domingo, 19 de fevereiro de 2017

Os 25 anos da "Unidos do Cabuxu"

Por: Leandro Franco

“A Rainha e sua corte no carnaval, beijinhos, beijinhos...”25 anos esses versos levaram a Marquês de Sapucaí ao delírio durante o desfile das Escolas de Samba do Grupo de Acesso. Em 1992, a Unidos do Cabuçu homenageou Xuxa, contando sua história para toda a Passarela do Samba.

Xuxa: Rainha no Palácio de Cristal do Planeta Cabuçu

Foi a segunda vez que Xuxa inspirou um tema de samba enredo, mas a primeira numa escola de samba. Em 1989, o samba enredo “A Festa da Xuxa, a Rainha dos Baixinhos” garantiu o segundo lugar ao bloco carioca Unidos do Cabral. O ano de 1992 veio se igualar ao de 1989 no número de participações/referências a Xuxa dentro do universo do samba. Se em 89 tivemos Xuxa desfilando pela Tradição, pela Beija-Flor e sendo tema do samba enredo do bloco já citado; em 92 tivemos Xuxa desfilando pela Beija-Flor, sendo lembrada no desfile da Tom Maior (Carnaval de São Paulo) e ainda reinando como tema da Unidos do Cabuçu.

Em 1992, a Escola de Samba Tom Maior (SP)  levou a TV para a avenida e claro que o Xou da Xuxa tinha que ser o representante dos programas infantis. Xuxa não foi, mas a nave sim.


Unidos do Cabuçu no mundo de Xuxa
A escola de samba, com sede em Lins de Vasconcelos, no Rio de janeiro, ficou famosa pelos seus sambas-enredo em homenagem às personalidades vivas da TV e cultura: Beth Carvalho, Roberto Carlos, Os Trapalhões, Milton Nascimento, Adolpho Bloch. Claro que Xuxa não poderia estar fora dessa lista.

Beth Carvalho (1984), Roberto Carlos (1987)  e Os Trapalhões (1988): homenageados da Cabuçu

Em 1991, a Cabuçu anunciou que a homenageada para o ano seguinte seria Xuxa. O convite para o desfile partiu da então presidente da escola, Therezinha Monte e foi logo aceito pela loira. A partir daí, a Unidos do Cabuçu experimentou o que era estar dentro do grandioso universo de Xuxa. Homenagear personalidades não era novidade, mas nenhuma delas tinha o poder de virar notícia tão rápido. Além das participações no programa matinal da loira na Rede Globo, a escola ainda foi levada para o “Show de Xuxa”, na Argentina.



Jornais e revistas noticiavam com destaque a ligação da escola com Xuxa.
Xuxa marcou presença no aniversário de 46 anos da Escola, visitando a quadra e dançando o samba enredo no final de 1991. Era hora de começar a esquentar os tamborins para o momento oficial.

Na quadra da Escola, Xuxa canta o samba em companhia do puxador Di Miguel

Matérias sobre os desfiles do Grupo I existem desde sempre, mas no ano de Xuxa, as atenções voltaram-se para ela e consequentemente para a Cabuçu. O jornal O GLOBO deixou isso bem claro:

Momo destronado por rainha loura
Momo que a perdoe, mas quando a Unidos do cabuçu surgir na Marquês de Sapucaí, o cetro e a coroa passarão às mãos de uma rainha loura, de olhos azuis e corpo esbelto. Xuxa será homenageada com o enredo "Xuxa, a realidade vira sonho no xou da Cabuxu".

A própria escola sabia disso e naquele ano a Cabuçu virou a Cabuxu ou Cabuxuxa, se preferirem.


Xuxa no mundo da Unidos do Cabuçu

O enredo
Criação de Paulo Afonso de Lima com colaboração de Mara Alves, o enredo “Xuxa, a realidade vira sonho no Xou da Cabuçu” apresentou a história de Xuxa como um conto de fadas do ponto de vista dos contadores de história da época medieval.

