sexta-feira, 29 de junho de 2018

“Super Xuxa Contra Baixo Astral” - 30 anos

Venham comigo para o Alto Astral!” – Há 30 anos uma geração inteira de baixinhos aceitou esse convite e correu para os cinemas para ver o que aquela loirinha que eles já conheciam da telinha iria fazer na telona. É, falando assim, a gente já sente um pouco Vó Cascadura... Mas esse papo de se sentir velho é coisa de Baixo Astral, então lembre-se que a tudo tem dois lados e se você está aqui lendo esse texto é porque bateu a saudade de quando escolheu o lado de um certo Cristal.

Em 1988, nem precisávamos ter os poderes de vidência de Xixa, a lagarta cigana que sabe do passado, presente e futuro, para ter certeza de que não era “perigoso” investir num filme de uma super-heroína. Pelo menos não em uma que já tinha provado na televisão, na música e nos produtos licenciados o seu poder. Sim, não é exagero dizer que, mesmo antes mesmo do filme, Maria da Graça Meneghel já era a Super Xuxa!




Mesmo já tendo feito 5 filmes em seu currículo, Super Xuxa Contra o Baixo Astral tem aquele gostinho de estreia, afinal pela primeira vez tudo girava ao redor da loira. Ela não seria apenas a protagonista, mas também a responsável por escolher o projeto, que traria o seu DNA e os seus ideais.


A sinopse
Como o próprio nome já diz, o filme trata do embate bem x mal. Baixo Astral e seus lacaios Titica e Morcegão vão fazer de tudo para que o “bem se transforme em mal com a força do baixo astral” – clássica frase do antagonista no filme –, enquanto Xuxa com a ajuda de Xixa, XuxoRafa e alguns amigos que conhece na sua jornada, prova que o “mal se transforma em bem com a força do amor”. 



Lendo assim, parece algo clichê, mas existe bem mais por trás dessa história e tudo extremamente condizente com o que Xuxa sempre defendeu em seus programas. Esse é o primeiro ponto: Xuxa não é bem uma personagem no filme, lá está a mesma apresentadora de todas as manhãs, a diferença é que ela pode transitar num universo surreal impossível para a Xuxa da TV.

Declarações da loira durante as filmagens; nada diferente do que ela sempre defendeu em seus programas


Vou pintar um arco-íris de energia...
O verso inicial da principal música-tema traduz bem o processo de escolha do roteiro. Xuxa realmente dispendeu sua energia para que tudo saísse como ela queria.

“Porque se disserem ‘a grana só dá para 30% ou 50% do roteiro’ eu não faço. Tenho meu nome para cuidar, não é mesmo?” (O Globo – 08/06/1986)

Desde antes da estreia do Xou da Xuxa, a busca de um roteiro já era parte de suas atividades. Vieram “Xuxa no País das Maravilhas”, “As Aventuras de Xuxa no Planeta X” e “O Mundo da Fantasia”, masSuper Xuxa Contra Baixo Astral” foi uma paixão à primeira vista, como ela deixa claro no making of do DVD: “A mensagem era muito legal,  tinha tudo a ver com o que eu queria”.
                       
“Acredito na força do destino. Foi o melhor roteiro que me apresentaram. Mas não é só isso. De início, saquei uma agradável coincidência. Na sinopse de Anna Penido, a trajetória de meu personagem desenrola-se justamente através de um arco-íris. Isso me levou a uma imediata associação com o nome Xuxa. Pois no vocabulário chinês, existe uma palavra formada por essas sílabas que significa Arco-Íris Feliz”
(Revista Manchete – 06/02/1988)




E não foi só intuição, foi conhecimento de causa. O Jornal do Brasil de 19/06/1988, conta que há o dedo da Xuxa em cada detalhe. Foi ela que escolheu Michael Sullivan e Paulo Massadas para assinar a trilha sonora, supervisionou a escolha do elenco e selecionou desde cartazes até fotos de divulgação.


Conheço todo esse seu bê-a-bá...
Embora Super Xuxa tenha sido o primeiro longa-metragem de Anna Penido, a diretora já sabia o caminho que fazia a alegria infantil. Após dar aulas de arte para crianças, Anna, de mãe americana, procurou o American Film Institute, de Los Angeles, onde se ofereceu como voluntária e, tempos depois, dirigiu filmes infantis exibidos pelos canais Disney, Canal Z e CBS.

Anna era casada na época com David Sonnenschein (também diretor de Super Xuxa) e os dois voltaram para o Brasil em 1985 para fazerem cinema. Porém estava muito difícil e quase desistiram. Foi o pai da Anna que teve a ideia que mudou a sua vida: “Por que você não escreve um filme para Xuxa? Afinal, ela é a maior estrela do país” (Jornal do Brasil, em 09/02/1988) . Ela grudou na TV por alguns dias e soltou a imaginação em parceria com Antônio Calmon. Um amigo de um amigo do pai levou o argumento à Xuxa. Entre Xuxa e Anna foi entendimento à primeira vista.

“Escrevi o filme para ela, apostando na sua espontaneidade, na sua transparência. Ela é uma grande atriz e tem um brilho, uma luz que fala mais que todas as palavras que eu escrevi” (Anna para o Jornal do Brasil, em 09/02/1988 e 24/01/1988)


Declarações de Xuxa ao Jornal O Globo apontam a parceria que deu certo: 
A Anna tem um talento enorme e me tratou o tempo todo como uma estrela(22/06/1988)
Gostei muito de sua sinopse e do fato de nós, duas mulheres, trabalharmos juntas(19/02/1988)


Para tudo sempre existe solução...
O desejo de Anna, com o filme, era "casar a emoção brasileira com o ritmo da ação americana" (Jornal do Brasil, 09/02/1988). Mas, para fazer isso, era necessário um bom orçamento. Super Xuxa custou cerca de US$ 1,5 milhão (informação constante no making of do DVD), custo bem superior à média de outros filmes nacionais do período e até posteriores.
Nota: Lua de Cristal, produzido 2 anos depois, custou cerca de US$ 600 mil (Jornal do Brasil, 09/09/1990).

