segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Ei, psiu, Ivete é Grande Rio, mas Xuxa é do Brasil

Por: Leandro Franco

Na noite de domingo (26/02), a Marquês de Sapucaí se transformou num dos circuitos do Carnaval de Salvador. A Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio trouxe para a avenida a história da musa baiana Ivete Sangalo.

O enredo “Ivete, do rio ao Rio” mostrou toda a trajetória da cantora desde sua infância em Juazeiro/BA até sua consagração como ídolo nacional da música. Todas as referências estiveram presentes: o Rio São Francisco e suas carrancas, as baianas, as músicas de sucesso, os shows e, claro, as pessoas importantes de sua vida.


A Grande Rio não enrolou e já na comissão de frente convocou sua homenageada para mostrar que a diversão começava ali mesmo. Numa rápida coreografia, os barquinhos do rio São Francisco davam lugar ao palco onde a estrela de Ivete brilha.

Ivete atuando na Comissão de Frente da escola

Ivete: a Eva de Xuxa
A estrela de Ivete já brilhava antes da carreira solo; ela foi vocalista da Banda Eva entre os anos de 1993 e 1998. Foi nesse período que Ivete conheceu Xuxa. Em 1995, Ivete se apresentou pela primeira vez num programa da loira: o Xuxa Hits. Na época, Xuxa achava que Ivete se chamava “Eva” por conta do nome da banda. O sucesso estava chegando e a música “Alô Paixão”(1994) estava entre as mais tocadas nas rádios. Paralelamente a amizade entre as duas crescia na mesma proporção.



A grande “pequena Eva”
Em 1997, a banda decidiu regravar o sucesso “Eva”, de 1983, da banda Rádio Táxi. A regravação foi tão acertada que a música acabou se tornando referência para o grupo baiano. Uma canção totalmente fora dos padrões que Ivete cantava, uma mistura da origem do mundo com o apocalipse. É bom lembrar que a música original é do italiano Umberto Tozzi e foi lançada em 1982.



Xuxa: a Eva de Ivete
Ivete não hesitou em convidar Xuxa para estar presente no desfile e como convite feito é convite aceito – pelo menos quando se trata de Xuxa e Ivete – nossa loura foi convidada a assumir o papel de Eva na avenida. A partir daí foi só expectativa, Xuxa deu diversas entrevistas contando que seria uma Eva futurista – “toda tapada” – que viria no carro da “última astronave”, em referência aos versos da canção (veja a partir do minuto 15:03 do vídeo abaixo).




A fantasia
A fantasia foi uma criação de Michelly X, estilista já conhecida da Grande Rio. Em 2013, por exemplo, ela foi responsável por 15 fantasias, entre elas as de Bruna Marquezine, Susana Vieira e Christiane Torloni. No universo de Xuxa, Michelle começou fazendo as roupas das modelos para o Monange Dream Fashion Tour (2011) e atingiu seu maior objetivo em 2016, quando fez alguns figurinos de Xuxa para o Xuchá.

“Eu tinha um grupo de dança, e a gente imitava as paquitas. Comecei a costurar as roupas para o grupo, e todo mundo elogiava dizendo que eram perfeitas. A própria Xuxa, aliás, já elogiou em uma apresentação que fizemos em seu programa. Comecei a costurar e não parei mais. Acho que agora, depois de tantas estrelas, só falta costurar para ela”  (Declaração de Michelly X ao site Ego, em janeiro de 2013)

Michelly X: do sonho de paquita à estilista da Rainha

Com tanto carinho e admiração pela loira não se podia esperar uma fantasia menos que especial.
Já na chegada à concentração da Escola, Xuxa deu um aperitivo do que estava por vir: as botas prateadas anunciavam que a partir dali a expressão popular “vestida de Eva” ganharia um novo significado.

Xuxa: comoção mesmo antes do desfile

A curiosidade sobre o visual de Xuxa só aumentava a medida que a imprensa liberava fotos e vídeos dos bastidores, até que a própria “Eva” resolveu postar uma foto com o seu “Adão”.

"Me abraça pelo espaço de um instante..."

Somente quando Xuxa foi apara o carro alegórico é que todos puderam ver que além do corselete metalizado, havia também um adorno para os ombros. Xuxa virou uma autêntica Eva com pinta de gladiadora/amazona futurista.

Xuxa, uma Rainha "sobre o Rio, Beirute ou Madagascar..."

E não é que Xuxa tinha exagerado nas suas declarações? A fantasia não era tão tampada assim; era suficiente para mostrar que aos 53 anos, Xuxa deixa muita moça comendo poeira.

A Eva de Michelly X em croqui do fashion designer Leonardo Borges 


O Carro
Chamado de “Astronave Rumo ao Infinito”, o carro foi a quarta alegoria na passarela. Como o próprio nome já diz, ele representou a parte do enredo que diz: “com a Eva encantei toda cidade, no trio arrastei as multidões / canto a minha verdade, africanidade, mistura de emoções”.


