terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Box "Super Xuxa" + "Lua de Cristal": vale a pena ou não?

Em novembro desse ano, a caixinha da nostalgia de muito fã da Xuxa – e também dos entusiastas dos anos 80 – foi sacudida com a notícia de que dois dos maiores representantes do cinema infantil da época voltariam a ser comercializados em DVD: Super Xuxa Contra o Baixo Astral (1988) e Lua de Cristal (1990). Isso foi o suficiente para que as expectativas fossem alçadas a um nível não recomendado, mas perfeitamente compreensível.

DVDs de "Super Xuxa Contra o Baixo Astral" e "Lua de Cristal": de volta às lojas

Super Xuxa e Lua de Cristal foram lançados originalmente em VHS meses depois de seu lançamento nos cinemas. O mercado de home-video ainda engatinhava e quem quisesse ver e rever os filmes da loira tinha que recorrer às locadoras de vídeo. No início dos anos 2000, o formato VHS começou a perder força com a chegada do DVD. A Som Livre saiu na frente e lançou os dois filmes no “novo” formato.




SOM LIVRE
O primeiro título de Xuxa no formato DVD foi o volume 1 da série XSPB, que saiu em julho/2001 – quase um ano depois do lançamento da versão VHS + CD. Super Xuxa e Lua vieram depois. Apesar de as embalagens apresentarem o ano de produção como 2001, os DVDs só chegaram efetivamente ao mercado em 2002.



O diferencial dos DVDs, claro, era a promessa da imagem limpa e digital, mas havia mais: os “Extras”. Os dois filmes trouxeram o recurso DVD-okê (onde as principais músicas apareciam na versão karaokê), filmografia da Xuxa (incompleta) e uma espécie de making of, que se resumiu a depoimentos da loira e dos envolvidos na produção.

Filmografia, Making-Of e DVD-okê: "Extras" exclusivos da Som Livre

Infelizmente tais lançamentos nunca tiveram novas tiragens produzidas, o que os transformou em itens raros e muito desejados, principalmente depois que o hábito de se comprar DVDs passou a integrar o dia a dia do consumidor.


BRETZ FILMES
O anúncio do relançamento aconteceu na metade de novembro. Lojas virtuais anunciavam o lançamento de um box contendo os dois filmes para o dia 30/11. Passada a euforia do anúncio, os fãs notaram que a Som Livre estava fora disso e quem era responsável era a Distribuidora Bretz Filmes.

A Veja São Paulo noticiou o relançamento dos filmes em 22/11/2017


A Bretz era um nome totalmente novo no universo de lançamentos da Xuxa, mas não no mercado de distribuição de filmes, sobretudo os nacionais. A empresa existe desde 1990 sob o comando de Luiz Ernesto Bretz e é graças a ela que muitas produções - inéditas em DVD - chegaram às mãos dos cinéfilos.
Os Extras obviamente não entraram no relançamento pois foram feitos pela Som Livre, mas que fique claro: a Bretz nunca escondeu que os discos trariam o filme e nada mais.



O BOX SUPER XUXA + LUA DE CRISTAL
Para os lançamentos de Xuxa, a Bretz utilizou o mesmo estilo de alguns lançamentos prévios de seu catálogo: um box contendo os dois filmes. Na realidade é uma luva de papelão que acondiciona dois estojos tradicionais de DVD (um para cada filme), os populares Amaray®.




Aos mais atentos e exigentes já causa estranheza Lua de Cristal vir antes de Super Xuxa, pois o mínimo que se espera é uma ordem cronológica, mas isso parece ser justificado por um erro...
Ah, antes de falar disso, vale a pena conferir outros boxes lançados pela Bretz: o de Graciliano Ramos e o de Tom Jobim. Ambos trazem as obras em ordem cronológica de lançamento na imagem do box. Ou seja, não seria nada demais fazer o mesmo com Xuxa.