Paulo fez uma apresentação (bem) rebuscada do enredo:

A filosofia do nosso enredo está totalmente apoiada numa visão conceitual de conto de fadas. Ao se transpor à passarela do samba a vida de Maria da Graça Xuxa Meneghel a "nossa rainha", a realidade que se transforma, ou seja, a visão de um contador de histórias teria ao transpor para uma linguagem de literatura dirigida a infância, a biografia de um personagem do século XX, nos parece é a característica principal de todo desenvolvimento do enredo.

Na verdade, analisada de um ponto de vista puramente literário, a vida de Maria da Graça Xuxa Meneghel tem todas as tramas, evoluções, princípios, meio e fim, "ou melhor dizendo o resultado" do autentico clássico da literatura infantil. Essa curiosa e encantadora característica nos permitirá ampliar, sob o ponto de vista de infância, a realidade.

Dos eventos típicos desta possibilidade são as partes do enredo que focalizam a infância, a fase de modelo de nossa homenageada e seu mundo do sucesso.

Nunca se viu tanta criança num ensaio de Escola de Samba


O samba-enredo
Composição de João Ferreira ,Orlando Negão, Sereno e Robertinho da Matriz, o samba da Cabuçu tem um refrão marcante, daqueles que você se pega cantando sem nem saber porquê.
Como já foi dito, o trilho é como um contador de histórias transportaria para a era medieval a história da rainha Xuxa e seus súditos.



A ideia é bastante interessante e bem executada, mas existe um pequeno deslize: se é a visão medieval com todas as figuras típicas desses contos: rei, rainha, dragão, criaturas mágicas (botos e moderninhos), a corte, os súditos... como explicar a nave? Ok, a nave é tão indissociável de Xuxa quanto o Ilariê, mas não seria mais fiel algo como “sua carruagem de ilusões”? Até porque não há nenhuma nave nas alegorias do desfile, mas já vamos falar disso.

As referências da letra são claras e vão de personagens às canções de Xuxa:
1.      Boto Rosa” – alusão à canção homônima lançada em 1990,
2.      Moderninhos” – o famoso boneco de espuma falante dos sorteios do Xou da Xuxa;
3.      Baixo Astral” – o inesquecível vilão do filme Super Xuxa contra Baixo Astral (1988);
4.      A vida é um doce” – verso de Doce Mel, primeiro sucesso de Xuxa em 1986;
5.      A lua é de cristal” – referência dupla: canção e filme “Lua de Cristal” de 1990
6.      Ilariê, Ilariê no Carnaval” – dispensa comentários, mas o mais interessante é que esse foi um pedido de Xuxa: “logo comecei a viajar no enredo e achei genial, pois justamente o que idealizei foi o que a escola pensou e, entre as minhas sugestões, pedi que a palavra “ilariê” estivesse no samba-enredo” – contou a loira ao jornal O Globo, em 23/02/1992.
7.      Beijinhos, beijinhos, tchau, tchau, tchau” – quem não conhece o bordão clássico de Xuxa?



O desfile
A Unidos do Cabuçu foi a 11ª escola a desfilar na passarela do Samba no dia 29/02/1992 e trouxe seus 3 mil integrantes divididos em 24 alas e 5 carros alegóricos. O desfile se dividia em cinco momentos.
Nota do blog: As partes em negrito após os títulos se referem à sinopse original escrita pelo carnavalesco Paulo Afonso de Lima.

A Cabuçu reverencia a majestade e se apresenta como Cabuxu, Cabuxuxa e Cabuxou


1.    Era Uma Vez... CabuXuxa
Contadores de estória contam através dos tempos a imortalidade vários personagens infantis que se fazem presentes no cortejo do sonho da mais nova lenda que ao lado deles já ganhou no mundo da infância o seu lugar.
A Comissão de Frente era composta por 13 integrantes que representavam os contadores de histórias da época medieval no Reino da Fantasia. Os mais atentos vão perceber que a paleta de cores remete ao Arco-Íris – sucesso musical de Xuxa de 1988: “toda cor tem em si, uma luz, uma certa magia”.