Para conseguir todo esse dinheiro, foram criadas algumas estratégias, como a criação de cotas e o uso de merchandising. No final de 1987, se você tivesse, pelo menos US$ 1.200 poderia adquirir uma das mil cotas de participação que foram colocadas à disposição tanto de pessoas físicas e jurídicas. Desta forma, um sócio desse projeto teria direito às receitas de bilheteria. Tudo devidamente auditado por empresas do ramo (Price Waterhouse e Arthur Andersen), já que o controle sobre a bilheteria não era tão eficaz como hoje.

Anúncio publicitário publicado nos jornais O Globo em 28/11/1987 e Folha de São Paulo em 30/11/1987. Detalhe para o 1º logo do filme, bem diferente do que conhecemos.

Baseando-se no prestígio de Xuxa, era praticamente óbvio de que todas as mil cotas seriam vendidas. Diler Trindade, um dos responsáveis pela Dreamvision, contou que o levantamento do dinheiro para a produção do filme aconteceu em três meses. Parte desse montante veio das cotas de merchandising...



Pode me dar agora o meu papel...
Um dos grandes destaques de “Super Xuxa Contra Baixo Astral” foi a utilização de merchandising no seu enredo. Em 03/03/1988, Diler Trindade falou à Folha de São Paulo que já haviam arrecadado US$ 750 mil em merchandising, fechando contratos com diversas empresas de marcas conhecidas.
Xuxa, desde as filmagens, sabia o que estava por vir; seria inevitável a avalanche de críticas, mas se mostrou tranquila e consciente:

Já estou me preparando para enfrentar as críticas dos que insistem em me chamar de agente do consumismo. Na esteira do meu sucesso comercial, muita gente está arrumando a vida. Estou criando novos empregos.                         (Manchete, 06/02/1988)




O fato é que isso existe desde sempre, principalmente no cinema americano, como lembrou Xuxa, e apostamos que você não começou a comer biscoito ou beber Coca-Cola só por causa do filme. E como tudo tem dois lados: será que algum pai ficou triste porque a criança pediu para escovar o dente porque viu o Rafa satisfeito por ter encontrado um tubo de Colgate depois de dias sem fazer sua higiene? Citando Xixa: “Só depende da sua visão”. Vamos relembrar os dez principais anunciantes?

➊ Triunfo: Os biscoitos que já patrocinavam os sorteios do Xou da Xuxa aparecem em dois momentos: É o primeiro merchan do filme (junto à aparição de Duda Little) e ainda aparecem quando Xuxa vai pegar um lanche, no momento do sequestro do Xuxo;

➋ Motos Agrale: A moto branca da Xuxa é dessa marca, cujo nome fica mais evidente na cena inicial do filme;

❸ Caloi: Enquanto Xuxa está na moto, as crianças a acompanham com bicicletas Caloi, que também patrocinavam os sorteios do Xou;

❹ Suvinil: Se a primeira cena do filme se tratava de “pintar um arco-íris de energia”, nada mais justo do que contar com um merchan de uma tinta;

❺ Coca-Cola: A marca de bebidas mais famosa do mundo aparece no filme diversas vezes: na cena inicial, na máquina de refrigerantes do Bob´s e na geladeira do Baixo Astral. Nesse mesmo ano iniciou-se a parceria da Xuxa com a Coca-Cola, que passaria a patrocinar o Xou até o seu término;

❻ Nestlé: através dos iogurtes Chambourcy: Bliss (na cena inicial do filme) e o Natural com mel (na hora do sequestro do Xuxo). A Chambourcy ainda patrocinaria o Xou da Xuxa em 1989.

❼ Colgate: Após ser capturado, Rafa acaba se sujando no buraco negro. Nesse momento, acaba achando uma pasta Colgate, que o ajuda a limpar seus dentes;

❽ Mimo: Durante o sequestro do Xuxo, Titica rouba uma boneca “Xuxinha”, produto que ainda não havia sido lançado no mercado, o que explica o modelo da roupa nunca ter sido comercializado.

❾ Tabacow: Era essa a empresa que fabricava o boneco do Xuxo. Durante a elaboração do boneco do filme, pediu-se à equipe do Cem Modos para que ele parecesse com o da Tabacow;

❿ Brinquedos Balila: Empresa que fabricava os bonecos “Lango-Lango”, um dos brinquedos mais icônicos dos anos 80. O sucesso dos brinquedos extrapolou o filme e nem sempre é associado a ele.

Toma lá dá cá: os produtos também adequaram seus anúncios ao filme



Sem essa de “deixar pro mês que vem...”
Com a agenda lotada, Xuxa deu um tempo nas gravações do programa de TV para se dedicar quase exclusivamente ao filme. As filmagens iniciaram no dia 18/12/1987. Após, Xuxa teve o recesso para natal e ano novo, voltando a filmar no início de janeiro até 12/02/1988, quando foi gravada a última cena (O Globo, de 18/02/1988).

Durante as filmagens em estúdio, Xuxa recebeu visitas curiosas: duas TVs americanas (O Globo, de 12/01/1988) e uma equipe da TV estatal soviética (O Globo, de 29/01/1988). A rotina da Xuxa era bem puxada: 12 horas diárias nos estúdios.

