sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Xou da Xuxa - O Disco

Por: Leandro Franco

Amiguinha Xuxa é hora de brincar! Estamos esperando só você chegar...

Tão esperado quanto a chegada de Xuxa em sua nave especial a cada manhã foi o lançamento do disco Xou da Xuxa em 1986. O álbum, que em 2016 completa 30 anos, foi o início de uma série de lançamentos que iriam colocar Xuxa entre as maiores vendedoras de discos até hoje! Sua importância é tamanha que muita gente ainda o tem como o 1º disco de Xuxa, esquecendo-se de Xuxa e seus Amigos (Philips, 1985).
Engana-se quem pensa que o LP Xou da Xuxa saiu simultaneamente com a estreia do programa infantil de mesmo nome. Nada disso! Somente no início de agosto ele foi lançado e sabiam que o “primeiro” Xou da Xuxa poderia nem ter existido? Bom, não da forma como conhecemos hoje...



Em qualquer faz-de-conta, a gente apronta...
Em julho de 2011, próximo aos 25 anos do disco, Xuxa contou ao Especial “Viva a TV”, do jornal Extra:
“Esse disco não era para existir. Eu ia cantar apenas duas músicas para o programa. Em cima da hora decidiram fazer um álbum inteiro, mas tudo foi na correria...”

Ao Jornal Estado de São Paulo, em 21/07/1987, ela contou ainda mais:
“Aceitei gravar meu próprio disco com a condição de apagarem tudo se eu não gostasse; fiz constar isso do contrato porque eu estava muito receosa.”



Xuxa já tinha dado seus primeiros passos na carreira fonográfica sob a batuta do produtor musical Roberto Menescal. Vinda de um trabalho – Xuxa e seus Amigos – que nasceu desacreditado pela própria gravadora, Philips/Polygram, a loira provou que, mesmo sem ser cantora, tinha cacife para garantir sua permanência no mercado de discos. Depois da boa vendagem do álbum, a Philips queria fazer um novo álbum, ao mesmo tempo a Globo já tinha acertado sua contratação para apresentar um programa infantil. Na carona, Xuxa deu “beijinho, beijinho, tchau tchau” para a Philips/Polygram e chegou à Som Livre.



A chegada na gravadora do grupo Globo não foi das mais fáceis. Recentemente, o produtor do álbum, Guto Graça Mello, contou ao site UOL  que teve que “se virar” para fazer o disco. O fato de Xuxa não ter facilidade com os vocais somado à dificuldade de encontrar compositores que dessem canções para o disco fez com que a tarefa fosse mais trabalhosa que o normal.
“Xou da Xuxa” foi concebido para ser uma espécie de trilha sonora do programa infantil, não era O disco da Xuxa, era o disco DO Xou da Xuxa. Essa concepção durou até o 4º Xou da Xuxa (Som Livre, 1989). Havia a música para abertura, música para a chegada da nave, para o café da manhã, para os desenhos animados, para os personagens da turma e, até mesmo, para as atrações do programa.



Tenho tantas coisas pra nos divertir...


Antes de continuar a resenha, dê o play em nosso vídeo comemorativo!

Com dez músicas – o menor número de faixas da era Xou da Xuxa – o disco do programa trouxe compositores de várias vertentes: de Rita Lee a então assessora de imprensa da Som Livre, Aretuza, passando por Frejat e Guto Goffi e muitos outros.


Doce Mel



A composição de Cláudio Rabello e Renato Côrrea se tornou a principal música do disco e também uma das mais importantes da carreira de Xuxa.  No dia 30/06/1986, antes até mesmo do “bom dia” da apresentadora, os versos “bom estar com você, brincar com você...” foram a primeira coisa ouvida na estreia do programa. Tema da abertura do programa até sua última exibição, a faixa teve várias versões ao longo dos anos: com novos vocais de Xuxa, em versões instrumentais, em ritmo de carnaval, em coro infantil. Para todos os gostos...


As versões mais recentes são a do Xuxa Festa (2005) e a do Monange Dream Fashion Tour, quando ganhou ares de jazz (2010).  
Internacionalmente a faixa também aparece no primeiro disco de Xuxa em espanhol, lançado no ano de 1990 (Dulce Miel) e em 1993 ganhou uma adaptação em inglês – Do Say – onde todo o sentido foi alterado, reaproveitando-se somente a melodia.