Comissão de frente: contadores medievais de histórias com as cores do arco íris

No Carro Abre-Alas – HISTÓRIAS INFANTIS – ergue-se o Castelo dos contos infantis. Lá estão personagens clássicos: o Príncipe (o ator Flávio Silvino), Branca de Neve (Angel Mattos), Cinderela (a ex-Paquita Andrea Veiga), e também personagens do mundo de Xuxa: a tartaruga Praga e o contrarregra Russo. 


Os saudosos Russo e Praga no carro abre-alas

A presença de Dengue foi noticiada, mas em momento algum das transmissões televisivas o personagem aparece. Nas laterais flâmulas já mostram que a escola se rendeu ao encanto da homenageada: ao invés de Cabuçu está escrito Cabuxuxa, Cabuxu e Cabuxou.

Flávio Silvino, Andrea Veiga e Angel: fantasias pouco inspiradas

Segue-se uma ala composta totalmente por casais de mestres-sala e portas-bandeira. Cada casal empunha a bandeira de um país para onde Xuxa expandiu seus domínios, vemos bandeiras de toda a América Latina, Espanha e até mesmo dos Estados Unidos, país que seria “alvo” da expansão efetivamente em 1993.

Globalização? Não, é a Xuxalização do planeta


2.    Reino do Rio Grande do Xul
Maria da Graça Xuxa Meneghel menina dos cabelos dourados, nascida em Santa Rosa, Rio Grande do Sul tinha um sonho que parecia impossível: ser a própria Branca de Neve.

A infância de Xuxa é retratada através do segundo carro alegórico – RIO GRANDE DO SUL –, um imenso chimarrão ao centro ladeado por cavalos e integrantes vestidos com referências às vinícolas do sul. Cachos de uva e predominância das cores verde e roxa. No alto do carro, um destaque vem trajando uma roupa típica dos pampas gaúchos.

O Carro do Rio Grande do Sul: vinho e chimarrão

A ala das baianas recebeu o nome de “Ala Terra Mãe”. Nas cabeças, as baianas traziam cuias de chimarrão. Curiosamente, na mesma entrevista que Xuxa conta que pediu a inclusão da palavra “ilariê” no samba enredo, ela diz que também pediu “que as baianas viessem vestidas de doce representando o doce da vida”. É, não deu certo, e as senhoras mais rodopiantes da avenida trouxeram algo nada doce.

Pelos rodopios, tinha vinho nesse chimarrão, hein, dona?


3.    Viagem ao Reino do Mar Azul
Por volta do ano de 1970 DC a Branca de Neve loura, chega trazida pelos pais a um reino distante: as terras da Guanabara. Imensa poça azul (poça azulada que o samba fala) como os seus olhos e lá, neste rincão tão diferente de sua cidade natal o doce da vida lhe reserva, outras surpresas.
A menina loura, do dia para noite, ingressa no mundo nobre da moda, das condessas e condes dos cosméticos, dos barões e baronesas dos finos perfumes, dando muitos passos em direção a um temido, mas, ao mesmo tempo, fascinante personagem: o dragão do xuxexo.

As coisas começam a acontecer na vida de Xuxa quando ela se muda para o Rio de Janeiro. Logo depois do segundo carro aparece uma ala de “presos”. À frente estão Roberta e Mariana Richard, as Irmãs Metralha do Xou da Xuxa. Não há menção a isso na apresentação/sinopse do desfile, será que a ideia era mostrar a criminalidade do reino do Mar Azul?

As Metralhas ganharam uma ala só para elas, mas qual o sentido disso mesmo? 

O terceiro carro – CAMARIM – é uma imensa penteadeira com seus perfumes, frascos e porta-joias. Aqui encontramos o “Rei do Glamour” citado na letra. Entre as alas, destacamos: Moda, Cosméticos, Joias e Flash.