A cena em locação que dá início ao filme foi filmada entre os dias 20/01 e 22/01/1988 próximo ao posto de gasolina Itaipava, esquina com rua Rainha Elizabeth e avenida Vieira Souto, bem em frente à praia, reunindo em torno de 400 pessoas.

Sob um calor de quase 40° C, na manhã do dia 20/01, Xuxa filmou a parte em que o muro ainda estava pichado. Na parte da tarde, foi filmada a parte em que o muro já estava colorido. 

Já a cena final foi rodada no Parque da Cidade do Rio.

Eu Quero Saber...
>> Os truques de filmagem
Na ocasião do lançamento do filme, foi lançada a revista "Programa Cinema" com 20 páginas totalmente dedicadas a "Super Xuxa", trazendo o making of do filme.

☑Rio da Desunião: Para dar a impressão de estavam dentro da água, foram feitas duas telas grandes de filó cheias de peixes, que passavam em direção contrária ao movimento de câmera. Em cada extremidade do cenário, retroprojetores transmitiam o reflexo de bacias d´água mexidas por pessoas da produção. O polvo era operado por 4 pessoas por baixo do cenário. Já os peixes eram como luvas, mantendo-se o cuidado de não aparecer os braços dos bonequeiros. Xuxa teve que ficar junto ao boneco do boto em cima de um suporte giratório, montado numa estrutura de madeira;

☑ Xuxa "bruxa": A maquiagem da Xuxa foi toda feita por Antonio Pacheco e foi a própria quem decidiu o "grau de feiura" que devriam chegar. A revista ainda enfatiza que a "cereja no bolo" foi a incrível interpretação da Rainha. Na sequência em que a Xuxa "bruxa" está dançando um tango com Baixo Astral, Guilherme Karan pisou em falso e caiu de uma altura de 1,50m. Felizmente, foi só um susto. No making of do DVD, Karan também fala que nesse momento, ele estava preocupado em machucar Xuxa, devido as suas unhas que mais pareciam garras;

☑ Visual do Baixo Astral: A criação da roupa foi de Yurika Yamasaki (irmã da diretora Tizuka Yamasaki), que também foi a responsável pelos demais cenários do filme. Já a ideia dos olhos brancos veio de Karan, bem como a "baba prateada", feita de mel, farinha de trigo, Karo e uma pasta prateada alemã chamada Kryolan;

☑ Xuxa sendo sugada pela TV: Anna Penido elegeu essa cena como a mais difícil de ser filmada e, lendo a descrição de sua execução, realmente dá para entender o grau de dificuldade: uma combinação de vários efeitos de cenário, câmera e de montagem. O cenário da casa da Xuxa foi construído de cabeça para baixo, com a "televisão" (na verdade, uma caixa com uma luz azul) sendo colocada no teto. Xuxa teve que ficar suspensa em um trapézio. E devido ao fato da câmera ter filmado a cena numa velocidade mais rápida, teve-se o efeito de que Xuxa estava entrando na televisão.

☑O Cristal: o "mentor" de Xuxa no filme não era um elemento cenográfico: o cristal realmente existia e a produção o conseguiu com um colecionador de Minas Gerais;

☑ Muro das Ilusões: A revista deixa claro que a inspiração para essa sequência do filme veio do filme “Labirinto”. Quem teve a ideia de usar os espelhos para dar a impressão de que ele era infinito foi David Sonnenschein;




Parte de ti, parte de mim...
>> Os criadores de Xuxo e Xixa
"Super Xuxa Contra Baixo Astral" conta com diversos bonecos que ajudaram o filme a ficar com um clima bem lúdico. Dois em especial têm uma participação fundamental no longa: Xuxo e Xixa. Sabendo da importância deles na história, Anna e David convidaram a equipe do "Cem Modos" não apenas para fabricá-los, mas também fazer a manipulação.

Os membros do grupo "Cem Modos" na época do filme:
Luis Ferré, Roberto Dorneles e Pedro Girardello.

Pedro, gentilmente, nos concedeu uma entrevista. Ele nos conta que saiu do grupo em 1988, um pouco depois de ter participado da produção de "Super Xuxa". Pedro ainda chegou fazer algumas coisas para os shows da Xuxa e chegou a supervisionar a parte de adereços, esculturas e pinturas do Xou da Xuxa. Sobre o filme, ele nos disse que os dois bonecos (Xuxa e Xixa) foram produzidos em um prazo que variou de um a dois meses e que o trabalho era bastante ambicioso para a tecnologia que eles dominavam naquela época. Ele também nos conta que, infelizmente, os bonecos não existem mais devido ao fato deles terem sido feitos de espuma, um tipo de material que não dura muitos anos. Segue abaixo as peculiaridades de cada boneco, citadas por ele:

➡ Xuxo: Inicialmente, a intenção era fazer um boneco parecido com o Xuxo verdadeiro. A equipe da Cem Modos chegou a ir à casa de Xuxa e tirou várias fotos do Xuxo. Ao mesmo tempo, a produção do filme pediu para que eles fizessem algo parecido com um cachorro do seriado The Storyteller (criado por Jim Henson - o mesmo responsável pelos Muppets e também pelos bonecos do filme "Labirinto"). Porém, no meio do processo de criação, a empresa Tabacow (que produzia o Xuxo de pelúcia) negociou um ação de merchandising no filme, obrigando a Cem Modos adequar o seu boneco ao brinquedo. Por conta disso, algumas versões do Xuxo criadas não foram utilizadas.