Doce Mel foi ainda incluída nos discos: Karaokê da Xuxa (Globo Discos, 1987 – em versão instrumental);  Todos Sus Exitos (RGE, 1993 – versão em espanhol); Xuxa Dez Anos (Som Livre, 1996); na coletânea Xuxa Hits – Vol.1 (Globo Discos, 1997); Xuxa Pérolas (Som Livre, 2000) e Xuxa 20 Anos (Som Livre, 2006).
A faixa ganhou um clipe dirigido por Boninho e feito especialmente para o Fantástico (Rede Globo) no ano de 1986.





Turma da Xuxa



Mostrando que seu talento para criar personagens não se restringia aos desenhos do cenário e produtos da Xuxa, o “pai do Moderninho” , Reinaldo Waisman, compôs em parceria com Robson Stipancovich a canção que traça o perfil do que seria uma turma da Xuxa. Vários baixinhos são retratados, mas, se pensarmos bem, NENHUM tem a ver com o que realmente se consagrou como A Turma da Xuxa. Onde estão Praga, Dengue, Paquitas, Xuxo?  E quem seriam Marcão, Betão, Juliana, Julieta, Zé, Mané, Paulinho, Rosinha... nunca mais se ouviu falar deles...


A faixa também ganhou um clipe para o Fantástico em 1986 e dez anos depois, no Especial Xuxa 10 Anos (Rede Globo), onde a toda a “verdadeira” Turma da Xuxa apareceu.


Turma da Xuxa foi incluída no disco Karaokê da Xuxa (Globo Discos, 1987 – em versão instrumental) e na coletânea Xuxa Hits – Vol.1 (Globo Discos, 1997)



Peter Pan



Se hoje essa canção marca a infância de muitos baixinhos dos anos 80, ela provavelmente também traz uma referência infantil para a compositora Rita Lee.  A cantora nasceu em 1947 e quem viveu sua infância nos anos 50 vai se lembrar das aventuras de Mary Jane e Sniffles – ou na tradução brasileira: Laura Jane e Tiquinho. A garota tinha uma areia mágica que a fazia ficar pequenininha para poder viver suas aventuras com o amigo camundongo (Sniffles/Tiquinho) e como ela fazia isso? Jogava um punhado em sua cabeça e repetia os versos “areia da grossa, areia da fina, areia me faça ficar pequenina” – tradução que o poeta Bastos Tigre usou para a publicação no Brasil.


Na tradução brasileira, os versos mágicos de Mary Jane se tornaram
"Areia da grossa, areia da fina, areia me faça ficar feminina."

Parece que não há dúvidas sobre onde Rita Lee buscou inspiração para “Peter Pan”, não é mesmo? Até porque na história de Peter Pan não existe nada relacionado a areia mágica, no máximo, o pó de pirlimpimpim, que fazia as crianças voarem.


E por que Peter Pan e não outro personagem infantil? Uma princesa, por exemplo? Cerca de um ano antes do lançamento do disco, o Jornal O Globo revelou que um dos projetos de Xuxa era estrelar a peça de teatro Peter Pan, de Maurício Sherman, prevista para estrear no fim de 1986. Quem sabe a música não poderia ser aproveitada no espetáculo? Infelizmente o projeto não vingou e tal e qual a terra de Peter Pan, NUNCA saberemos.

Trecho de matéria publicada no jornal O Globo, em 12/08/1985


Garoto Problema



Único dueto do disco, a canção guarda um fato inédito na carreira fonográfica de Xuxa. Pela primeira – e única – vez uma faixa teve uma versão alternativa lançada comercialmente. A primeira tiragem do álbum (100 mil cópias) trouxe a 1ª versão de Garoto Problema, onde notamos uma diferença considerável nos vocais de Xuxa, principalmente no diálogo inicial da faixa.


A partir da segunda tiragem a faixa foi substituída pela versão que a maioria conhece e que foi lançada nas reedições em CD e distribuída nas plataformas digitais. Falando nisso, a faixa esteve ausente das versão digital do álbum por uns meses em razão de uma pendência entre a gravadora de Evandro e a Som Livre, o que posteriormente foi solucionado.