O Carro Camarim: potes de cosméticos, espelhos e joias

Todas em referência ao sucesso de Xuxa como modelo e manequim nas passarelas e revistas de moda. Uma ala só de crianças – Ala Bolas – traz as garotas vestidas como modelos dos anos 80.

As crianças representando a Xuxa modelo e manequim dos anos 80


4.    No Império dos Baixinhos
E hoje a Cabuçu exalta a figura mais importante no reino infantil mundial. O "Planeta Cabuxu" que a recebe de braços abertos, 19 casais de mestre-sala e porta-bandeira mirins representam os países onde hoje esse sucesso é notório e saúdam e coroam a "Rainha Universal das Crianças".

O quarto carro – CÂMERA DO XUXEXO – retrata a consagração de Xuxa como estrela da TV, das revistas, do cinema. No carro, o cinema é a maior referência fica por conta da presença do ator Guilherme Karan, que volta a incorporar o vilão Baixo Astral.

Guilherme Karan voltou a encarnar o Baixo Astral no maior astral

Ao centro, um destaque apresenta a fantasia Lua de Cristal, outro sucesso de Xuxa nas telas e a direita a fantasia Boto Rosa numa alusão à canção de Xuxa.

Carro Câmera do Xuxexo: filmes nos destaques e
os LPs representando o sucesso na indústria fonográf
ica

À frente do carro, surge uma ala inteiramente composta por 80 crianças surdo-mudas, que representam o Boto Rosa – outro pedido de Xuxa que queria que seus baixinhos especiais também estivessem representados no desfile. Nas demais alas encontramos dezenas de Moderninhos, a única referência mais explicita ao programa de TV. 

Um Moderninho enlouquece muita gente, imaginem algumas dezenas...

As Paquitas e os Paquitos vêm sambando no chão com fantasias que se assemelham aos seus uniformes “de gala”.

Quem disse que loira não samba? Se reclamar, vai ter sete!


5.    A Super Xuxa no Xou da Cabuçu
E neste fantástico mundo do "planeta Cabuxu", entre fadas, príncipes, princesas e personagens infantis, câmera, luzes ofuscam o brilhar azul dos olhos da nossa "menina".

Encerrando o desfile, claro, Xuxa! A loira veio no seu papel mais conhecido: Rainha. O último carro – PALÁCIO DE CRISTAL -  concluía a história mostrando “a Rainha e sua corte no carnaval”.
Xuxa estava acompanhada de 30 crianças e, visivelmente emocionada, preferiu não sambar muito, mas distribuiu uma infinidade e de beijinhos e tchau-tchaus e sempre se curvava agradecendo o carinho do público nas arquibancadas.

Xuxa não sambou, mas foi fiel ao enredo: beijinhos e tchau-tchaus aos montes


À frente do carro principal, cerca de 100 crianças da Fundação Xuxa Meneghel compunham uma ala especial.
A bateria da Cabuçu veio com uma fantasia estilizada de Paquitas/Paquitos. A unica ala que permanece presente o tempo inteiro do desfile esperou o carro de Xuxa passar para sair de seu recuo e fechar o desfile sem deixar o ritmo diminuir.

"Mas que bailarinas bateristas, nós somos Paquitas..."


Curiosidades

·        Xuxa foi a homenageada mais jovem da história do Carnaval. À época da homenagem, Xuxa tinha só 28 anos e já era enredo de escola de samba.
·        Dona Alda, mãe de Xuxa, desfilou na ala “Terra Mãe”. Tudo a ver, não é?
·        Outras presenças famosas no Desfile da Cabuçu: a atriz Ângela Leal, na diretoria; Marinara Costa como madrinha da bateria; Eri Johnson, Sandra de Sá, Antônio Pitanga, Tereza Sieblitz e Giovana Gold na ala Flash.

