domingo, 20 de novembro de 2016

Os (quase) 30 anos de Xuxa em “Os Trapalhões e o Rei do Futebol”

Por: Jamur

A parceria de Xuxa com os Trapalhões é longa e sólida. Amiga de Renato Aragão até hoje, a primeira aparição da Rainha com os humoristas foi em 1981, numa figuração no programa da Rede Globo. Já a primeira aparição nos cinemas ao lado do humorista aconteceu em 1983, na qual Xuxa fez o par romântico de Didi na última cena de “O Trapalhão na Arca de Nóé”.


Capa da revista Manchete, publicada em 24/12/1983, com reportagem sobre o filme
"O Trapalhão na Arca de Noé"

Foto publicada na revista Manchete de 24/12/1983
Apesar de ter entrado muda e saído calada, Xuxa acabou conquistando a simpatia de Renato, que a convidou para o seu filme seguinte, que marcou a reconciliação do quarteto, após seis meses de separação: “Os Trapalhões e o Mágico de Oróz” (1984). Nesse filme, Xuxa interpretou uma professora chamada Ana, e, ao contrário do filme anterior, nesse ela teve certo destaque. 


Não demorou para que Xuxa co-protagonizasse um filme dos Trapalhões e isso já aconteceu no ano seguinte em “Os Trapalhões no Reino da Fantasia” (1985). Nesse longa, além do seu tempo de tela ter sido o mesmo dos demais Trapalhões, a loira virou praticamente uma quinta “trapalhona”, participando de praticamente todas as cenas de ação típicas dos filmes do quarteto, como escalar muros e entrar em diligências em movimento.


E é justamente com relação aos bastidores desse filme que, enfim, começamos a entrar no tema central dessa publicação. Nesse ano foi publicado pela Editora Laços o livro “O cinema dos Trapalhões – Por quem fez e por quem viu”. Ele conta com uma série de depoimentos, coletados por Rafael Spaca, de pessoas que participaram dos filmes, tanto a frente, quanto atrás das câmeras. 

Rafael Sparca no lançamento do livro de sua autoria, "O Cinema dos Trapalhões -
Por quem Fez e por Quem Viu"

Na entrevista concedida por Teresa Prata, que foi continuísta e assistente de montagem de diversos filmes dos Trapalhões, ela conta uma curiosidade sobre o relacionamento de Xuxa com Pelé. “Os Trapalhões no Reino da Fantasia” foi filmado boa parte em Santa Catarina, na área onde hoje é o Parque Beto Carreiro World. Por conta disso, Xuxa e toda a equipe ficaram hospedadas em um hotel de Camboriú.



Mas, na época, as tecnologias de comunicação ainda eram precárias. Não existia celulares e nem internet comercial. Com isso, o hotel onde a Rainha estava só possuía uma linha telefônica. Porém isso não impedia que o casal de namorados se falasse diariamente. Segundo Teresa, todos os dias, ao final das filmagens, eles se falavam durante 1 hora e meia. Em um dos dias, Xuxa foi correndo atender ao telefone na cabine que ficava na recepção do hotel e levou um tombo. De acordo com Teresa, somente após terminar a sua conversa com Pelé que Xuxa se deu conta que tinha ralado uma de suas pernas de maneira bem feia.


A Rainha relembrou essa mesma história no quadro Papo X, do TV Xuxa, exibido em 30/05/2009:




Finalmente chegamos ao ano de 1986. Ano decisivo na carreira de Xuxa, que resultou em algo histórico para a televisão brasileira, que dispensa apresentações. Em paralelo, Os Trapalhões estavam preparando o seu tradicional longa metragem para as férias de inverno: “Os Trapalhões e o Rei do Futebol”. Desta vez, Renato Aragão realizaria o seu sonho de ter na direção Carlos Manga, que dirigiu diversas chanchadas da Atlântida, protagonizadas por Oscarito e Grand´Otelo, os maiores ídolos de Renato. E a vontade era de também manter a tão bem sucedida parceria com Xuxa, ainda mais que o filme teria a presença de seu namorado, Pelé. Porém, ela não participou do filme.



Qual teria sido o motivo da desistência? De acordo com o mesmo depoimento de Teresa Prata para o livro de Rafael Spaca, Xuxa estaria insatisfeita com o papel. E, após a saída da loira, o roteiro do filme teve que ser um pouco mudado. Já a justificativa oficial dada pela Rainha, na matéria publicada pela Folha de São Paulo de 26/06/1986, é que ela não participou do filme pois a sua agenda estava lotada.


Quem interpretou a personagem de Xuxa foi a sua amiga Luiza Brunet.


A justificativa da Xuxa é plausível. As filmagens do filme se estenderam até meados de abril/1986, época em que a loira estava totalmente imersa no planejamento do Xou da Xuxa. O filme acabou sendo lançado 4 dias antes da estreia do programa.

Xuxa, em 1986, meses antes de estrear o "Xou"

Infelizmente, não há informações de como seria a personagem na primeira versão do roteiro. Mas na versão definitiva do filme, Luiza Brunet interpreta Aninha, dona da lancheria da sede do “Independência Futebol Clube”. Aninha se apaixona pelo técnico do time, Cardeal (Renato Aragão), que estava se candidatando a presidência do clube, para o desespero do presidente atual, interpretado por José Lewgoy.  Para fazer Cardeal desistir da ideia, Aninha é sequestrada por seus capangas. Mas, claro que ela acaba sendo salva e tudo termina bem. Curiosamente, a personagem da Luiza praticamente não troca palavras com o personagem do Pelé. Será que seria diferente com a Xuxa no elenco?


Se não rolaram as comemorações dos 30 anos de Xuxa no filme “Os Trapalhões e o Rei do Futebol”, em breve aqui no blog haverá postagens sobre dois filmes que estão fazendo aniversários “redondos” nesse ano: “Xuxa e os Duendes” (2001) e “Xuxa Gêmeas” (2006). Aguardem!
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