Composição de Frejat e Guto Goffi, Garoto Problema conta como um adolescente encarava as cobranças da família, que o levaram a fugir de casa até se dar conta que nem sempre as coisas parecem tão simples. Única música do álbum (cantada por Xuxa) que foge do lado lúdico ou pessoal da loira, onde Xuxa deixa de lado a tarefa  de entreter para dar um recado aos pais: “isso acontece nas melhores famílias, cuidado, você aí...”



Há quem diga que a canção teve clipe no Fantástico, mas até hoje nenhum vídeo ou foto foi divulgado. Nem o próprio Evandro Mesquita soube nos responder...




Meu Cãozinho Xuxo



O momento mais pessoal de Xuxa em todo o disco; aqui ela canta seu amor pelo seu cachorro mais famoso que, pouco depois, se tornaria personagem fixo da Turma da Xuxa. A faixa composta por Rogério Enoé e Messias Correa foi um pedido da própria Xuxa. Emocionalmente carregada, a letra dá a entender que Xuxo se foi e a loira sofre com sua ausência. Xuxo foi dado à Xuxa em 1982, teve filhos – Urso e Úrsula – e acompanhou sua dona por 12 anos. Sua saúde era frágil: diabético, ele também contraiu filariose, o que causou sua morte.


Para explicar o choro durante a gravação da música, Xuxa contou que imaginou como se sentiria se perdesse Xuxo naquele momento. O autor Rogério Enoé, em entrevista ao site XuCurious, revelou mais detalhes da gravação:


A única canção gravada pela Xuxa na qual ela chora, de verdade, é “Meu Cãozinho Xuxo”, pois ela ficou extremamente emocionada com a letra e a melodia. Aliás, quando apresentei a música a ela em sua casa, ela chorou muito, inclusive dizia que não conseguiria gravá-la, pois choraria a gravação inteira. Mas, do alto de seu profissionalismo, ainda chorando, ela conseguiu fazer uma excelente gravação.
Uma curiosidade que deve ser realçada é que Xuxo se fez presente no estúdio durante a gravação, e ele também chora, no mesmo momento que Xuxa.  Foi muito emocionante e curiosa a sintonia dos dois!

Meu Cãozinho Xuxo teve sua versão instrumental incluída no álbum Karaokê da Xuxa (Globo Discos, 1987)





She-Ra



Pela segunda vez, o universo de Xuxa se mistura ao de um personagem infantil pré-existente. Depois de Peter Pan, Xuxa encontra She-Ra, a irmã gêmea de He-Man. O desenho que era novidade no Brasil já dava sinais de sucesso e, seguindo a fórmula do Trem da Alegria - que interpretava a canção de He-Man, precisava de uma música-tema.



Os autores são Tavinho Paes, famoso por suas composições para o rock nacional dos anos 80, e Joe Euthanazia, roqueiro popular na mesma época. A origem da música é controversa:
Em 11/09/2013, em seu blog, o jornalista Ricardo Schott escreveu que o autor Tavinho Paes contou que She-ra não foi feita por encomenda e sim para a filha dele como presente de aniversário pelos seus 3 anos. Em contrapartida, a vocalista da Banda Metrô, Virginie Boutaud, em 04/10/2015, comentou num post sobre a  canção “...quando Joe me mostrou esta canção recém composta com Tavinho Paes para Xuxa no seu violão, eu simplesmente gamei, e ela grudou em mim como chiclete, fiquei cantarolando esta delicia para crianças muuuuito tempo, feliz da vida.



Virgínia era amiga de Joe; inclusive é dele a canção mais famosa do Metrô: Tudo Pode Mudar.

E agora? Dois autores com duas versões... Nossa opinião vai com Virginie, pois She-Ra era muito recente (começou a ser exibido pela Globo somente em maio/1986  revezando o horário com He-Man) para já ter atraído a atenção da menina a ponto do pai querer presenteá-la com a faixa e, além do mais, a Princesa do Poder não é o tipo de desenho que atrai crianças de três anos...
O post de Ricardo Schott conta ainda que Tavinho revelou uma curiosidade sobre a “demo” da música: "She-Ra foi idealizada para ser uma bossa nova. Foi toda composta com aquela batida, é só ralentar o roquinho final, deixar cair o andamento uns quatro compassos, que sai a original.
She-Ra foi incluída em sua versão instrumental no álbum Karaokê da Xuxa (Globo Discos , 1987).



