quinta-feira, 20 de julho de 2017

Livro Ilustrado Xou da Xuxa - 30 anos

Por: Leandro Franco

No mês passado, comemoramos 30 anos do disco “Xegundo Xou da Xuxa” e a data foi tão festejada que não deu tempo de falarmos dos 30 anos de um outro importante lançamento da Rainha: o 1º álbum de figurinhas, o Livro Ilustrado Xou da Xuxa.

O 1º álbum de figurinhas da Xuxa foi lançado em 1987


O álbum foi lançado pela Editora Globo no mesmo dia que saiu o disco Xegundo Xou da Xuxa: 23 de junho de 1987. Como se já não bastasse ficarmos ansiosos para ver como Xuxa surgiria em sua nave ou ouvir as faixas do disco recém-lançado na nossa vitrola (sim, não existia isso de vazar música antes do lançamento e nem no dia do lançamento, tínhamos que esperar o disco chegar nas lojas), Xuxa resolveu dar mais um motivo para vivermos outro momento de suspense: rasgar o envelope em busca dos cromos que completariam a página, ou quem sabe, o álbum.

A emoção de rasgar o pacotinho e encontrar a figurinha que faltava


Trocando figurinhas
O terreno dos álbuns de figurinhas ainda era inexplorado por Xuxa e o Xou da Xuxa um sucesso nas manhãs da TV. Com isso, a Editora Globo abriu caminho para que a loira conquistasse sua coroa no reino dos cromos autocolantes e, de quebra, sedimentar o nome da editora no filão.

Abril, Cedibra, Multi Editora e Globo: investindo pesado no mercado das figurinhas

Esse mercado, em 1987, era dominado por 4 editoras: Abril, Cedibra, Multi Editora e Globo. A Abril detinha o recorde absoluto com o álbum Galeria Disney, que vendeu 1 bilhão (sim, isso mesmo) de cromos no Brasil. No rastro vinham a Cedibra que detinha os direitos da maioria dos desenhos animados do momento (He-Man, She-Ra, Thundercats e Transformers) e a Multi Editora que se valia de temas ecológicos ou cívicos e artistas em destaque (Banda RPM, por exemplo). Já a Editora Globo ainda estava engatinhando, mas tinha nas mãos um projeto de gente grande para os baixinhos... digamos, uma figurinha premiada.



A figurinha premiada
Óbvio que essa figurinha tão valiosa vinha com um X, ou melhor, três: XOU DA XUXA.  O álbum seria inspirado no programa infantil de maior sucesso da TV Globo. Toda a atmosfera do programa e seus personagens estariam nas 32 páginas e nas 190 figurinhas do álbum. A loira assinou contrato com a Editora no dia 9 de janeiro de 1987 e o lançamento, inicialmente, seria em março daquele ano.


Inicialmente programado para março, o álbum só saiu em junho de 1987


Grande também foi o investimento no projeto: a tiragem inicial foi de 300 mil exemplares do álbum e 20 milhões de figurinhas; “todas fáceis de se encontrar”, com fez questão de frisar o então Diretor da Divisão de Produtos Infantis e Juvenis da Editora Globo, Rogério Rahier. A expectativa alta e o tempo escasso acabaram fazendo com que a data de lançamento fosse adiada para junho. As primeiras bancas a receber o álbum foram as do Rio e São Paulo – como acontece até hoje, nos lançamentos do gênero.



Divulgação
Uma grande estratégia foi pensada para a divulgação do álbum. Dezoito peças publicitárias tomaram conta de todos os meios de comunicação. De teasers impressos a spots para rádio e pôsteres e cartazes para bancas.
No fim de semana que antecedeu ao lançamento, o jornal O Globo publicou uma série de anúncios atiçando a curiosidade dos leitores. Não havia o nome de Xuxa, muito menos do que se tratava. Apenas apareciam as famosas xuquinhas e mensagens dizendo que uma novidade estava por vir.

Os três teasers foram publicados no mesmo dia,
em páginas diferentes do Segundo Caderno do jornal "O Globo"


No dia 23, o mesmo jornal publicou o anúncio mostrando a capa e explicando que o Xou da Xuxa agora era também álbum de figurinhas. Curiosamente todos os anúncios e teasers eram direcionados aos adultos, ao contrário da maioria das propagandas infantis que focavam a criança.