Os boxes de Tom Jobim e Graciliano Ramos respeitam a ordem cronológica das obras, por que com o da Xuxa foi diferente? Porque aparentemente eles escorregaram no próprio erro...


Chegamos ao primeiro deslize desse box. Basta olhar a contracapa e ver o ano que atribuíram a Super Xuxa: 1998! Como assim? Inaceitável um erro desses, porém ele justificaria o fato de Lua estar antes na arte do box. E o erro é repetido na contracapa do filme individual. Errar a data de um filme em um ou dois anos até passa, mas 10 anos?

Errar o ano de produção em dez anos?
Quem fez a revisão disso? O Titica? Parece que sim...

Uma possível explicação para a Bretz colocar 1998 como ano de produção pode estar num erro cometido pelo Jornal O Globo, no passado. Em 1998, a publicação lançou a campanha "O Globo no Cinema": a cada domingo uma VHS era vendida por R$3,90 junto com o jornal. Super Xuxa fez parte dessa coleção e na contracapa colocaram 1998 como ano de produção do filme. Uma confusão! De qualquer forma, um erro não justifica o outro.

O jornal o Globo também mereceu o "Selo Titica de Aprovação".
Confundiram o ano em que a publicação lançou o VHS promocional
com o ano de produção do filme...

É bom ressaltar que as artes das capas e contracapas dos filmes são fiéis às lançadas pela Som Livre. Não sabemos se isso é alguma norma contratual ou simplesmente quiseram deixar assim. O que não dá pra entender é por que piorar algo que já estava feito (de forma correta).


2001 x 2017: poucas mudanças, mas infelizmente não foram para melhor


Em Super Xuxa o texto da sinopse vem totalmente desalinhado, com erros de pontuação e digitação. A primeira tiragem do box chegou ao cúmulo de deixar passar o nome Baixo Astral grafado sem a letra “o”. O curioso é que se preocuparam em adequar a ortografia ao novo acordo da língua portuguesa, eliminando o trema, mas junto eliminaram os pontos de interrogação deixando a última frase sem sentido.

Quem comprou a primeira tiragem percebeu o "Baix Astral"


na segunda tiragem do box, o Baixo Astral ganhou seu “o” de volta, mas ainda de forma insatisfatória. É nítido que a empresa não tinha o arquivo da arte disponível e improvisou como pode a inclusão da letra “o”. Talvez até a 5ª tiragem esteja tudo certinho...

Já dizia a lagarta Xixa: "Se você não vê direito, o problema cresce , cresce..."
Pelo menos arrumaram o nome na segunda tiragem, mas podiam ter aproveitado o momento para corrigir os erros de pontuação, não é verdade? 


Para Lua de Cristal, a falta de revisão continuou, mas aqui o problema foi com as atrizes. Julia Lemmertz perdeu um M e Duda Little perdeu o L. No caso da primeira, o máximo que pode atrapalhar é na numerologia da moça, já a segunda mudou até de nome.
O curioso é que na contracapa do box está tudo correto, só no DVD individual aconteceu isso.
Aproveitando esse gancho da sinopse... Quantos relançamentos mais teremos que esperar para que corrijam o nome da personagem de Julia? Desde a VHS, a moça ganhou o nome de Cidinha. Não é possível que ninguém nunca pensou em corrigir isso! Lidinha, gente, L-I-D-I-N-H-A!

Pela confusão que arrumaram na digitação dessa sinopse,
parece que o próprio Bob cuidou disso...


Pelo menos a Bretz suprimiu a parte da sinopse em que fala que o Bob era um cantor famoso. Ponto para vocês, Bretz!


Antes tarde do que nunca! Depois de 25 anos, finalmente sumiram com a parte de que o Bob era um cantor famoso!


Vamos falar de outro acerto: as mídias. Sem dúvida a arte dos rótulos ficou bem melhor com a Bretz, deu vida ao produto.

As mídias coloridas da Bretz ficaram bem mais bonitas,
afinal "toda cor tem em si uma luz, uma certa magia..."