Amiguinha Xuxa



Depois de Doce Mel, Amiguinha Xuxa é, sem dúvida, a principal faixa do disco. O tema da descida da nave ultrapassou anos e acompanhou a chegada de Xuxa diariamente até março de 90. Numa tentativa de renovar a canção, uma regravação foi feita e usada até janeiro de 1991. A nova versão era mais animada, mas não foi capaz de superar a original.



Rogério Enoé e Messias Corrêa repetem a parceria e se tornam os únicos a ter mais de uma composição no disco.  Xuxa já imaginava uma música alegre para sua entrada no programa e pediu a Enoé que fizesse a composição. Com a palavra, Rogèrio Enoé (em entrevista ao site XuCurious):

Fui convidado pela Xuxa pra ir até a sua casa no Jardim Botânico, onde ela me participou que estava se transferindo para a TV GLOBO,  e assim me pediu para compor o tema de abertura de seu novo programa, que seria diário e matinal.

Enquanto conversávamos sobre detalhes do novo programa, eu já construía os primeiros acordes de “Amiguinha Xuxa”, em um violão que ela me cedeu naquele momento.  Chegando em minha casa, continuei a compor e o último verso que fechou a letra e melodia foi “A FELICIDADE SE FANTASIOU DE AMOR”...

Retornei à sua casa, e lhe mostrei a canção: ela adorou, mas ainda precisava passar pela aprovação da produção do programa e da gravadora.
Passados exatos nove meses, nasceu “Amiguinha Xuxa”  interpretada pela própria Xuxa, que me convidou pra ir à sua casa,  para ouvi-la, o que me deixou muito emocionado, pois sua interpretação estava impecável.


Amiguinha Xuxa aparece ainda nos discos: Xuxa Hits – Vol.1 (Globo Discos, 1997); Xuxa Pérolas (Som Livre, 2000) e Xuxa 20 Anos (Som Livre, 2006).


Meu Cavalo Frankstein



Última música do álbum a ser gravada, Meu Cavalo Frankstein também foi um pedido de Xuxa, que queria uma música que falasse de um animal. Parceria de Márcio Lúcio de Freitas e Antônio Palladino, Frankstein fala de um cavalo com características bem curiosas. Baseado na canção, Reinaldo Waisman criou o personagem que apareceu no encarte e, em 1987, no Dicionário da Xuxa, porém, ao contrário dos outros personagens, Frank não foi mais aproveitado.



O próprio Márcio nos contou:

Essa canção é minha em parceria com Antônio Palladino. Ele que fez a letra, quando voltou do Rio de Janeiro, após uma reunião na Som Livre. A Xuxa queria gravar uma música falando de um animal. Todas as outras do disco já haviam sido gravadas. Então, no avião voltando do Rio, o Palladino fez a letra e me passou para fazer a melodia quando chegou a São Paulo. O personagem do cavalo foi criado à partir da canção e não o inverso. É isso aí.


Dezesseis anos depois, a música ganhou seu video-clipe no programa Xuxa No Mundo da Imaginação (Rede Globo). Frank foi redesenhado, mas não ficou muito diferente.





Quem Qué Pão



Guto Graça Mello, produtor musical do disco, contou ao site UOL que Quem Qué Pão foi composta por pela assessora de imprensa da Som Livre, Aretuza, em parceria com  J. Corrêa. Tuza – como aparece creditada no encarte - tinha criado a música como brincadeira para os filhos comerem. Se funcionava com os baixinhos de casa, por que não funcionaria com os baixinhos do Brasil inteiro? Quem Qué Pão reinou como a música-tema do café da manhã no programa e abriu caminho para suas derivadas: Rexeita da Xuxa (Xegundo Xou da Xuxa, 1987) e Xuxa Café (Xou da Xuxa Seis, 1991).


Quem Qué Pão também ganhou uma versão em espanhol  - Quiero Pan – que foi lançada no primeiro álbum  de Xuxa para o mercado latino.