Na frente da astronave o timbaleiro high-tech; nas laterais as referências à africanidade e na parte traseira os foguetes que impulsionaram a nave da pequena Eva "além do infinito"

A nave levou os ritmos do axé a todo canto do Brasil numa propulsão incrível. Nas palavras de Ivete: “a nave da pequena Eva cruzou os céus do Brasil levando o ritmo do axe music além do infinito, consolidando-se como um gênero musical poderoso. Na virada do milênio mais uma vez o destino me desafiava, da astronave reluzente pulei para pilotar minha carreira solo!”



"O nosso amor na última astronave..."
Xuxa, mais uma vez, no imaginário do povo comanda uma nave “rumo ao infinito”.  Somos suspeitos, nós sabemos, mas não há como negar que foi uma sacada e tanto de Ivete e da Grande Rio.

EVA!!!

A transmissão
Como de costume, a transmissão do Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio é feita pela Rede Globo. Este ano a emissora escalou Fátima Bernardes e Alex Escobar para conduzirem a transmissão, enquanto os comentários “técnicos” ficaram a cargo do carnavalesco Milton Cunha e do compositor Pretinho da Serrinha.

Escobar é estreante na função dentro do grupo especial, mas tanto ele quanto Fátima e os dois comentaristas já têm tantas horas de carnaval quanto Ivete tem de axé, entretanto isso não foi suficiente para impedir um dos momentos mais constrangedores da transmissão.

O G1 entrevistou, mas a Globo pouco mostrou

Óbvio que a participação de Xuxa era um dos momentos mais esperados do desfile, até pelo fato da homenageada da noite  já ter cruzado toda  a  avenida na comissão de frente  e  ter  sido filmada  já  a postos no último carro;  isso depois que  Fátima contou a todos que Ivete  voltaria no final  do desfile, ou seja, o elemento “surpresa” para Ivete era zero àquela altura.




Outro fator: a importância do carro em que Xuxa estava: o carro da Banda Eva, o grupo que projetou a baiana ao sucesso e do qual sua história nunca poderá se dissociar.  Ainda há um fator, que podemos chamar literalmente de fator X: Xuxa não é mais contratada da Rede Globo há 2 anos e a Globo não é de dar muita exposição para quem não é do seu casting. Compreensível, até aqui.

Quando a câmera focalizou Xuxa, Fátima Bernardes até se engasgou para falar um tímido “Xiu-xa” (isso mesmo: “XIU-XA”) e acabou! Nem o nome da fantasia tiveram coragem de falar, isso porque ela era a EVA, gente... a EVA!

Xuxa na transmissão da Globo: 9 segundos mostrados num desfile de 1h30min

"Ah, isso aconteceu porque ela é de outra emissora agora..” - dirão alguns. Nada disso! Paloma Bernardi – atriz contratada da Record – apareceu tempo suficiente para falarem o nome dela, dizer que era madrinha da bateria e o Milton Cunha ainda explicar que a fantasia dela era composta por “um macaquinho segunda-pele bordado com faisões negros; uma fantasia enooorme para madrinha de bateria”. Entenderam a diferença?

Xuxa visita a Paloma Bernardi antes do desfile - colegas com tratamento diferente

E o que dizer de Luciana Gimenez, apresentadora da Rede TV, que também apareceu, sambou e foi citada na maior tranquilidade como se fosse prata da casa. Sem contar, todas as menções a outros destaques da escola, mas desconhecidos do grande público.
A impressão que se tem é que existe um bloqueio - ou coisa assim - que transforma Xuxa naquela que não deve ser mencionada dentro da emissora.


Tem explicação uma coisa dessas? Querer ignorar Xuxa num momento como aquele é como querer tapar o sol com a peneira... literalmente! Não é, Fátima?


"Manda quem pode, obedece quem tem filho pra criar"... E são três, gente!


ATUALIZAÇÃO 28/02
Hoje, a coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha de São Paulo publicou uma pequena entrevista com Xuxa, feita pouco antes do desfile. Xuxa se mostra tranquila quanto à possibilidade da Rede Globo a ignorar durante a transmissão:




Você viu? Xuxa na União do Parque Curicica
Não foi só a Grande Rio que trouxe Xuxa novamente para a avenida em 2017. A Escola de Samba União do Parque Curicica, que desfila pelo Grupo de Acesso A, também mostrou que a loira continua sendo também Rainha na Sapucaí.

Na noite de 24/02, a escola apresentou o enredo “O Importante É Ser Feliz e Mais Nada!” onde as recordações – o nosso baú de memórias – determinam aquilo que vamos ser no futuro.

Dizem que quem vive de passado é museu. Mas é inegável que o que somos agora é fruto da construção do agora de ontem. Fazemos nosso tempo na medida em que aprendemos com nosso passado e assim construímos o futuro. E aí, entendemos quem realmente somos. No balanço das horas tudo pode mudar.