Xuxo era manipulado por duas pessoas: Pedro Girardello operava o mecanismo de olhos e orelhas e Luis Ferré operava a cabeça, boca e pernas.


➡ Xixa: Foram feitos dois tamanhos da lagarta: uma pequena (para cenas nas quais era necessário filmar, ao mesmo tempo, a Xuxa e a Xixa) e outra num tamanho maior (para se conseguir ter mais expressões faciais). Pode-se ter uma ideia do tamanho maior de Xixa pela foto publicada no Jornal do Brasil de 09/02/1988, em que Anna Penido posa com o boneco. Essa versão foi operada por Luis Ferré e Roberto Dorneles na cena do Muro das Ilusões. Na entrevista, Pedro confirma que na criação da Xixa houve uma inspiração na minhoca de "Labirinto".




É preciso enfrentar tudo com alegria...
>> Kátia, a voz da lagarta cigana
Falando em Xixa, também conversamos com Kátia Moraes, a atriz e cantora que deu voz à lagarta! Kátia fez sucesso nos anos 80 com a música "Ligeiramente Grávida" (1986) época em que fazia parte do grupo "O Espírito da Coisa". Foi na divulgação dessa música que ela conheceu a Xuxa: "nunca conheci uma mulher tão linda como ela", diz Kátia.

Curiosamente a cantora não chegou a visitar os sets e nem se encontrou com a Xuxa durante as filmagens: "Eu gravei tudo com o Bira Castro. E a Anna Penido me dirigiu antes. Foi um processo solitário". Apesar de ser algo compreensível (visto que ela só colocou voz na personagem), isso chama a atenção, pois a "química" entre Xuxa e Xixa durante o filme é tão forte que parece que as duas realmente estavam juntas. No making of do DVD, Xuxa ressalta o quanto gostou da Xixa no filme, ao ponto de querer dar um prêmio para a personagem.

Uma das coisas que o público mais gostou em Xixa é seu senso de humor sarcástico. De acordo com Kátia, o roteiro dava espaço para improvisação e alguns momentos, como o da Xixa cantando um pedaço de "Eu Vou p'ra Maracangalha", "provavelmente" foram ideias dela, diz a cantora.

Kátia teve por inspiração para criar a personalidade da lagarta um "espírito infantil, brincalhão, cigano, sabedor da vida que improvisa e acha soluções prestando atenção na intuição". 

Kátia Moraes, a dubladora de Xixa: "É bom saber  que a voz da Xixa carregou vida para as telas"


Só depende da sua visão...
>> “Super Xuxa” é uma cópia de “Labirinto”?
Uma das maiores injustiças cometidas contra “Super Xuxa Contra Baixo Astral” é acusá-lo de ser uma cópia do filme “Labirinto – A Magia do Tempo” (1986), protagonizado pelo cantor David Bowie. O problema é que as pessoas apenas replicam esse discurso, ao invés de assistirem aos dois filmes para tirarem as próprias conclusões. Convidamos a todos fazerem isso. Mas caso não queiram, segue um resumo da trama de “Labirinto”:



Sarah, a protagonista, vive numa casa com seu pai, seu irmão caçula e sua madrasta. Seu pai pede que ela tome conta do irmão enquanto ele e sua esposa vão sair à noite. O bebê está chorando muito e Sarah não está com a menor paciência. Em um momento de raiva, Sarah recita as falas da peça que ela estava ensaiando, desejando que seu irmão seja raptado por duendes. Para a sua surpresa, isso se torna realidade e aparece no seu quarto o rei dos duendes, Jareth (David Bowie). Sarah argumenta, dizendo que falou aquilo da boca para fora, mas Jareth rebate dizendo que o que está dito, está dito. Mas mesmo assim, ele dá uma chance para Sarah: ela tem 13 horas para atravessar um labirinto cheio de dificuldades e chegar até o seu castelo. Caso ela não conseguisse, o seu irmão seria transformado definitivamente em duende.


Pronto! Viram tanta semelhança assim? Não, né? A trama é totalmente diferente de “Super Xuxa”. Sarah e Jareth têm personalidades e desejos completamente díspares de Xuxa e Baixo Astral. Enquanto Xuxa quer salvar o mundo com sua energia positiva e resgatar seu cão que foi raptado, Sarah é uma adolescente temperamental que está tentando consertar o erro que cometeu. Pode-se dizer que os dois se assemelham ao ter um sequestro como o estopim das duas tramas, mas se for assim, até mesmo “Os Heróis Trapalhões”, lançado uma semana antes de “Super Xuxa”, é uma cópia de “Labirinto”, pois a história deste gira em torno do resgate de Angélica, sequestrada por um terrorista.

Mas, afinal, por que então que “Super Xuxa” é acusado de ser uma cópia de “Labirinto”?

A revista "Programa Cinema" dedicada ao filme revela que o "Muro das Ilusões" foi inspirado no muro que aparece no longa estrelado por David Bowie


Além do muro, em "Labirinto" tem uma minhoca que inspirou visualmente a lagarta Xixa, como foi confirmado por Pedro Girardelli. Sim, visualmente, pois a personalidade da minhoca (que sequer tem um nome no longa) é totalmente diferente de Xixa. Enquanto esta é enérgica, cheia de senso de humor e de sabedoria, a minhoca de “Labirinto” é formal, amorosa e, como a própria enfatiza, é apenas uma minhoca, que supostamente não sabe qual caminho Sarah deve seguir no labirinto. Inicialmente, o papel das duas nos filmes é o mesmo: elas mostram para as protagonistas que os muros não são o que parecem ser e as ajudam a continuar a sua jornada. Contudo, enquanto a minhoca de “Labirinto” só aparece no filme por menos de dois minutos, Xixa continua acompanhando Xuxa pelo resto do filme.


