terça-feira, 14 de maio de 2019

Xuxa na roda-viva do sucesso (Revista NOVA - Abril 1983)

Umas das coisas mais bacanas de se voltar no tempo é ver o quanto nós melhoramos com o passar dos anos; geralmente isso diz respeito à aparência, os gostos, às ideias... Melhor que isso é ver alguém que admiramos há tanto tempo, ainda hoje mantém sua essência exatamente como há mais de 30 anos e que, ao contrário do que muitos dizem, nunca foi um personagem.


Foto: José Antonio


Convidamos você a ler a primeira matéria que a revista Nova (Cosmopolitan) (1973-2018) fez sobre nossa Rainha, em abril de 1983. Mas antes, vale a pena lembrarmos alguns fatos:

▶️Essa não foi a primeira capa da loira para a publicação, foi a segunda. Xuxa fez dez capas, sendo a primeira em 1981 e a última em 1996.
▶️Aparecer na capa da Nova não era sinônimo de matéria interna. Pelo contrário, a regra era realmente só estampar a capa e pronto! Portanto, conseguir uma matéria de 4 páginas, além da capa, como foi o caso de Xuxa, era realmente um feito.
▶️São 4 páginas e UMA foto na matéria, ou seja, muito texto! Então vamos lá... Ah, você vai encontrar notinhas que fizemos em alguns parágrafos para lhe ajudar a se situar melhor no ano de 1983.



Ela caminha com graça pela casa, vestindo apenas o necessário: um mínimo short branco e uma miniblusa vermelha que quase descobre os seios conhecidamente belos. Mas que ninguém julgue Xuxa pelo pouco que veste – nesta família, a nudez é simplesmente uma coisa natural, nunca existiu, para nenhum dos cinco irmãos, uma exigência de pudores sem razão de ser. Para eles, o corpo é belo, é natural. É saudável, sobretudo. E se as pessoas se espantaram com a naturalidade da família de Xuxa em aplaudir suas famosas fotos sem roupa, sem dúvida os Meneghel até hoje se cobram com a cobrança que lhes fazem de uma atitude que sempre foi cotidiana para eles.

E a cabeça da menina – Maria da Graça – de 20 anos só aguentou as agressões sofridas pela nudez exposta graças ao carinho e ao apoio dos pais e irmãos, uma família que se gosta, se protege, se curte, e não deixa que ninguém seja ferido por estranhos. Tranquila, com um sorriso que ilumina o rosto inteiro e uma simpatia que conquista ao primeiro contato, Xuxa não dispensa a carinhosa proteção e a companhia constante de D. Alda – sua mãe e empresária – e de Bladimir – seu irmão e melhor amigo.
Nota do blog: Desde que começou a modelar, Xuxa ganhou ares de símbolo sexual e as revistas gostavam de explorar esse lado. Poucos meses antes, em dezembro de 82, havia saído seu ensaio de nu para a Playboy, um dos mais pedidos na publicação.


No início da década de 80, as revistas vendiam a imagem de Xuxa como sex symbol, em contramão à realidade: Xuxa estava mais interessada em passar seu tempo com os animais ou com sua família

O cabelo bem curtinho, quase dourado, os olhos miúdos, o narizinho bem-feito dão-lhe um ar de menina sapeca que contrata agradavelmente com o corpo perfeito de mulher. E, certamente, esta combinação é o segredo do seu sucesso. Bebendo chá digestivo (ela faz alimentação natural desde os 13 anos) e comendo balinhas de canela (“aquelas que o ET gosta de comer, no filme”), Xuxa fala muito, sem bloqueios, sem preparar frases de efeito. Por que este sucesso com as crianças? Xuxa responde: “Já me disseram que isso é só porque estou na moda. Quer dizer, se o E.T. está na moda, as pessoas gostam dele. Se a Xuxa está na moda, as pessoas gostam dela. Mas não acho que seja por aí, acho que é porque o meu trabalho é verdadeiro, é natural, é sincero”.
Nota: O filme E.T. - O Extraterrestre tinha sido lançado no Brasil também em dezembro de 1982 e era a febre do momento, por isso as citações de Xuxa ao simpático alienígena. Se fosse nos dias de hoje ela usaria alguma referências a Vingadores Ultimato ou Game of Thrnoes... Mas o mais interessante é ver que o interesse das crianças já existia, mesmo ela ainda não tendo feito nenhum trabalho para elas. É, não era moda, como ela achava. Era destino.


Muita gente acha que o que atrai a garotada é o ar sapeca de Xuxa, o fato de ser dentucinha. Ela acrescenta a isso a alegria e a soltura com que faz o seu trabalho: “Nunca fiz um trabalho em que não me expandisse, conta ela. Comecei a fazer fotos com 16 anos, em plena adolescência, e sempre fazia minhas fotos brincando, pulando, rindo muito. Estou sempre dando gargalhada, é difícil eu fazer coisa séria. Estou sempre mostrando os dentes, ou rindo com o olho. Apesar de que eu não gosto muito de tirar fotos sorrindo, porque me acho muito bochechuda, mas as pessoas dizem que esta já é minha marca registrada”.