Como falar de memórias felizes da infância sem mencionar Xuxa? Não tem como... A sinopse do enredo deixa isso claro:

E falando em recordações, me diga sem pestanejar. Qual foi a menina que nunca sonhou em ser assistente de uma rainha? Era o sonho de onze em cada dez. E como já disseram um dia. O sonho sempre vem pra quem sonhar. Basta acreditar. E seguindo assim, conto nos dedinhos a hora da nave espacial aterrissar para me dar bom dia.  
(Trecho da sinopse de Raphael Homem, Leandro Mourão e Vitor Mourão)

Dezenas de Pituxonas e Catuxonas na ala da Curicica

Uma bela homenagem! Na avenida teve até a nave da Xuxa e uma ala inteira de Paquitas!
Sabem o mais interessante? A comentarista da Globo para os desfiles do Grupo de Acesso, Mariana Gross, até comentou do seu sonho de ser Paquita enquanto a ala era (bem) focalizada. Já a nave não teve a mesma sorte, foi totalmente ignorada pelos comentaristas e também pela equipe de filmagem, mas vamos dar um desconto: ela estava posicionada na parte traseira de um dos maiores carros.

A nave - protegida pelas chacretes - acabou esquecida na transmissão


Além do infinito eu vou voar...
Mais um carnaval para a memória dos fãs da Rainha. Ao ser perguntada pelo Jornal O GLOBO sobre como era voltar à Sapucaí, Xuxa foi objetiva: “só quero levar energia boa para Ivete”. Definitivamente não foi só para ela, Xuxa, não foi...




“Ei, psiu, Ivete é Grande Rio, mas a Xuxa é do Brasil”



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Vídeo Exclusivo: Xuxa e suas historietas - 1 (1985)

Em 1985, Xuxa foi a estrela de uma microssérie de quadros que transformava os contos de fadas em crônicas modernas. Uma atração mais voltada aos adultos que aos baixinhos do Clube. Ficou curioso? Dá o play:





Lembram?

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Os 25 anos da "Unidos do Cabuxu"

Por: Leandro Franco

“A Rainha e sua corte no carnaval, beijinhos, beijinhos...”25 anos esses versos levaram a Marquês de Sapucaí ao delírio durante o desfile das Escolas de Samba do Grupo de Acesso. Em 1992, a Unidos do Cabuçu homenageou Xuxa, contando sua história para toda a Passarela do Samba.

Xuxa: Rainha no Palácio de Cristal do Planeta Cabuçu

Foi a segunda vez que Xuxa inspirou um tema de samba enredo, mas a primeira numa escola de samba. Em 1989, o samba enredo “A Festa da Xuxa, a Rainha dos Baixinhos” garantiu o segundo lugar ao bloco carioca Unidos do Cabral. O ano de 1992 veio se igualar ao de 1989 no número de participações/referências a Xuxa dentro do universo do samba. Se em 89 tivemos Xuxa desfilando pela Tradição, pela Beija-Flor e sendo tema do samba enredo do bloco já citado; em 92 tivemos Xuxa desfilando pela Beija-Flor, sendo lembrada no desfile da Tom Maior (Carnaval de São Paulo) e ainda reinando como tema da Unidos do Cabuçu.

Em 1992, a Escola de Samba Tom Maior (SP)  levou a TV para a avenida e claro que o Xou da Xuxa tinha que ser o representante dos programas infantis. Xuxa não foi, mas a nave sim.


Unidos do Cabuçu no mundo de Xuxa
A escola de samba, com sede em Lins de Vasconcelos, no Rio de janeiro, ficou famosa pelos seus sambas-enredo em homenagem às personalidades vivas da TV e cultura: Beth Carvalho, Roberto Carlos, Os Trapalhões, Milton Nascimento, Adolpho Bloch. Claro que Xuxa não poderia estar fora dessa lista.

Beth Carvalho (1984), Roberto Carlos (1987)  e Os Trapalhões (1988): homenageados da Cabuçu

Em 1991, a Cabuçu anunciou que a homenageada para o ano seguinte seria Xuxa. O convite para o desfile partiu da então presidente da escola, Therezinha Monte e foi logo aceito pela loira. A partir daí, a Unidos do Cabuçu experimentou o que era estar dentro do grandioso universo de Xuxa. Homenagear personalidades não era novidade, mas nenhuma delas tinha o poder de virar notícia tão rápido. Além das participações no programa matinal da loira na Rede Globo, a escola ainda foi levada para o “Show de Xuxa”, na Argentina.



Jornais e revistas noticiavam com destaque a ligação da escola com Xuxa.
Xuxa marcou presença no aniversário de 46 anos da Escola, visitando a quadra e dançando o samba enredo no final de 1991. Era hora de começar a esquentar os tamborins para o momento oficial.

Na quadra da Escola, Xuxa canta o samba em companhia do puxador Di Miguel

Matérias sobre os desfiles do Grupo I existem desde sempre, mas no ano de Xuxa, as atenções voltaram-se para ela e consequentemente para a Cabuçu. O jornal O GLOBO deixou isso bem claro:

Momo destronado por rainha loura
Momo que a perdoe, mas quando a Unidos do cabuçu surgir na Marquês de Sapucaí, o cetro e a coroa passarão às mãos de uma rainha loura, de olhos azuis e corpo esbelto. Xuxa será homenageada com o enredo "Xuxa, a realidade vira sonho no xou da Cabuxu".

A própria escola sabia disso e naquele ano a Cabuçu virou a Cabuxu ou Cabuxuxa, se preferirem.


Xuxa no mundo da Unidos do Cabuçu

O enredo
Criação de Paulo Afonso de Lima com colaboração de Mara Alves, o enredo “Xuxa, a realidade vira sonho no Xou da Cabuçu” apresentou a história de Xuxa como um conto de fadas do ponto de vista dos contadores de história da época medieval.