O clipe da música só foi acontecer no programa Xuxa no Mundo da Imaginação, em 2003.

Quem Qué Pão também está no disco Xuxa 20 Anos (Som Livre, 2006) e foi regravada no XSPB 10 – Baixinhos, Bichinhos e + (Sony Music, 2010). 

Curiosidade: o verbo querer no título da canção é propositalmente escrito pelo seu fonema “qué”, porém na letra da música escrita no encarte, a grafia segue a forma correta – “quer”. Se acertaram no verbo infinitivo, erraram no adjetivo do pão: “gostozinho” aparece várias vezes.



Miragem Viagem



A versão de Ronaldo Bastos para a canção “Black Orchid” de Stevie Wonder encerra o álbum. A faixa é a única que não contém os vocais de Xuxa e traz a participação do Trem da Alegria. Embora todo o grupo seja creditado no encarte, somente a integrante Patrícia Marques (na época ainda não tinha alterado para Marx) canta.


A presença do Trem da Alegria – ou Patrícia, se preferirem – reforça a ideia de que Xou da Xuxa não era O disco da Xuxa e sim o disco DO programa Xou da Xuxa. Trem da Alegria era presença constante no programa, por isso deveria estar no álbum também.


Miragem Viagem - gravada anteriormente por Gal Costa, mas não lançada -  já foi assunto de um post especial aqui no Xuper Blog (veja aqui), quando Patrícia anunciou que tinha planos de regravar a canção num EP comemorativo. O projeto não vingou e a cantora partiu para outros projetos.


Menino, menina que sabe o que quer...

Xou da Xuxa inicialmente foi lançado em apenas dois formatos: LP e K7. O vinil trazia um encarte primoroso cheio de desenhos de Reinaldo Waisman que ilustravam cada faixa do disco.


A versão em K7 foi bem mais modesta, a contracapa trazia somente o nome das músicas e seus autores sem qualquer ilustração, mas isso nem é a ausência mais sentida... Repararam que não existe o beijinho com o autógrafo da Xuxa?


No dia 02/08/1986, Xuxa fez um show especial no Playcenter (SP) para lançar o disco. A Som Livre veiculou no jornal O Globo um anúncio do disco em meados de agosto de 1986.



Em 1988, dado o gigantesco sucesso do álbum Xou da Xuxa 3, a Som Livre relançou os álbuns Xou da Xuxa e Xegundo Xou da Xuxa em vinil, repondo o estoque das lojas. No relançamento o disco de 1986 ganhou nova numeração de catálogo.



Além disso, apenas o lugar do logotipo da gravadora foi alterado e a informação “também em cassete” foi suprimida, já que não houve esse tipo de relançamento.


Tiragem de 1986

Tiragem de 1988


Em abril de 1989, o disco foi parar na “terrinha”. Era a vez dos baixinhos portugueses conferirem as músicas da Loira. A distribuição ficou a cargo da CBS e o LP - na edição promocional - acompanhava um release, que traçava uma microbiografia de Xuxa com ênfase no seu “toque de Midas”.  No final, o texto deixava claro que Xuxa tinha mais um lugar para conquistar:


Agora, já com três LPs gravados, Xuxa e o seu “Xou da Xuxa”chegam a Portugal e preparam-se para angariar um estrondoso sucesso, a exemplo do que sucede no País Além-Atlântico


Edição portuguesa, lançada em 5/04/1989 (Foto de Diego Alexandre)

Em 1995, o disco ganhou sua primeira versão em CD. Com o formato se consolidando no país e às vésperas da comemoração dos dez anos de Xuxa na Globo, já era hora da loira ter toda sua discografia na Som Livre lançada em CD. Bem, quase toda discografia. O álbum Karaokê da Xuxa não foi incluído nessa lista e a solução foi dividir as músicas inéditas do projeto entre o CD do Xou da Xuxa e o CD do Xegundo Xou da Xuxa e assim a Som Livre conseguiu quebrar todo o conceito do 1º álbum da era Xou da Xuxa.


