se Xuxa já estava tão vinculada à marca, nada mais justo que a Arisco também fizesse parte do universo da loira: em 1994, a turnê Sexto Sentido foi patrocinada pela empresa. Pra todo lado se viam os bonezinhos vermelhos e Xuxa, claro, usava seu broche de brilhantes com o nome da marca o tempo todo: nas coletivas de imprensa, nos bastidores, nos encontros com fãs...




Pronto! Chegamos onde queríamos: ano de 1994! Ano de Copa do Mundo e a Arisco recrutou Xuxa e as Paquitas para mais um filme publicitário. O jingle “Eu to assim com a Arisco” se tornou praticamente uma música alternativa de Xuxa. Até então os comerciais não traziam música e nem precisamos dizer o quanto isso agradou aos fãs da loira. Daí pra frente a fórmula foi usada sem moderação. Tivemos jingle pra maionese, pro Natal e até pro achocolatado Mágico, o último, já em 1998.




As Revistinhas
Ainda no gancho da Copa do Mundo, a Arisco resolveu trazer de volta a publicação em quadrinhos da loira e assim tivemos uma nova fase da Revista da Xuxa. A partir de agora as revistinhas passam a ser promocionais, ou seja, não são vendidas em bancas e passam a ser distribuídas gratuitamente em grandes supermercados e lojas de departamento.




Não são mensais, a periodicidade ficou confusa – em alguns meses saíam duas edições, noutros só uma, noutros nenhuma. O número de páginas foi reduzido para menos de um terço: de 66 para 18. Apenas uma história por edição e todas as edições passam a trazer miniposteres da Xuxa e passatempos – se trouxessem Paquitos e Madame Caxuxá, diríamos que leram todas as cartas do Correio da Xuxa: “vamos dar ao povo o que ele quer”! E claro, MUITA divulgação dos produtos da Arisco... é justo!

Edição 61


Clique aqui para download da versão digitalizada da revistinha nº 61

Como dissemos, cada revistinha da segunda fase da Revista da Xuxa vai apresentar apenas UMA história e ela sempre será focada em um produto da Arisco. A edição 61, publicada em junho de 1994 destacou a Geleia de Mocotó. “Cresça e Apareça” conta a aventura de Praga e Moderninho voltando no tempo e encontrando Xuxa ainda criança.


Eles adiantam um pouco de tudo que a futura Rainha dos Baixinhos vai viver e a alertam que, para que tudo se concretize, ela precisa.... comer muita Geleia de Mocotó da Arisco (!!!!).


Bom, a história seguiu bem desenvolvida até esse momento, mas temos que dar um desconto, afinal a Arisco tava pagando...


Não existe indicação de qual foi o estúdio responsável pelos desenhos, mas dá pra notar que há uma diferença considerável nos traços. Certamente não era a AW e nem a Amâncio Produções, nossas velhas conhecidas, mas o padrão está mantido.A propósito, a Xuxa criança em muito nos lembra a aventura publicada lá na edição 22 (outubro de 1990).



E se não temos as cartinhas do Correio da Xuxa para nos divertir, temos um desenho bem curioso de uma das Paquitas...

Que Paquita seria essa? A Bocuxa?

E temos Praga usando como referência musical de Xuxa uma música que nem é dela propriamente dita. Cadê Tindolelê, Pinel Por Você, Festa do Estica e Puxa, Dança da Xuxa? Preferiram pegar uma que a maioria sequer sabe o nome correto: Querer é Poder, que saiu no disco do cantor José Augusto em 1992.


Na contracapa interna tivemos a letra do jingle, enquanto nas demais tivemos fotos da Xuxa com os produtos. No miniposter, claro, foto de Xuxa com a Geleia de Mocotó.



Os passatempos marcaram presença e cumpriram a função de distrair e fixar o produto para os leitores.



Edição 62


Clique aqui para download da versão digitalizada da revistinha nº 62

Lançada simultaneamente com a edição 61, a revistinha também abordou a Geleia de Mocotó. Se antes era a pequena Xuxa que tinha comer muita geleia, agora é a vez do Praga se empanturrar com o doce.




































Tudo para que ele se torne um atleta – e faça Moderninho ganhar dinheiro, claro. Óbvio que coisa que Moderninho põe a mão nunca é bem o que parece ser e o Praga já devia saber disso.

A história se assemelha muito à uma publicada na edição 26 (fevereiro de 1991) onde o Praga tenta fazer do Dengue um praticante de exercícios físicos. Até mesmo a “saída” para vencer uma corrida foi refeita. Pelo menos o final é diferente e dessa vez incluíram a Xuxa na história.



Parece que geleia de Mocotó é o equivalente ao espinafre do Popeye: a pessoa come e a força brota do nada!


Novos passatempos e o mesmo miniposter da edição 61. Mal começou e já tinha repetição? E olha que Xuxa fez todo um ensaio com todos os produtos da Arisco, hein?




Encerramos por aqui; na semana que vem falaremos das edições 63, 64 e 65. Enquanto isso vocês podem pensar em qual sabor de geleia de mocotó vão comer de sobremesa.  O negócio é bom mesmo: ou você vira a Xuxa ou fica forte, já pensaram nisso? E já que falamos de tanto produto alimentício, vamos deixar um aperitivo:


Sim, a Revista da Xuxa finalmente foi publicada fora do Brasil, num idioma bem peculiar...
Detalhes? Só semana que vem...

Comentários
1 Comentários

Um comentário:

Anônimo disse...

oi xuper blog existe na internet uma boneca de plástico q dizem ser a primeira boneca da Xuxa gostaria de saber se isso é Verde se for gostaria fizessem um post sobre isso desde já agradeço

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