Paulo fez uma apresentação (bem) rebuscada do enredo:

A filosofia do nosso enredo está totalmente apoiada numa visão conceitual de conto de fadas. Ao se transpor à passarela do samba a vida de Maria da Graça Xuxa Meneghel a "nossa rainha", a realidade que se transforma, ou seja, a visão de um contador de histórias teria ao transpor para uma linguagem de literatura dirigida a infância, a biografia de um personagem do século XX, nos parece é a característica principal de todo desenvolvimento do enredo.

Na verdade, analisada de um ponto de vista puramente literário, a vida de Maria da Graça Xuxa Meneghel tem todas as tramas, evoluções, princípios, meio e fim, "ou melhor dizendo o resultado" do autentico clássico da literatura infantil. Essa curiosa e encantadora característica nos permitirá ampliar, sob o ponto de vista de infância, a realidade.

Dos eventos típicos desta possibilidade são as partes do enredo que focalizam a infância, a fase de modelo de nossa homenageada e seu mundo do sucesso.

Nunca se viu tanta criança num ensaio de Escola de Samba


O samba-enredo
Composição de João Ferreira ,Orlando Negão, Sereno e Robertinho da Matriz, o samba da Cabuçu tem um refrão marcante, daqueles que você se pega cantando sem nem saber porquê.
Como já foi dito, o trilho é como um contador de histórias transportaria para a era medieval a história da rainha Xuxa e seus súditos.



A ideia é bastante interessante e bem executada, mas existe um pequeno deslize: se é a visão medieval com todas as figuras típicas desses contos: rei, rainha, dragão, criaturas mágicas (botos e moderninhos), a corte, os súditos... como explicar a nave? Ok, a nave é tão indissociável de Xuxa quanto o Ilariê, mas não seria mais fiel algo como “sua carruagem de ilusões”? Até porque não há nenhuma nave nas alegorias do desfile, mas já vamos falar disso.

As referências da letra são claras e vão de personagens às canções de Xuxa:
1.      Boto Rosa” – alusão à canção homônima lançada em 1990,
2.      Moderninhos” – o famoso boneco de espuma falante dos sorteios do Xou da Xuxa;
3.      Baixo Astral” – o inesquecível vilão do filme Super Xuxa contra Baixo Astral (1988);
4.      A vida é um doce” – verso de Doce Mel, primeiro sucesso de Xuxa em 1986;
5.      A lua é de cristal” – referência dupla: canção e filme “Lua de Cristal” de 1990
6.      Ilariê, Ilariê no Carnaval” – dispensa comentários, mas o mais interessante é que esse foi um pedido de Xuxa: “logo comecei a viajar no enredo e achei genial, pois justamente o que idealizei foi o que a escola pensou e, entre as minhas sugestões, pedi que a palavra “ilariê” estivesse no samba-enredo” – contou a loira ao jornal O Globo, em 23/02/1992.
7.      Beijinhos, beijinhos, tchau, tchau, tchau” – quem não conhece o bordão clássico de Xuxa?



O desfile
A Unidos do Cabuçu foi a 11ª escola a desfilar na passarela do Samba no dia 29/02/1992 e trouxe seus 3 mil integrantes divididos em 24 alas e 5 carros alegóricos. O desfile se dividia em cinco momentos.
Nota do blog: As partes em negrito após os títulos se referem à sinopse original escrita pelo carnavalesco Paulo Afonso de Lima.

A Cabuçu reverencia a majestade e se apresenta como Cabuxu, Cabuxuxa e Cabuxou


1.    Era Uma Vez... CabuXuxa
Contadores de estória contam através dos tempos a imortalidade vários personagens infantis que se fazem presentes no cortejo do sonho da mais nova lenda que ao lado deles já ganhou no mundo da infância o seu lugar.
A Comissão de Frente era composta por 13 integrantes que representavam os contadores de histórias da época medieval no Reino da Fantasia. Os mais atentos vão perceber que a paleta de cores remete ao Arco-Íris – sucesso musical de Xuxa de 1988: “toda cor tem em si, uma luz, uma certa magia”.

Comissão de frente: contadores medievais de histórias com as cores do arco íris

No Carro Abre-Alas – HISTÓRIAS INFANTIS – ergue-se o Castelo dos contos infantis. Lá estão personagens clássicos: o Príncipe (o ator Flávio Silvino), Branca de Neve (Angel Mattos), Cinderela (a ex-Paquita Andrea Veiga), e também personagens do mundo de Xuxa: a tartaruga Praga e o contrarregra Russo. 


Os saudosos Russo e Praga no carro abre-alas

A presença de Dengue foi noticiada, mas em momento algum das transmissões televisivas o personagem aparece. Nas laterais flâmulas já mostram que a escola se rendeu ao encanto da homenageada: ao invés de Cabuçu está escrito Cabuxuxa, Cabuxu e Cabuxou.