Parece mas não é: enquanto a minhoca de Labirinto mal aparece, Xixa tem toda uma história e personalidade própria

Ou seja, fica claro que todos esses elementos foram usados apenas como uma inspiração, em contextos e de maneiras completamente diferentes. Também é importante destacar que a inspiração no filme não era negada pela produção, visto que foi admitida publicamente na revista especial.


Outras inspirações:
"Super Xuxa Contra Baixo Astral", na verdade, é um produto de sua época. A década de 80 contou com uma produção bastante fértil de filmes de diversos gêneros, sendo que uns influenciavam os outros e ainda continuam influenciando a cultura pop até hoje. Além de “Labirinto”, outras obras também foram utilizadas como inspiração para “Super Xuxa”:

▶ “História Sem Fim” (1984): Neste filme de fantasia, Atreyu (Noah Hathaway) busca o conhecimento de Morla o ancião, uma tartaruga gigante. Já em Super Xuxa, a nossa Rainha acaba tendo conselhos da Vó Cascadura (Henriqueta Brieba), um cágado fêmea muito sábio, que vive aos pés da Árvore do Conhecimento;




▶ “Captain Eo” (1986): Já as unhas compridas do Baixo Astral, vieram do personagem “Líder supremo”, do curta “Captain Eo”, que era exibido unicamente nos parques temáticos da Disney.



E, óbvio, é impossível falar desse curta sem dizer que veio dele a influência visual de Xuxa. A roupa que seu ídolo, Michael Jackson, usa em “Captain Eo” foi adaptada para “Super Xuxa” pela mãe da Xuxa, Dona Alda Meneghel;




O filme ainda faz algumas citações:
▶ Programa “O Céu é o Limite” (apresentado durante 30 anos por J. Silvestre, aquele do último Xou da Xuxa, lembra?): na hora que Baixo Astral fala que o Rafa era o infeliz ganhador do jogo “O Inferno é o Limite”;
▶ Desenho Lippy & Hardy, da Hanna-Barbera: no momento em que Titica e Morcegão falam “oh vida, oh azar”;
▶ Michael Jackson - parte 2: prestes a ser derrotado, Baixo Astral canta a música-título do álbum Bad (1987);



Pré-estreias do filme
A primeira exibição do filme foi no dia 20/06/1988, 10 dias antes da estreia nacional, no pequeno auditório do Banco Bozano Simonsen (um dos patrocinadores). Estavam presentes os representantes de empresas que investiram no filme como o presidente do próprio banco, o diretor de marketing da Shell e o presidente da Tabacow. Também passaram por lá os diretores do filme (Anna e David), Michael Sullivan e Paulo Massadas, pessoas da produção do Xou da Xuxa, a jornalista Leda Nagle, familiares da Xuxa (como sua irmã Solange) e cerca de dez crianças. No final da projeção, Xuxa se levantou, tentando disfarçar algumas lágrimas, que logo se tornaram em um choro emocionado, primeiro abraçada à Anna Penido, depois à Solange, todas chorando.



Já a pré-estreia voltada ao elenco e equipe aconteceu em 25/06/1988, no Barra Shopping - Rio de Janeiro/RJ. No final da exibição, Xuxa entregou um mini Oscar à Henriqueta Brieba. Era para a loira ler uma mensagem para a atriz, mas ela estava tão emocionada com o carinho das crianças que estavam presentes no shopping que ficou com medo de chorar e passou a mensagem para Anna Penido ler.





Ainda houve uma terceira exibição especial do filme com a presença da Xuxa no dia 09/07/1988, desta vez no cine Astor, em São Paulo/SP. Foi uma sessão beneficente voltada a alunos de escolas da rede pública municipal para deficientes auditivos, crianças de creches e instituições filantrópicas. 

São Paulo pode não ter recebido sessões de pré-estreia,
mas a loira compensou fazendo uma exibição especial no Cine Astor


Estratégias de divulgação:
A divulgação do filme começou cedo. Em abril/1988, 90 cinemas do Brasil passaram a exibir um teaser de 45 segundos, para esquentar o mercado para o lançamento do longa (Jornal Folha de São Paulo, de 01/04/1988).
Três shoppings receberam brinquedos inspirados em cenários do filme: BH Shopping (Belo Horizonte/MG), Ribeirão Shopping (Ribeirão Preto/SP) e Barra Shopping (Rio de Janeiro/RJ). Reportagens publicadas no Jornal do Brasil dos dias 08/05/1988 e 01/07/1988 detalharam um pouco do que as crianças iriam encontrar: sete brinquedos, entre eles, um enorme túnel, o cristal de energia e um chamado "Procura do Baixo Astral” (o único que era necessário pagar para entrar nele). Nos shoppings ainda havia um grande painel com uma foto da Xuxa, para as crianças tirarem fotos.

Super Xuxa contra a inflação: e não é que Xuxa conseguiu o congelamento dos preços dos ingressos durante um mês, além de um desconto para as sessões matinais? 
Levando em consideração que a inflação acumulada de 1988 chegou a 980,22%, essa foi uma grande conquista.


Estreia nacional do filme e repercussão:
Super Xuxa” entrou em cartaz no Brasil inteiro, em mais de 90 cinemas em uma data emblemática: 30/06/1988, dia em que Xuxa estava completando 2 anos de Xou da Xuxa.