Foi a caminho de uma aula de ginástica olímpica que Xuxa recebeu o convite, no meio da rua, para ser fotografada. Desconfiou, a princípio, de que não passasse de uma desculpa de paquerador. Mas, afinal, o convite coincidiu com seu desejo de aparecer na capa das pequenas revistas de fotonovelas. Um desejo modesto diante da sua beleza e de seu potencial fotogênico. Mas Xuxa jamais deu importância ao fato de ser atraente. “A única vez que eu quis entrar num concurso de beleza, lembra ela, foi quando fui eleita ‘Rainha do Carnaval’. Mas só porque eu tinha 13 anos e não podia brincar o carnaval à noite, que era uma coisa que eu queria muito, sendo eleita eu pude entrar no baile lá em Coroa Grande. Depois, fui ´Miss Objetiva´ com 16 anos, e eu curti, achei um barato.
Este desejo secreto de ser capa de revista, ainda que modestamente, foi que levou Xuxa a passar por cima da desconfiança e aceitar o convite.


O concurso "Miss Objetiva" em que Xuxa tirou o primeiro lugar aconteceu em novembro de 1979


“No começo, eu ia sempre com a minha mãe. As pessoas me diziam que eu precisava fazer coisas como cortar meu cabelo, que era enorme, e eu fui aceitando tudo numa boa. Teve um dia que eles disseram que a gente ia fotografar na Barra da Tijuca, e que minha mãe não podia ir. Eu sempre tinha ouvido falar que no mundo da fotografia tinha muita sacanagem – mas hoje eu sei que é como em qualquer outro meio, depende da sua cabeça. E fiquei com um pouco de medo. Eu já estava toda maquiada e tomei uma decisão: fui. E deu tudo certo. A partir dali começou a aparecer muito trabalho. No primeiro ano em que trabalhei fiz 59 capas”.




A presença da mãe nunca foi motivo de constrangimento para Xuxa, ao contrário – ela não faz nada sem antes conversar com a família, trocar ideias, se orientar. Mas as pessoas com quem trabalhava não sabiam bem como agir com aquela mãe por perto. O aprendizado era difícil. Obedecer a ordens como “dá mais o ombro” – que ela não tinha a menor ideia do que significava – ou “faz cara de tesão” – coisa que também não imaginava como pudesse ser – foi algo que ela conseguiu intuitivamente. E, depois, entendeu que os fotógrafos são realmente os únicos professores de uma modelo, os únicos capazes de lhe ensinar como se aperfeiçoar, além de um meticuloso trabalho de observação do resultado das próprias fotos, comparando e sacando o que poderia trazer um efeito melhor.

Pois, para espanto geral, foi exatamente a mãe desta menina inexperiente e um tanto ingênua quem abriu as portas para que ela mostrasse o corpo ao público. D. Alda mesma é quem conta: “Eles tinham que fotografar a Xuxa de camiseta, e não estavam bem sabendo o que fazer. Eu então sugeri que pusessem uma camiseta amarela nela, e depois ela se molhasse, para a camiseta grudar no corpo e ficar transparente”. O espanto foi geral, naturalmente. Mas é que D. Alda, além de nunca ter tido problemas com a nudez dentro de casa, encara o nu como parte da profissão da filha e sabe “que a sensualidade está no ar hoje, as garotas gostam de se sentir mais soltas”. Portanto uma foto mais atraente vende mais, funciona bem. “E o corpo da minha filha é muito bonito mesmo, acrescenta ela.
Nota: Essa, sim, era a personagem que Xuxa encarnava: a de mulher sensual, vulcão em erupção (como a Playboy a nomeou em 1981). Nesses relatos vemos o quanto Xuxa estava distante dessa realidade, era apenas seu trabalho como modelo, não seu estilo de vida.



A única foto da matéria mostra que Xuxa vale ouro. Curiosamente, esse mesmo ensaio deu origem à terceira capa da loira para a revista NOVA, oito meses depois
Foto: José Antonio


Certamente foi difícil as pessoas entenderem, no meio profissional, esta menina que era tão ingênua, mas que, por outro lado, trocava de roupa sem pudor na frente dos outros. Como era possível fazer isto, e, ao mesmo tempo, não fumar, não beber, não transar, não tomar droga nenhuma. “As pessoas não entendiam, me chamavam de bobinha, ou me botavam palavrões como apelido”, lembra Xuxa. “Eu ficava meio encucada com isso, mas depois foi passando, e o pessoal se acostumou com meu jeito.”