Flávio Silvino, Andrea Veiga e Angel: fantasias pouco inspiradas

Segue-se uma ala composta totalmente por casais de mestres-sala e portas-bandeira. Cada casal empunha a bandeira de um país para onde Xuxa expandiu seus domínios, vemos bandeiras de toda a América Latina, Espanha e até mesmo dos Estados Unidos, país que seria “alvo” da expansão efetivamente em 1993.

Globalização? Não, é a Xuxalização do planeta


2.    Reino do Rio Grande do Xul
Maria da Graça Xuxa Meneghel menina dos cabelos dourados, nascida em Santa Rosa, Rio Grande do Sul tinha um sonho que parecia impossível: ser a própria Branca de Neve.

A infância de Xuxa é retratada através do segundo carro alegórico – RIO GRANDE DO SUL –, um imenso chimarrão ao centro ladeado por cavalos e integrantes vestidos com referências às vinícolas do sul. Cachos de uva e predominância das cores verde e roxa. No alto do carro, um destaque vem trajando uma roupa típica dos pampas gaúchos.

O Carro do Rio Grande do Sul: vinho e chimarrão

A ala das baianas recebeu o nome de “Ala Terra Mãe”. Nas cabeças, as baianas traziam cuias de chimarrão. Curiosamente, na mesma entrevista que Xuxa conta que pediu a inclusão da palavra “ilariê” no samba enredo, ela diz que também pediu “que as baianas viessem vestidas de doce representando o doce da vida”. É, não deu certo, e as senhoras mais rodopiantes da avenida trouxeram algo nada doce.

Pelos rodopios, tinha vinho nesse chimarrão, hein, dona?


3.    Viagem ao Reino do Mar Azul
Por volta do ano de 1970 DC a Branca de Neve loura, chega trazida pelos pais a um reino distante: as terras da Guanabara. Imensa poça azul (poça azulada que o samba fala) como os seus olhos e lá, neste rincão tão diferente de sua cidade natal o doce da vida lhe reserva, outras surpresas.
A menina loura, do dia para noite, ingressa no mundo nobre da moda, das condessas e condes dos cosméticos, dos barões e baronesas dos finos perfumes, dando muitos passos em direção a um temido, mas, ao mesmo tempo, fascinante personagem: o dragão do xuxexo.

As coisas começam a acontecer na vida de Xuxa quando ela se muda para o Rio de Janeiro. Logo depois do segundo carro aparece uma ala de “presos”. À frente estão Roberta e Mariana Richard, as Irmãs Metralha do Xou da Xuxa. Não há menção a isso na apresentação/sinopse do desfile, será que a ideia era mostrar a criminalidade do reino do Mar Azul?

As Metralhas ganharam uma ala só para elas, mas qual o sentido disso mesmo? 

O terceiro carro – CAMARIM – é uma imensa penteadeira com seus perfumes, frascos e porta-joias. Aqui encontramos o “Rei do Glamour” citado na letra. Entre as alas, destacamos: Moda, Cosméticos, Joias e Flash.

O Carro Camarim: potes de cosméticos, espelhos e joias

Todas em referência ao sucesso de Xuxa como modelo e manequim nas passarelas e revistas de moda. Uma ala só de crianças – Ala Bolas – traz as garotas vestidas como modelos dos anos 80.

As crianças representando a Xuxa modelo e manequim dos anos 80


4.    No Império dos Baixinhos
E hoje a Cabuçu exalta a figura mais importante no reino infantil mundial. O "Planeta Cabuxu" que a recebe de braços abertos, 19 casais de mestre-sala e porta-bandeira mirins representam os países onde hoje esse sucesso é notório e saúdam e coroam a "Rainha Universal das Crianças".

O quarto carro – CÂMERA DO XUXEXO – retrata a consagração de Xuxa como estrela da TV, das revistas, do cinema. No carro, o cinema é a maior referência fica por conta da presença do ator Guilherme Karan, que volta a incorporar o vilão Baixo Astral.

Guilherme Karan voltou a encarnar o Baixo Astral no maior astral

Ao centro, um destaque apresenta a fantasia Lua de Cristal, outro sucesso de Xuxa nas telas e a direita a fantasia Boto Rosa numa alusão à canção de Xuxa.

Carro Câmera do Xuxexo: filmes nos destaques e
os LPs representando o sucesso na indústria fonográf
ica

À frente do carro, surge uma ala inteiramente composta por 80 crianças surdo-mudas, que representam o Boto Rosa – outro pedido de Xuxa que queria que seus baixinhos especiais também estivessem representados no desfile. Nas demais alas encontramos dezenas de Moderninhos, a única referência mais explicita ao programa de TV. 

Um Moderninho enlouquece muita gente, imaginem algumas dezenas...

As Paquitas e os Paquitos vêm sambando no chão com fantasias que se assemelham aos seus uniformes “de gala”.

Quem disse que loira não samba? Se reclamar, vai ter sete!


5.    A Super Xuxa no Xou da Cabuçu
E neste fantástico mundo do "planeta Cabuxu", entre fadas, príncipes, princesas e personagens infantis, câmera, luzes ofuscam o brilhar azul dos olhos da nossa "menina".