No programa especial, transmitido ao vivo, a Rainha recebeu
Anna Penido e David Sonnenschein para divulgarem o longa


No dia da pré-estreia, Xuxa chegou a declarar que no dia 30/06 ela escolheria um dos oito cinemas cariocas que estavam exibindo o filme para, desta forma, sentir de perto a reação das crianças (jornal O Globo, 26/06/1988). Entre a crítica especializada, as opiniões foram mistas. O Jornal O Globo cobriu o filme de elogios, com o seu famoso “bonequinho” aplaudindo, ressaltando o alto padrão técnico (de nível internacional) e que Xuxa “brilha com seu poder de comunicação”. O filme também foi elogiado pelo jornal Tribuna da Imprensa: “Vem com um acabamento de arrebatar até mesmo altinhos (...) O resultado chega a ser espantoso perto do que se vê por aí”.

Por outro lado, criticou-se que “faltava ao roteiro um mínimo de encadeamento” (Revista Veja) e que havia “desníveis imperdoáveis, como o boto e os pássaros da Árvore do Conhecimento” (Jornal do Brasil). Ambas as publicações também criticaram os excessos de merchandising. Contudo, o Jornal do Brasil ressalta que há bons efeitos especiais (como na cena em que Xuxa é sugada pela televisão) e que os bonecos do Cem Modos são de nível internacional. E as duas publicações elogiaram o Baixo Astral: “Guilherme Karan está simplesmente genial” (Jornal do Brasil); “os melhores momentos do filme são justamente os que mostram o temível Baixo Astral” (Revista Veja).

Guilherme Karan como Baixo Astral: atuação elogiada pela crítica



Cara metade, tudo é amizade...
>> A Bilheteria
Naquelas férias de julho, as crianças tinham dois bons motivos para ir ao cinema: Xuxa e Os Trapalhões. Sim, o quarteto de humoristas também lançou seu filme: Os Heróis Trapalhões.
Com isso criou-se uma disputa – na imprensa – sobre quem levaria a melhor nas bilheterias. Tentaram criar uma rixa que não passou de história para vender revista, principalmente porque o filme dos Trapalhões acabou tendo uma bilheteria maior que Super Xuxa. A loira ria de tudo isso e dava declarações bem humoradas:

 “São trabalhos diferentes. O filme deles é uma comédia com quatro homens. O meu é uma mulher com um bichinho de pelúcia”. (O Globo, 22/06/1988)

E engana-se quem pensa que esse resultado de Xuxa (a bilheteria final, de acordo com o Xuxa.com, é de 2.816.000 espectadores) é ruim; no final das contas, essa “guerra” era totalmente benéfica para o cinema brasileiro, como comprova o quadro abaixo:

Dos 4 filmes de maior bilheteria do ano, 3 eram brasileiros (dois dos Trapalhões e o de Xuxa)


Que eu faço um brinquedo de papel maché...
>> Os Produtos do filme
O projeto da Dreamvision previa o lançamento de diversos artigos relacionados ao filme, como bonecos articulados de vários personagens, a criação de um videogame baseado no filme, além outros produtos (Jornal do Brasil, 24/01/1988).
Porém, visto que o “lango-lango” era um produto independente do filme, bem como o boneco do Xuxo já havia sido lançado em 1987, no final das contas, só foram lançados três produtos: um álbum de figurinhas, a VHS do filme e o disco com a trilha sonora.

Álbum de figurinhas, disco e VHS: os produtos oficiais licenciados do filme

              
Vai ficar tão colorido...
>> O Álbum de Figurinhas:



O álbum foi lançado na semana de estreia, pela Editora Globo. Estimava-se que seriam vendidos 300 mil exemplares e 15 milhões de envelopes (cada um com duas figurinhas). São 156 “supercromos” autocolantes que contam a história do filme.



Curiosidade: entre as figurinhas, temos algumas cenas vistas de outro ângulo ou até mesmo outtakes (cenas que não foram utilizadas no filme). Por exemplo: numa delas, Xuxa aparece com o Baixo Astral, ainda disfarçado, e o personagem está com uma roupa diferente da que usou no filme. Como isso é possível? Foram utilizadas fotografias de still (tiradas nos bastidores de um filme e que às vezes registram ensaios das filmagens). As fotos do álbum são creditas à fotógrafa Delfina Rocha.

As duas figurinhas mostram a mesma sequência de cenas, porém, a da esquerda mostra Guilherme Karan com um figurino que não vimos no filme.


Mais uma cor que já vai chegar...
>> A VHS do filme



A fita foi lançada pela Globo Vídeo na primeira quinzena de agosto/1988.  A aposta nas vendas era grande. Segundo a Folha, “Super Xuxa” foi o título mais etiquetado de julho/1988. E pode-se considerar que o filme foi um sucesso em VHS: em agosto e em setembro, é possível ver em rankings publicados nos jornais que ela foi uma das fitas mais vendidas e também uma das mais retiradas nas locadoras.



Curiosidade: Em 1998, o jornal O Globo relançou várias fitas, através da ação “O Globo no Cinema”. Nas edições dominicais, pagando mais R$ 3,90, levava-se uma VHS e o respectivo pôster. “Super Xuxa Contra Baixo Astral” foi vendido junto à edição do dia 05/04/1998.

A ação do jornal O GLOBO: chance de ter a VHS do filme dez anos depois do seu lançamento

Lançamento do filme em DVD em 2002 e 2017: Com relação a esses dois lançamentos e as suas diferenças, temos um post especial, que pode ser lido clicando aqui: Super Xuxa em DVD.


O primeiro lançamento em DVD aconteceu em julho de 2001, pela Som Livre.
No ano passado, a Bretz Filmes adquiriu os direitos de distribuição e relançou o filme num box junto com Lua de Cristal.