O anúncio de lançamento publicado em 23/06/1987

Um dos anúncios de "sustentação", parte da estratégia de divulgação do álbum


Na TV também foi veiculado um comercial e no Xou da Xuxa, o álbum era um dos prêmios dados aos vencedores das brincadeiras.



O Álbum
“O álbum é inteiramente diferente de tudo que já se fez no setor”... Quando disse isso, o diretor Rogério Rahier não estava exagerando. A começar pelo formato: uma bolsa com alça e tudo mais, como se o álbum fosse feito em de pano, com direito a bolso com zíper na contracapa.

Em formato de bolsa, o álbum tinha até alça!


A proposta do álbum também fugia do tradicional. Em várias páginas, os recadinhos de Xuxa deixam claro que as figurinhas foram feitas não só para o livro ilustrado, mas para serem coladas em TUDO. E dêem ênfase nesse tudo, até no vaso sanitário, sugere uma das páginas.

Fugindo do óbvio: quem disse que figurinha é só para as páginas do álbum?


Não há uma história que “amarre” todas as páginas, o que faz com que algumas páginas pareçam estar ali só para completar o número contratado, o mesmo acontece com as figurinhas.
O baixinho colecionador vai encontrar a rotina de Xuxa, os personagens do programa, os figurinos, charadas, ditados populares e os famosos beijinhos da Xuxa.

Xuxa acordando todos os dias às 7h para gravar o programa?
Claro, você que esqueceu de ajustar seu relógio para o fuso horário do álbum...


As figurinhas
As cinco primeiras figurinhas são fotos de Xuxa em momentos do Xou. Sabem aquela história de dar o doce para a criança e depois tirar? É mais ou menos isso. Imaginem se ao invés daquele monte de desenhos fossem fotos de verdade? O álbum poderia ter 500 cromos que a gente ainda acharia pouco...

Alegria de baixinho dura pouco... só as cinco primeiras figurinhas eram com fotos da Xuxa

São seis os tipos de figurinhas: as comuns (que trazem algum personagem ou recadinho), os beijinhos (com pequenas mensagens escritas pela própria Xuxa), as duplas (figurinhas que compõem uma só imagem a partir de dois cromos distribuídos no mesmo envelope), as expressões (olhos e bocas aleatórios e sem vínculo com qualquer personagem, uma espécie de avós dos emojis), os balões de histórias em quadrinhos e os figurinos (que apesar de serem parte de uma figurinha dupla, eram distribuídos separadamente, pois a criança podia colar a parte debaixo de um figurino com a parte de cima de outro, criando um novo).

Cromos para todos os gostos

Desperte o estilista que existe em você:
o baixinho podia inverter as figurinhas e criar novos figurinos para Xuxa

Falando nesses cromos dos figurinos. Os mais atentos identificarão logo de cara que estão retratados pelo menos três figurinos da contracapa do disco Xou da Xuxa (Som Livre, 1986).




E nós ainda achamos que existe um quarto figurino apenas com as cores trocadas... Quem concorda?

É o mesmo ou não é?


Temos ainda o que poderíamos chamar de figurinhas “preguiçosas”: na parte dedicada aos acessórios, há figurinhas dos brincos da Xuxa: duas figurinhas quase idênticas que recebiam uma numeração especial – A e B – e que não eram distribuídas juntas. “Se eram brincos, tinham que ser iguais mesmo”, você vai dizer. Ok, mas que é uma forma um tanto preguiçosa da editora de se fazer figurinhas, isso é.

As figurinhas eram tão parecidas, que se colasse a mesma duas vezes ninguém notaria


Completar o álbum não era tarefa das mais fáceis. Cada envelope vinha com dois cromos apenas. Uma eternidade para se chegar aos 190 cromos, ou seja, no mínimo 95 envelopinhos se você tinha toda a sorte do mundo ao seu lado.

Dois cromos por envelope: uma longa jornada até os 190 do álbum


Os personagens
Todo mundo que fazia o Xou acontecer acabou retratado de alguma forma no álbum: nas figurinhas ou nas páginas. É interessante observar como esses desenhos foram a matéria prima para o gibi lançado no ano seguinte, também pela Editora Globo. A diferença é que aqui todos são personagens adultos desempenhando suas funções no programa; nos gibis quase todos viraram baixinhos que seguiam a Xuxa.