Encerrando o desfile, claro, Xuxa! A loira veio no seu papel mais conhecido: Rainha. O último carro – PALÁCIO DE CRISTAL -  concluía a história mostrando “a Rainha e sua corte no carnaval”.
Xuxa estava acompanhada de 30 crianças e, visivelmente emocionada, preferiu não sambar muito, mas distribuiu uma infinidade e de beijinhos e tchau-tchaus e sempre se curvava agradecendo o carinho do público nas arquibancadas.

Xuxa não sambou, mas foi fiel ao enredo: beijinhos e tchau-tchaus aos montes


À frente do carro principal, cerca de 100 crianças da Fundação Xuxa Meneghel compunham uma ala especial.
A bateria da Cabuçu veio com uma fantasia estilizada de Paquitas/Paquitos. A unica ala que permanece presente o tempo inteiro do desfile esperou o carro de Xuxa passar para sair de seu recuo e fechar o desfile sem deixar o ritmo diminuir.

"Mas que bailarinas bateristas, nós somos Paquitas..."


Curiosidades

·        Xuxa foi a homenageada mais jovem da história do Carnaval. À época da homenagem, Xuxa tinha só 28 anos e já era enredo de escola de samba.
·        Dona Alda, mãe de Xuxa, desfilou na ala “Terra Mãe”. Tudo a ver, não é?
·        Outras presenças famosas no Desfile da Cabuçu: a atriz Ângela Leal, na diretoria; Marinara Costa como madrinha da bateria; Eri Johnson, Sandra de Sá, Antônio Pitanga, Tereza Sieblitz e Giovana Gold na ala Flash.

Marinara Costa: mais loira no samba

·        Xuxa quase chegou atrasada para o desfile. Ela errou o caminho do Sambódromo, seguiu pelo Aterro do Flamengo e subiu a Avenida Presidente Vargas, o que a obrigou a atravessar a pé a Marquês de Sapucaí. Dez seguranças protegeram a loira do tumulto.
·        A loira desfilou fantasiada de Rainha, de vestido azul com strass e uma tiara com plumas brancas prendendo os cabelos. A única joia que usou foi um pequeno crucifixo de ouro no pescoço.
·        A revista argentina Gente veio especialmente para cobrir o desfile e fazer uma edição especial com a loira.

A edição da revista argentina GENTE, publicada em março de 1992

·        A escola ficou em 8º lugar na apuração final do Grupo de Acesso com 288 pontos, mas se dependesse de Xuxa a nota em todos os quesitos não seria  menor que "DEZ, NOTA DEZ". Com a palavra, a própria Rainha:


Cabuçu 2016: nova menção a Xuxa

O enredo de 1992 foi tão marcante para a Cabuçu que, no ano passado, a escola transformou seus 70 anos de carnaval no tema de seu samba enredo. O título foi “A festa é nossa e ninguém tasca! São 70 anos de Xou da Cabuçu no Mundo mágico do carnaval”.  Só nesse título estão três dos momentos mais marcantes da escola: A festa é nossa e ninguém tasca – 1986; Xou da Cabuçu – 1992 e Mundo Mágico, em referência ao enredo dos Trapalhões em 1988.

O carnavalesco Edson Siqueira explicou: “O pontapé inicial do enredo se dá a partir do fictício lançamento de uma Edição especial da extinta Revista Manchete, para falar dos 70 anos da Cabuçu. Esta Edição especial seria publicada a pedido de Adolpho Bloch (já falecido) em retribuição à homenagem que a escola fez a ele por ocasião do Carnaval 1991 (“Aconteceu, virou Manchete!”). A partir daí haverá uma viagem pela história da escola através dos sambas em forma de uma narrativa atemporal”.

A capa do número fictício da Manchete que a Cabuçu criou para homenagear seus 70 anos 

A parte da sinopse que refere ao enredo de 1992 é:

Ao longo destes 70 anos, a Cabuçu cantou e contou histórias e estórias. E num mágico universo de ternura, em um sonho colossal, fez da vida um doce, em um turbilhão de cores, se transformou num planeta triunfal, e como numa viagem encantada, brincou o Ilariê no Carnaval, alegrando milhões de corações com a Rainha e sua Corte. Foi um Xou na avenida!

Já no samba-enredo a menção à Xuxa é menor, mas não menos importante:

Eu já morri de rir com os Trapalhões
Roberto Carlos, tantas Emoções
De Sentinela, em Alto Astral
Marcou um X a nave espacial

A Unidos do Cabuçu atualmente desfila pelo grupo B no Carnaval do Rio de Janeiro.


Era uma Vez...

O carnavalesco Paulo Afonso de Lima definiu o objetivo do samba enredo de 1992: “enfatizar a figura de um personagem infantil dos dias de hoje que a todos conquistou. Mostramos a realidade de um futuro próximo quando XUXA passará a fazer parte do mundo do conto de fadas, das maravilhosas estórias que serão contadas através da tecnologia moderna, às gerações futuras”.

Hoje, 25 anos passados, vemos que Xuxa realmente conseguiu a proeza de fazer parte do “mundo de conto de fadas” ao mesmo tempo que é bem real e humana.

Era uma vez, uma história deslumbrante
Um mágico universo de ternura
Contagiou este sonho colossal
Era prenúncio de alegria geral

Os adjetivos da primeira estrofe foram realmente fiéis...
Essa é a história e quem quiser que conte outra! (Bom, a Caprichosos de Pilares fez isso 12 anos depois, mas essa a gente conta outro dia, tá?) 