Quem canta seus males espanta...
>> A Trilha Sonora
Um dos pontos altos de “Super Xuxa Contra Baixo Astral” é a sua trilha sonora, criada exclusivamente para o filme. As letras foram criadas por Anna Penido, algumas em parceria com Paulo Massadas e outras em parceria com Paulo Guerra. Já as melodias ficaram por conta de Michael Sullivan e Paulo Massadas.



O lançamento estava previsto para outubro de 1988, segundo o diretor executivo da Dreamvision, Marcello Mello (Estado de São Paulo, 29/07/1988), porém não aconteceu e somente na segunda quinzena de fevereiro de 1989, o disco chegou às lojas.




A partir de 23/02/1989, nos jornais O Globo e Jornal do Brasil, é possível encontrar anúncios de venda do LP/K7 em grandes lojas. No dia 27/02/1989, foi a vez da Som Livre colocar um anúncio publicitário no jornal O Globo, divulgando a trilha de “Super Xuxa” juntamente com outros lançamentos, como a trilha nacional da novela “O Salvador da Pátria”.

As vendas foram tímidas: 106.041 cópias, ainda garantindo o disco de ouro. Quando a trilha saiu, o filme já não estava mais em cartaz e o disco Xou da Xuxa 3 reinava absoluto na preferência dos baixinhos, as datas-chave (Dia das Crianças e Natal) já tinham passado e Xuxa não demoraria muito para começar a divulgar seu próximo disco. Muitos empecilhos para um disco só.

A versão em fita K7


Se no filme somente Arco-Íris é executada na íntegra, na trilha todas as canções estão completas, bem diferente das versões de menos de 2 minutos que conhecíamos das telas do cinema.

Curiosidades:
▶ A faixa "Ei Machão" no longa é cantada pela personagem Xixa (Kátia Moraes), enquanto no disco os vocais foram trocados pelos da cantora Vanessa, na época recém-saída do Trem da Alegria.

▶ Muitos fãs acreditam que "Burocracia" é cantada pela ex-Paquita Tatiana Maranhão, mas na verdade quem interpreta é a Tatiana Ferreira, atração recorrente no Xou da Xuxa.

▶ No filme, "Eu Quero Saber" é interpretada apenas por Xuxa, enquanto na versão do álbum a música tem a participação do grupo Central Africana. Mesmo assim, o grupo aparece nos créditos finais do filme, ao contrário de Vanessa (Ei, Machão)

▶ No lançamento em DVD de 2001, as faixas Arco-Íris, Ei Machão, Voar, Voar, Sonho, Eu Quero Saber e Alto Astral faziam parte dos extras (DVD-kê), tanto nas versões normais quanto em karaokê (o instrumental original com acompanhamento de piano). Como a tiragem em CD é praticamente inexistente, foi a forma de se ouvir essas faixas em versão digital.

▶ "Eu Quero Saber" foi regravada em 2006 para o especial de TV "Natal Todo Dia" (Rede Globo).



Sem pressa e sem medo pra qualquer lugar...
>> O Lançamento Internacional
Desde a sua concepção, havia a intenção de lançar “Super Xuxa Contra Baixo Astral” no mercado internacional. Embora tenha sido divulgado  - não oficialmente -  que o filme estaria disponível para toda América Latina, Estados Unidos e Espanha já no final de 1988, isso não aconteceu. Somente em 1991 o filme chegou à América Latina.

Anúncios de cinemas argentinos ressaltam que o filme era dublado em espanhol
(só não falaram que não é a Xuxa que dubla...)



Na Argentina, o filme também ganhou um suplemento especial para sua divulgação

O momento era propício pois Xuxa já tinha seu programa diário falado em espanhol, o Show de Xuxa. Na Argentina, ele foi lançado em 04/07/1991. Em programas próximos à data, Xuxa costumava exibir o trailer do filme, além de cantar Arco-Iris.




No Chile, ele também foi lançado em julho. Uma reportagem do Jornal do Brasil de 16/07/1991 fala que o longa-metragem estava fazendo sucesso no país, com vários cinemas tendo grandes filas.

No VHS o filme também foi redublado para o espanhol,  mas infelizmente não pela Xuxa. 
Morcegão virou "Perezoso" (Preguiçoso) e Titica virou "Mugre" (Porcalhão)


A carona no sucesso latino de Ilariê na capa da VHS argentina

O filme ainda teve outras exibições no exterior:

▶ Ainda em 1988, junto com “Os Heróis Trapalhões”, ele passou no “Festival de Filme Humorístico” da Lombardia - uma região da Itália (Diário do Pará, 18/09/1988);

▶ O filme também foi exibido no 11° Festival de Cinema para Crianças - realizado em Corbeil-Essonnes, periferia de Paris (Folha de São Paulo, 23/02/1990);

▶ Em 17/09/2011, ele foi exibido em Los Angeles através do CineFamily, que organizava semanalmente no Silent Movie Theatre sessões de filmes considerados cults.


>> Exibições na televisão:
A primeira exibição de “Super Xuxa Contra Baixo Astral” na televisão foi em horário nobre e por uma boa causa: abrindo a campanha “Criança Esperança”, ele passou no Super Cine (Rede Globo), na noite do dia 10/10/1992; já sua última exibição na emissora aconteceu em 15/12/2000.


Na TV paga, foi exibido diversas vezes (mais de uma vez por ano) entre 1999 e 2004 no Canal Brasil, as últimas exibições foram em 11/06/2011 na Globo Internacional e em 29/07/2012, pelo canal pago infantil Gloob.