Os primeiros desenhos da turminha que acompanharia Xuxa nos gibis


Entretanto nem todos personagens “migraram” para o gibi; é o caso do saudoso contrarregra Russo, do câmera-man Tony, da Madame Caxuxá (embora fosse uma das mais pedidas no gibi) .

Tony, Russo e Caxuxá não tiveram a versão "gibi"


O mesmo aconteceu como os esquecidos Tana Beijoqueiro e o sábio Xoxum. Para quem não se lembra, Tana fazia parte do quadro dos sorteios no ano de 1986, sendo posteriormente substituído pelo Xuxo. O boneco nunca mais apareceu em nada relacionado à Turma da Xuxa.

Tana: participação inexpressiva nos sorteios e apenas uma aparição no álbum

Xoxum, assim como Madame Caxuxá, era um personagem interpretado por Xuxa para um dos quadros do programa, mas não alcançou nem a metade do sucesso da astróloga dos baixinhos. Xoxum era um sábio chinês que ensinava brincadeiras aos baixinhos.

Xoxum chegou a ser quadro do Xou da Xuxa,
mas isso não lhe garantiu muito destaque no álbum

Vovuxa aparece em seu registro mais fiel, já que no gibi a vovó de Xuxa ganhou um visual totalmente diferente do que era apresentado no programa.



Outro personagem que teve suas características alteradas nas histórias em quadrinhos foi o Temporão; no gibi, ele era o amigo fanático por esportes da turma e tinha o nome de Manoel; já no álbum ele aparece como um dos editores do programa e o nome de “Marciano Temporão”.




Curiosidades
·                 A Língua do X  –  Sem dúvida, o álbum é o produto da Xuxa onde mais usam o recurso da língua da X. Usam e abusam! Tanto que na contracapa vem um aviso informando que as palavras tiveram sua grafia trocada de forma proposital e que tudo não passa de uma brincadeira. Provavelmente já fizeram isso prevendo a reclamação dos educadores que já implicavam, alegando que Xuxa estimulava as crianças a escrever errado.

Prextaram atenxão? Pode falar com X, mas tem que xaber escrever xerto, tá?

Só que tanta preocupação com o “X”, acabou desviando a atenção e o álbum traz um erro mais gritante que qualquer palavra escrita com x... Xerá que ninguém perxebeu exe “+” no lugar do “mas”? 


Faltou atenxão do pexoal da revisão...


·                 A Saga da Quarta Paquita  –  Quando Xuxa assinou o contrato (janeiro/87), Catuxa ainda não estava no programa e por isso temos apenas três Paquitas em boa parte do álbum. Notem que até na figurinha das meninas, Catuxa (Ana Paula Guimarães) parece ter sido incluída depois. Nas páginas apenas um desenho retrata as quatro meninas. Curiosamente quando o álbum saiu (junho), o programa já tinha cinco Paquitas, Roberta Cipriani já participava como a Xiquitita.

♫♫♫ ... A gente se multiplicou e dividimos alegria ... ♫♫♫


·                 Juntando figurinhas e moedinhas  – O álbum era vendido ao preço de Cz$40,00 e o envelopinho com dois cromos por Cz$ 3,00. O equivalente a mais ou menos R$10,70 e R$0,80 respectivamente. Se você nunca recebesse nenhum cromo repetido você gastaria cerca de R$86,70 para ter seu álbum completinho. Comparando com os álbuns atuais, o preço estava até em conta. Um álbum da novela “Carinha de Anjo” custa R$6,90 e você gastaria R$90,00 para completa-lo sem considerar nenhum cromo repetido.

Achar a figurinha que completa o álbum depois de meses: não tem preço
Bom, até tem, mas deixa pra lá!


·                 Previsão do futuro  – A figurinha nem estava na parte dedicada à Madame Caxuxá, mas mesmo assim fez a previsão de um dos refrões que estaria na boca dos baixinhos no ano seguinte...






Xou todo Xeu
Uma das figurinhas traz a mensagem “Xou todo Xeu”. Resolvemos levar isso a sério e se você não foi um dos 300 mil baixinhos a comprar o álbum em 1987 (ou se foi, mas não guardou direitinho), resolvemos o seu problema. Clique e faça o download do álbum completo para guardar para sempre, livre de traças, poeira e amassos...


E aí? Já fez o download? Esse álbum faz parte da sua história...
Afinal, você também faz parte da turma da Xuxa!





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