Literalmente "a Rainha e sua corte no Carnaval"

domingo, 12 de fevereiro de 2017

4 vezes que Xuxa desfilou no Carnaval como convidada

Por: Leandro Franco
O Carnaval está chegando e esse ano teremos Xuxa na Marquês de Sapucaí! São 13 anos longe da passarela do samba e quem convenceu a Rainha a novamente pisar na avenida foi a amiga Ivete Sangalo. Veveta é boa nisso; foi ela também quem convenceu Xuxa a desfilar no carnaval baiano em cima de um trio elétrico em 2006. Naquele ano só deu Xuxa e Ivete nos jornais que noticiavam a folia baiana.

Carnaval com Xuxa e Ivete? Já virou manchete!

Para quem não sabe, a Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio escolheu Ivete Sangalo como tema de desfile neste ano. O samba-enredo “Ivete do rio ao Rio” vai contar um pouco da história da cantora baiana e como não se constrói uma história sem amigos, claro que Xuxa tinha que estar presente, mas isso é assunto para daqui a pouco.
Xuxa foi tema de sambas enredo por duas vezes: Unidos da Cabuçu em 1992 e Caprichosos de Pilares em 2004, mas hoje vamos falar das participações como convidada especial e essas foram quatro.  Vamos relembrar?


1985 – Beija Flor


Com o samba enredo “A Lapa de Adão e Eva”, o G.R.E.S. Beija Flor de Nilópolis colocou na avenida uma espirituosa versão da história de Adão e Eva. Adão seria o primeiro malandro, Eva a primeira Garota de Ipanema e a serpente seria Madame Satã – famoso transformista do Rio que tinha uma ficha criminal tão grande quanto seu senso de humor irônico. Tudo do Rio foi retratado num paralelo com a história bíblica. A cidade se tornou uma espécie de Sodoma e Gomorra onde o samba reinava e o povo pedia que Deus os perdoasse.
Xuxa veio como destaque num dos últimos carros representando as loiras do samba, numa referência ao verso “vem, loirinha, vem sambar” do refrão. O desfile aconteceu na manhã do dia 18/02/1985 e a escola foi a vice-campeã daquele ano.

Sambando só no dedinho... quem nunca?

A transmissão do desfile foi feita pela Rede Globo e pela Rede Manchete. Mesmo não sendo contratada da casa, a Globo mostrou mais cenas de Xuxa que a Manchete, que tinha a estrela em seu elenco.
Vendo Xuxa em sua fantasia prateada, a gente acaba se lembrando não do samba enredo de 1985, mas sim do samba-exaltação da escola: “É ela, a deusa da passarela / Razão do meu cantar feliz / É ela, um festival de prata em plena pista”.



1989 – Tradição


Em 1988, Xuxa não desfilou, mas foi assistir aos desfiles direto de seu camarote na avenida. Uma escola, a estreante Tradição, chamou sua atenção e esse foi o pontapé inicial para sua segunda participação no carnaval carioca.

Trecho de matéria publicada no Jornal O GLOBO em 05/02/1989


O samba enredo da escola – Rio, Samba, Amor e Tradição – exaltava o Rio de Janeiro com seus principais pontos turísticos e a alegria do carioca. Alegria de cariocas “altinhos” e baixinhos.
Ai, como é lindo a criança / Entrando na dança desse Carnaval (...)
Rio, vem cantar de novo /Sorria, meu povo / Que o Cristo Redentor quer te abraçar

A escola não pensou duas vezes e pôs Xuxa como a “Deusa da Alegria” no alto de um dos seus carros. E bota “alto” nisso! O carro tinha 6 metros!
— Lá de cima do carro tenho certeza de que vou sentir uma enorme vontade de descer. Acho que foi por isso que fizeram um bem alto para mim...

Pulando Sambando na cara da sociedade!

O carro veio após a ala das crianças. Se Xuxa ficou com medo, ela o espantou com sua empolgação, a loira dançou bem mais que na sua estreia na Beija-Flor.
A fantasia lembrava muito os figurinos de show. Não era a Xuxa vestida de Deusa da Alegria e sim a Deusa da Alegria da Tradição vestida de Xuxa.
A Tradição foi a 5ª escola a desfilar no domingo de Carnaval de 1989 (05/02) e ficou em 16º lugar na apuração final.




1989 – Beija-Flor


Acabamos de falar da empolgação de Xuxa durante o desfile da Tradição, certo? Teve mais... Em 1989, Xuxa desfilou também pela Beija-Flor de Nilópolis. Quem não se lembra do famoso enredo-protesto “Ratos e Urubus, larguem minha fantasia!”. A escola sempre acostumada a falar do luxo, dessa vez veio falando do lixo. E onde Xuxa se encaixaria nisso tudo?
Joaosinho Trinta já tinha tudo em mente:

“Xuxa virá no carro dos brinquedos. A mensagem desse carro é uma das mais importantes do enredo da escola, "Ratos e urubus, larguem a minha fantasia": na parte de baixo estão as armas de brinquedo, que são o lixo, pois é uma grande maldade presentear as crianças com essas coisas agressivas. No alto do carro está a Xuxa, representando o que a criança precisa, como carinho, atenção e amor.”  (Jornal O GLOBO – 05/02/1989)

Vou desfilar sim! E se reclamar, desfilo duas vezes!