A inclusão de Parabéns da Xuxa e Papai Noel dos Baixinhos, da forma como foi feita, cortou toda a concepção de disco-tema do Xou. Além de serem músicas de outra época (1987), acabou-se o prazer de por o disco para tocar e já ouvir os clássicos acordes de Doce Mel, afinal Parabéns da Xuxa havia tomado o posto de faixa n.1. Claro que é melhor ter as faixas inéditas lançadas do que não as ter, mas que fossem incluídas ao final como “faixas-bônus”


Foram feitas mais 3 relançamentos em CD: 1997, 2006 e 2013. Em nenhuma reedição em CD o encarte original foi reproduzido. Já a contracapa que compilava várias imagens de Xuxa apresentando o programa (incluindo foto do programa piloto que nunca foi ao ar) só foi recriada na versão cardsleeve do Box Xou da Xuxa de 2013.


Mas não tinha pinta de bocó...
Como já adiantamos no nosso “faixa a faixa”, Garoto Problema teve uma versão alternativa que só saiu na primeira tiragem do LP. Foram 100 mil cópias e muitas podem estar dando sopa em algum sebo qualquer. Caso você se interesse por uma dessas, vamos ensinar a diferenciar essa tiragem das demais. A diferença está no rótulo do vinil! Na primeira tiragem não há a inclusão do tempo de duração das músicas e o símbolo da CBS se localiza na parte debaixo (imagine um relógio, o símbolo estará onde fica o número 6). Pronto, já sabem o que fazer.






Vai arrepiar, vai estourar a boca do balão...
Xou da Xuxa vendeu 2.689.000 cópias. Um estouro! Graças a ele, Xuxa passou Roberto Carlos e ocupou o posto de maior vendedora de discos do Brasil. A modesta primeira tiragem de 100 mil cópias acabou em uma semana, veio outra de 250 mil, e outra e mais outra...


"Em uma semana, foram cem mil discos vendidos. Tiveram que fazer um disco de ouro e entregar para a Xuxa. Uma semana depois, 250 mil, e foi em progressão geométrica. Quando chegou em 2,5 milhões, o João já estava de saco cheio, porque tinha que parar a fábrica, e falou: 'Ou a gente faz disco para vender --e não parava de vender-- ou disco-prêmio'. Daí eu disse: 'Inventa um disco de diamante. Faça um disco como se fosse de platina, bota um diamantezinho e dá para sua artista'. Foi a primeira vez que teve esse negócio de disco de diamante" (Guto Graça Mello, em matéria do UOL)

Matéria publicada no jornal O Globo em 08/11/1986

No Brasil, naquela época, para se ganhar um disco de ouro seria necessário vender 100 cópias, para um de platina, 250 mil. Diamante, graças ao desempenho do Xou da Xuxa, passou a representar vendas acima de 1 milhão. Mais um quesito em que Xuxa foi pioneira: o primeiro disco de diamante do Brasil. No programa de Natal de 1986, Xuxa recebeu 8 discos de platina pelas vendas das duas  milhões de cópias



As premiações não vieram só da própria gravadora. O álbum ganhou o prêmio de Melhor Disco Infantil de 1986, em premiação da Rádio Globo e ficou 43 semanas na lista dos mais vendidos do NOPEM (antigo registro utilizado para catalogar o desempenho comercial dos discos).

Notinha publicada no jornal O Globo, em 18 de junho 1987

Cintilante como agora...
Se o disco de maior sucesso de Xuxa é o Xou da Xuxa 3, a capa mais comentada é a do “primeiro” Xou da Xuxa. A clássica pose de Xuxa se tornou uma referência para uma geração. Em 2011, um tumblr – Xuxa is all around - chegou a ser criado para compilar fotos de pessoas imitando a pose da capa.



E pensar que a foto nem foi pensada como capa do disco... Nas palavras da própria Xuxa:
“Em cima da hora, decidiram fazer um álbum inteiro, mas tudo foi na correria, não tive produção pra fazer fotos. Muita gente acha que essa foto foi feita especialmente para o álbum “Xou da Xuxa”, mas não foi, tive que pegar uma que já existia.”


A foto pertence a um dos books que a loura fez para a agência americana Ford Models, da qual Xuxa era contratada como modelo desde 1984. Assim explica-se o visual completamente diferente do que Xuxa usava no programa. Apenas mais uma foto desse ensaio foi divulgada até hoje e, infelizmente, em baixíssima resolução.