Não queremos esse mundo cheio de poder...
>> O Retorno do Baixo Astral
Como um bom filme de super-herói que se preze, “Super Xuxa” também contou com uma “cena pós-créditos”, que indicava a possibilidade de uma continuação.
Já que o filme não teve uma sequência nos cinemas, o Baixo Astral cumpriu a promessa e voltou em 1996 no Especial de Dia das Crianças “Direito de Ser Feliz” (Rede Globo). Nele, Xuxa e Guilherme Karan disputam um jogo de tabuleiro que aborda os direitos das crianças. Apesar de ser chamado de “Karan” durante boa parte do especial, é evidente que o ator está interpretando uma versão mais leve do Baixo Astral. E se no filme, o personagem é irredutível nos seus "ideais", a versão apresentada na TV é mais aberta ao diálogo e, no desenrolar do especial, ele se sensibiliza a ponto de terminar cantando "Arco-Íris", o que deveria ter feito no filme.

O retorno do Baixo Astral oito anos depois em especial para a TV Globo


Tá na hora de descobrir o que ele pode refletir...
>> Curiosidades
🌈 O atual colega de Xuxa na Record, o jornalista Cesar Filho, quase participou do filme, de acordo com nota publicada no Jornal O Globo, de 04/10/1987. Será que ele seria o apresentador da TV Fim?;

🌈 “Super Xuxa” foi o primeiro trabalho nos cinemas de atores que ganhariam futura notoriedade: Jordana Brewster (atriz da franquia “Velozes e Furiosos”), Luiz Carlos Tourinho (que, inclusive, ainda faria mais dois filmes com a Xuxa) e Tuca Andrada;

🌈 Durante as filmagens que Duda Little foi convidada a fazer um teste para o “Jornal da Xuxa”, iniciando, assim, uma marcante parceria com a loira;

Duda Little: de figurante dos biscoitos para apresentadora na bancada do Jornal da Xuxa


🌈 Quem colaborou no roteiro foi Antonio Calmon, que já tinha experiência em produções infanto-juvenis, como o filme “Menino do Rio” (1982), o seriado “Armação Ilimitada” (1985-1988) e ainda faria novelas icônicas como “Top Model” (1989) e “Vamp” (1991);

🌈 Em agosto/1988, o Barra Shopping chegou a expor figurinos de "Super Xuxa Contra Baixo Astral", ao lado de figurinos de outros filmes, em comemoração aos 90 anos do cinema brasileiro (O Globo, de 22/08/1988).

🌈 Em 1993, a capa da última edição da Revista da Xuxa (Editora Globo) reproduziu um dos momentos mais marcantes do filme. Entretanto, não há qualquer história relacionada ao filme em nenhuma das 60 edições da coleção.

A última edição para bancas da Revista da Xuxa trouxe uma cena de Super Xuxa na capa


Emoções em forma de poesia...
>> O que vale nessa vida é ser feliz! 
Falar de "Super Xuxa Contra Baixo Astral" para o público que foi criança nos meados dos anos 80 e 90 é mexer num cantinho sagrado. O valor afetivo dessa lembrança é maior do que qualquer número de bilheteria ou cotação da crítica especializada.

Se pudéssemos estar dentro daquelas salas de cinema hoje, olhando para todas aquelas crianças, duvidamos que haveria alguém incomodado por existir uma minhoca falante em outro filme, pela roupa ser igual a de outro artista ou por algum efeito não ter ficado tão especial como deveria. 

Foi com Super Xuxa que muitos conheceram um cinema pela primeira vez, se encolheram na cadeira ao ouvir a risada do Baixo Astral, ficaram aflitos ao ver Xuxa transformada para o mal e respiraram aliviados no desfecho da batalha final.

Hoje as falas da lagarta fazem mais sentido, afinal “tudo o que se vê, não é o que parece” e “se você não vê direito, o problema cresce, cresce”. Super Xuxa, por morar na caixinha da infância, tem esse diferencial: você pode ver como adulto e pensar nas comparações, nos efeitos, na técnica ou pode simplesmente vê-lo como há 30 anos você viu: com olhos de criança.

Como não sabemos o olhar que você vai ter, temos um "presente" para esses dois pontos de vista. Se você prefere a parte mais técnica, acreditamos que vai gostar da revista Programa Cinema; mas se você está se sentindo com 8 ou 10 anos enquanto lê esse texto, não temos dúvida que o Álbum de figurinhas é a sua publicação favorita. Então, sem mais delongas, clique nos links abaixo e faça o download dessas publicações.

Clique aqui para fazer o download da
revista "Programa Cinema"


Clique aqui para fazer o download do
álbum de figurinhas do filme


Se vocês decidirem compartilhar esses arquivos, pedimos que divulguem a origem. Assim outras pessoas podem ter a oportunidade de conhecer mais sobre a carreira de Xuxa. Temos muito orgulho de mostrar tudo que ela nos proporciona há mais de 35 anos. Obrigado por nos entenderem.

Agradecemos a Pedro Girardello e Kátia Moraes, que gentilmente nos concederam entrevistas e, claro, à Xuxa, pois foi ela quem deu vida e verdade a todas as palavras ditas no roteiro.

Ah, se a vida adulta dificultar o resgate daquele(a) baixinho(a), a Super Xuxa disse numa das cenas: “dentro de nós existe uma luz que nunca se apaga, basta sorrir”...




Comentários
2 Comentários

2 comentários:

Helian Faria disse...

Como sempre arrasando nas postagens ate me emocionei amo o Lua de Cristal mais sem duvida o Super Xuxa é o mais marcanre para mim quando se trata de filme da Rainha ❤❤❤

AMONTE disse...

Lindo!

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