Viram só? Um verdadeiro LUXO.
Duas coisas nos chamam muita atenção nesse desfile: a roupa de Xuxa que é quase igual à do desfile na Tradição e os elementos do cenário do Xou da Xuxa  de 1988 que compunham o carro alegórico: o escorregador do Xuxo, o Painho na parte traseira. Ah, estavam lá também as Paquitas e o Dengue.  Beija-Flor deu, literalmente, um XOU na avenida.


A escola desfilou já na manhã da segunda-feira de carnaval (06/02/1989) e, assim como na primeira vez que Xuxa desfilou, ficou com o vice campeonato. 



1992 – Beija-Flor


A escola de Nilópolis realmente gostou de ter Xuxa entre seus destaques. Pela terceira vez, a Rainha foi convidada a desfilar. E dessa vez a escola quis agradar toda sorte de baixinhos, chamou todo o reino infantil para a Marquês de Sapucaí.
O enredo da vez era “Há um Ponto de Luz na Imensidão” e tratava dos pontos de luz que se  irradiam pelo espaço e a caixa mágica que transforma esta energia luminosa em imagens: a televisão. Tudo relacionado à TV foi retratado no desfile, mas o que nos interessa estava no Carro Infantil, o sétimo.
Antecedido por alas que traziam mais referências ao universo televisivo infantil (Sitio do Pica pau Amarelo e desenhos da Disney), o carro era o sonho de todo baixinho que cresceu na frente da TV nos anos 80: Xuxa, Angélica e Mara juntas.

Os nomes das fantasias? Táxi Lunar, Rainha Intergaláctica e Curumim Estelar

E ainda teve o Carequinha...

O único carro que ensina a hierarquia no reino dos baixinhos...

Xuxa no alto, toda Rainha-futurista, frente a um imenso disco voador; na parte de trás, Angélica num balão que se movimentava de um lado a outro e na parte de baixo um trem com Mara a sua frente. 



Fernando Vanucci, na época comentarista da Rede Globo, chegou a dizer:
“O mais interessante nesse carro é que nem a Xuxa vê a Mara, nem a Mara vê a Xuxa, nem a Xuxa vê a Angélica e nem a Angélica vê a Xuxa”. Bom, a Angélica ninguém viu mesmo, o tal balão se mexia de um lado a outro, mas nem assim deu para ver a loira da pinta. Devia ter vindo de taxi... mas ela estava lá, gente.

Se você apareceu na telinha, dê uma risadinha...

Beija-Flor foi a última escola a desfilar no domingo do Carnaval 1992 (01/03) e a 7ª colocada na apuração final.

2017 – Grande Rio
Essa ainda não aconteceu, mas já temos informações de como será a participação da loira no Carnaval 2017 e o pouco que sabemos já nos deixou com muita vontade de ver Xuxa brilhando de novo na Sapucaí.

Desfile das Campeãs 2005: Xuxa, Sasha e Luciano recebem Ivete no camarote da Grande Rio

Se em 2005, Xuxa recebeu Ivete no camarote “Grande Rio / Nestlé”; agora é a vez da baiana receber a loira, mas na avenida. A notícia de que Ivete tinha planos de convidar Xuxa para o desfile começou a aparecer em setembro de 2016.


Notícia publicada na coluna Beira Mar da Veja Rio, em 10/09/2016


“Convite feito, convite aceito”, assim funciona a amizade de Xuxa e Ivete. Só que o enredo da Grande Rio não vai falar da vida pessoal de Ivete, então como Xuxa vai aparecer? 

Xuxa será a Eva! A Eva de "Adão e Eva" ou Eva da Banda Eva? Bom, um pouco das duas...
Antes da carreira solo, Ivete foi vocalista da Banda Eva entre os anos 1993 e 1998. Em 1997, a banda lançou seu primeiro CD ao vivo e uma das músicas que fez mais sucesso foi “Eva”, uma regravação do sucesso de 1983, da banda Rádio Táxi (que, por sua vez, era uma versão da música Eva, do cantor italiano Umberto Tozzi, de 1982). O fato é que a regravação de Ivete foi tão bem sucedida que muita gente pensa que essa música é da Banda Eva.



Xuxa já contou que podemos esperar uma Eva futurista, que não vai mostrar nada. Achou estranho? Não é, não. A canção fala de um mundo já apocalíptico (“Olha bem, meu amor, é o final da odisseia terrestre”) em que somente o autor e sua amada vão escapar “na última astronave”. E se somente ele e a amada vão escapar, é provável que eles tenham que recomeçar o mundo num lugar “além do infinito”. Quem começou a humanidade então? Adão e Eva.


Pronto! Já queremos a Xuxa de Eva, voando bem alto e além do infinito, numa astronave cheia de controles e botões antiatômicos.

Pessoal, pode deixar que se a fantasia e o carro saírem tão cheios de referências como a música, a gente mostra tudinho aqui para vocês, tá?     

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