Já sobre as fotos das capas, a gente ainda está tentando entender por que a Xuxa parece ter saído de um pote de pó de arroz (Lua) direto para uma cuia de urucum (Super Xuxa).

Ok, mas não precisam levar o papo de "dar mais cor" tão a sério...
Pelo menos agora já sabemos como seria a foto de divulgação se houvesse
algum pote de urucum licenciado entre os produtos do filme...


A IMAGEM
Os DVDs da Som Livre eram mídias dual layer (8.5 GB), o que lhes permitia uma transferência de imagem com menor compactação. Além de ter espaço para os extras e o áudio 5.1 (que não é um 5.1 verdadeiro, mas tudo bem).
A mídia do relançamento é single layer (4.7 GB), o que já resulta numa qualidade inferior, pois o que antes estava alocado em pouco mais de 5GB (já descontando o espaço destinado aos extras da Som Livre) agora aparece distribuído em cerca de 3GB (Lua de Cristal) e 4GB (Super Xuxa).

Bretz: mídias de menor capacidade resultando em maior compactação

Levando em consideração que o arquivo do menu ocupa quase 200 MB, já se deduz que a imagem de Lua de Cristal em vários momentos vai apresentar pixelização (aqueles quadradinhos que aparecem em cenas com muitos detalhes ou com muito movimento). Um dos momentos em que isso fica mais gritante é no fim do filme durante a apresentação de Maria da Graça. Já Super Xuxa não sofreu perda considerável.

Reparem no fundo azul, pixelização evidente
Infelizmente...


Podemos chamar isso de desleixo? Não! Desleixo são os erros das contracapas. Isso podemos chamar de limitações. Não sabemos qual o orçamento que a empresa tinha para investir na produção, se cabia a compra de mídias dual layer, por exemplo.
Os menus da Bretz são bonitos e cumprem bem a função de ser apresentação ou direcionar para os capítulos. Não precisa mais que isso mesmo.



Bretz: cenas do filme ou estrelinhas giratórias: menus simples, mas bem feitos


VALE A PENA OU NÃO?
Essa questão é tão delicada quanto mexer com as referências da infância de alguém. Cada um sabe o que lhe satisfaz, mas uma coisa é certa: o relançamento da Bretz deixou a desejar em muitos aspectos técnicos, de qualidade mesmo. Mas esses filmes têm um fator que permite que lhes seja dado um olhar que vai além da exigência da imagem impecável: a memória afetiva.


Super Xuxa e Lua de Cristal representam mais que filmes da Xuxa, para muitos representam a primeira vez que entraram num cinema, para outros a lembrança das férias escolares e sua exibição na Sessão da Tarde ou simplesmente a memória de assistir junto de alguém que hoje já não está por perto. Complexo, não?

Se você tem as edições da Som Livre, guarde-as. Por enquanto são as melhores, o relançamento não lhe fará falta. Quem ainda não tem nenhuma, compre as da Bretz sem medo, pois é a chance de ter algo que lhe traz boas recordações por um preço justo (cerca de R$50,00 o box).




Agora é torcer para que a Bretz, Som Livre ou seja lá quem for descubra que existe um mercado interessado na carreira de Xuxa e consiga destinar um orçamento melhor para a produção dos itens. Que levem a sério os versos “tudo que eu fizer, eu vou tentar melhor do que já fiz”.




Comentários
2 Comentários

2 comentários:

Andrey Castro disse...

Eu tenho os dois da som livre mas em versão piratas que comprei por fã em 2008. Rodam até hoje (eu acho) e não me enche os olhos comprar os relançamentos.

Garo Bema disse...

...a melhor parte de todo texto, pura verdade,me deu um nó na garganta aqui.

"Super Xuxa e Lua de Cristal representam mais que filmes da Xuxa, para muitos representam a primeira vez que entraram num cinema, para outros a lembrança das férias escolares e sua exibição na Sessão da Tarde ou simplesmente a memória de assistir junto de alguém que hoje já não está por perto."

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