Em 2011, Xuxa foi convidada pelo Jornal Extra a recriar uma foto “clássica” de sua trajetória na Globo que completava 25 anos. Xuxa não pensou duas vezes e escolheu a capa do disco. Tudo foi recriado: o aplique de cabelo, a blusa rosa, a estampa da calça, brincos...



A recriação fez tanto sucesso que foi replicada por toda a imprensa e ganhou sua coroação quando foi eleita, dois anos depois, como a foto mais indicada para estampar o Box Xou da Xuxa (Som Livre), que juntava os sete discos do Xou e um CD de músicas inéditas numa caixinha.



O que faz eterna primavera...
São 30 anos de um álbum que marcou gerações; um álbum que começou desacreditado e mesmo assim tirou de Roberto Carlos, o posto de maior vendedor de discos do país; um álbum de uma modelo que deu certo como apresentadora, mas nunca quis ser cantora; um álbum que refletia a atmosfera do programa infantil de maior repercussão na TV brasileira (até hoje); não só um álbum, O álbum.

Os baixinhos não querem uma grande voz, mas apenas quem cante para eles
(Xuxa  - Veja, 26.08.1987)




Comentários
10 Comentários

10 comentários:

µЙ∂M™ disse...

Linda resenha amei amei posta dos outros álbuns do XOu tmbm 😍

Vakinha cintilante maravilha disse...

Apaixonante, parabéns meu amigo pelo trabalho

Kildare Sena disse...

Na primeira tiragem não há a inclusão do tempo de duração das músicas e o símbolo da RGE se localiza na parte debaixo

Na verdade, o símbolo é da CBS, hoje Sony Music

Unknown disse...

Muito bom p texto! Parabéns!

Unknown disse...

A foto que mostra que o disco era versao de 1988 ta errada... essa é a versão de tiragem de 1995, pois os dizeres "FABRICADO E DISTRIBUIDO POR VIDEOLAR DA AMAZÔNIA S/A" é dos discos fabricados de 93 a 95. O Correto da segunda tiragem feita em 1988 tem que estar escrito "FABRICADO E DISTRIBUIDO POR BMG ARIOLA Discos Ltda"

Ricardo Becker Maçaneiro disse...

Muito bom o texto.
Sobre as tiragens dos lp's da CBS é interessante perceber que entre a primeira e a segunda tiragem a CBS deu uma repaginada na aparência dos seus discos. Mudou todo o rótulo desde a forma de escrita até a posição do logo da CBS e o próporio formato. No rótulo passou a haver um declive.
Não sei se foi o caso, mas, em 1986 houve falta de matéria prima (vinil) para a fabricação de discos no Brasil, o que exigiu importação e atrasou um pouco a favbricação. Isso pode ter ocorrido com o Xou da Xuxa. Até porque para mudarem a versão de Garoto Problema tiveram que refazer a matriz do álbum e isso deve ter dado um bom espaçamento de tempo entre a primeira e a segunda tiragem do Xou da Xuxa.

Matheus Santos disse...

Eita disco épico!
Relmente eu amava essa capa e essa pose, mesmo não tendo esse disco em minha coleção quando criança, posso dizer que ele marcou a minha fase "baixinho".
Quanto a resenha, nem preciso dizer o "Xou" que vocês sâo.

cami f disse...

Que post magnifico!

Ismael Caetano disse...

Lindo amei... sempre curti a xuxa des do 1 album e li informacoes aqui que eu fiquei encantado... hoje tenho toda colecao do xou em lp... e a poucos dias dive a sorte de encontrar em um sebo o Lp raro, ao retirar o disco pra ver se estava muito arranhado, percebi que tinha algo diferente no logotipo da som livre um azul mais forte e vi que as faixas n tinham o tempo da musica na hora estranhei, comprei por um preco risole ai ao colocar no meu tocar discos ouvi do inicio ai na faixa garoto problema percebi a voz bem diferente da xuxa.... Parabens pelo post ficou de excelencia

Gleizer Schroder disse...

Não tinha visto esse artigo no Blog e sem querer, acabei comprando justamente essa primeira tiragem!
A qualidade do áudio dizem ser melhor que as demais tiragens mas eu prefiro a outra versão de Garoto Problema. :(

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