Marinara Costa: mais loira no samba

·        Xuxa quase chegou atrasada para o desfile. Ela errou o caminho do Sambódromo, seguiu pelo Aterro do Flamengo e subiu a Avenida Presidente Vargas, o que a obrigou a atravessar a pé a Marquês de Sapucaí. Dez seguranças protegeram a loira do tumulto.
·        A loira desfilou fantasiada de Rainha, de vestido azul com strass e uma tiara com plumas brancas prendendo os cabelos. A única joia que usou foi um pequeno crucifixo de ouro no pescoço.
·        A revista argentina Gente veio especialmente para cobrir o desfile e fazer uma edição especial com a loira.

A edição da revista argentina GENTE, publicada em março de 1992

·        A escola ficou em 8º lugar na apuração final do Grupo de Acesso com 288 pontos, mas se dependesse de Xuxa a nota em todos os quesitos não seria  menor que "DEZ, NOTA DEZ". Com a palavra, a própria Rainha:


Cabuçu 2016: nova menção a Xuxa

O enredo de 1992 foi tão marcante para a Cabuçu que, no ano passado, a escola transformou seus 70 anos de carnaval no tema de seu samba enredo. O título foi “A festa é nossa e ninguém tasca! São 70 anos de Xou da Cabuçu no Mundo mágico do carnaval”.  Só nesse título estão três dos momentos mais marcantes da escola: A festa é nossa e ninguém tasca – 1986; Xou da Cabuçu – 1992 e Mundo Mágico, em referência ao enredo dos Trapalhões em 1988.

O carnavalesco Edson Siqueira explicou: “O pontapé inicial do enredo se dá a partir do fictício lançamento de uma Edição especial da extinta Revista Manchete, para falar dos 70 anos da Cabuçu. Esta Edição especial seria publicada a pedido de Adolpho Bloch (já falecido) em retribuição à homenagem que a escola fez a ele por ocasião do Carnaval 1991 (“Aconteceu, virou Manchete!”). A partir daí haverá uma viagem pela história da escola através dos sambas em forma de uma narrativa atemporal”.

A capa do número fictício da Manchete que a Cabuçu criou para homenagear seus 70 anos 

A parte da sinopse que refere ao enredo de 1992 é:

Ao longo destes 70 anos, a Cabuçu cantou e contou histórias e estórias. E num mágico universo de ternura, em um sonho colossal, fez da vida um doce, em um turbilhão de cores, se transformou num planeta triunfal, e como numa viagem encantada, brincou o Ilariê no Carnaval, alegrando milhões de corações com a Rainha e sua Corte. Foi um Xou na avenida!

Já no samba-enredo a menção à Xuxa é menor, mas não menos importante:

Eu já morri de rir com os Trapalhões
Roberto Carlos, tantas Emoções
De Sentinela, em Alto Astral
Marcou um X a nave espacial

A Unidos do Cabuçu atualmente desfila pelo grupo B no Carnaval do Rio de Janeiro.


Era uma Vez...

O carnavalesco Paulo Afonso de Lima definiu o objetivo do samba enredo de 1992: “enfatizar a figura de um personagem infantil dos dias de hoje que a todos conquistou. Mostramos a realidade de um futuro próximo quando XUXA passará a fazer parte do mundo do conto de fadas, das maravilhosas estórias que serão contadas através da tecnologia moderna, às gerações futuras”.

Hoje, 25 anos passados, vemos que Xuxa realmente conseguiu a proeza de fazer parte do “mundo de conto de fadas” ao mesmo tempo que é bem real e humana.

Era uma vez, uma história deslumbrante
Um mágico universo de ternura
Contagiou este sonho colossal
Era prenúncio de alegria geral

Os adjetivos da primeira estrofe foram realmente fiéis...
Essa é a história e quem quiser que conte outra! (Bom, a Caprichosos de Pilares fez isso 12 anos depois, mas essa a gente conta outro dia, tá?) 

Literalmente "a Rainha e sua corte no Carnaval"

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