Assumir a profissão lhe custou muitos amigos. Seus pais sempre lhe deram total apoio. Mesmo quando o capitão Meneghel, um tanto a contragosto, trazia para a casa os pedidos de autógrafos para seus superiores, ou via a foto de sua filha nos armários dos soldados, mesmo nestas horas ele jamais teceu um comentário que pudesse desestimular Xuxa. Dolorosamente todos eles foram descobrindo que ser Xuxa, ou ser parente dela, tem um preço alto: é muito raro encontrar alguém que se aproxime deles por amizade sincera, e não por interesse. Mas também isso foi uma situação assumida coletivamente, solidariamente. Xuxa chegou a perder uma grande amiga, porque ela cismou que o namorado estava interessado numa troca. E Blad descobriu que um sujeito que se fizera passar por um grande amigo durante muito tempo queria apenas ir para a cama com sua irmã.

Além dos amigos perdidos, existe ainda a competição feroz entre as manequins. Xuxa foi chamada para trabalhar na passarela, além de fotografar. E sentiu logo o peso da “panelinha”: “Quem trabalha como manequim está na profissão há quinze anos e não deixa ninguém entrar. São as ‘titias’. Eu, pra trabalhar na passarela, mesmo tendo um nome em fotografia, tive dificuldades, porque elas te olham de lado, não te emprestam nada. Se for possível quebram o salto do sapato que você vai usar, dão nó na calça que você vai vestir. Muitas vezes já desfilei descalça por causa disto. Cada vez está ficando mais difícil, porque o pessoal novo tem muita coisa par mostrar, tem gente que aprendeu dança e outras coisas, e usa isto no desfile, e então as ‘titias’ não deixam mesmo ninguém entrar, porque elas têm medo. Em fotografia não é assim, o meio é mais saudável”.


E não foram poucos os dissabores enfrentados por Xuxa, que abre seus desfiles vestida numa roupa colante, cheia de brilho, mostrando nas passarelas as artes aprendidas no jazz e na ginástica olímpica. Das sabotagens às arapucas, essa menina viveu, em seus quase três anos de profissão, muita situação ruim, muita coisa dura de se aguentar. Mas aguentou sempre apoiada pela presença da mãe. E não foram poucos os convites para trabalhos que nunca existiram, que eram apenas tramitações para convencê-la a transar com pessoas quaisquer, a troco de muito dinheiro. Mas tudo tem sido superado com muita elegância e bom humor. E as compensações do clima de cooperação que existe entre as modelos fotográficas, segundo Xuxa, “um esquema mais irmão”. Onde, pelo menos, não se rouba a roupa das companheiras na hora de entrar na passarela. O que faz Xuxa topar essa briga? O espírito profissional. A consciência de não decepcionar um público que “quer ver um bom trabalho”. Que ela faz questão de mostrar com a maior correção. Mesmo que tenha que entrar no palco com lágrimas nos olhos e os nervos em frangalhos.
Nota: E como era de se esperar, a imagem vendida pelas revistas causava impressões erradas nas pessoas que, nessa época, tinham mais dificuldade em separar a ficção da realidade. É interessante observar um detalhe para o estilo dos desfiles de moda, um tanto diferentes do que vemos hoje. Antes as modelos faziam pequenos números de dança na passarela, não era só mostrar a roupa como hoje.

Mas não é só a família quem segura a barra de Xuxa: existe também aquele que ela chama de seu professor, um professor de vida – Pelé. Um romance discutido, uma amizade profunda. Pelé surgiu na vida de Xuxa exatamente quando ela, atormentada pelos telefonemas anônimos e pressões ameaçadoras que sua família recebe, estava decidida a sair de casa para poupá-los destas coisas desagradáveis. E nesta altura dos acontecimentos foi chamada para posar ao lado de Pelé. Conflitada pela decisão de sair de casa, pediu a ele, que acabava de conhecer, um conselho. E perguntou também sobre um trabalho que haviam lhe oferecido no exterior. Desde então, Pelé tornou-se seu conselheiro a quem ela inevitavelmente consulta antes de qualquer decisão importante, pesando a opinião dele com o mesmo carinho com que pesa a de seus pais e irmãos. Nem por um momento passou pela cabecinha loura dessa moça que poderia desgastar sua imagem tendo uma relação afetiva com Pelé, assim como não tinha pensado que pudesse gastar esta mesma imagem fotografando muito, aparecendo muito nas revistas e filmes de publicidade. “eu acho que o que te queima, diz ela, não é a maneira como você trabalha, mas sim a maneira como você age”.

E é isso que a leva a afirmar com toda tranquilidade que “é melhor ser a Xuxa do Pelé do que ser a Xuxa de qualquer um que não faça o meu esquema, que não seja como eu quero. Ele é uma pessoa que todo mundo curte, eu conheço bem a pessoa que ele é, conheço lá dentro dele e é ótimo”.


Xuxa e Pelé na Califórnia (EUA) em março de 1983

No começo ele temeu que Xuxa pudesse ficar marcada por este rótulo de ser a “Xuxa do Pelé”. Mas a moça é tinhosa e não engoliu, nem deixou Pelé dar pra trás. Apesar de estar apaixonada, Xuxa não considera exatamente um namoro a relação dos dois, porque a distância é grande, ambos viajam muito, e se veem relativamente pouco. “Mas se eu tiver que escolher uma companhia para sair, vai ser sempre ele”, afirma Xuxa.

E Xuxa conta com uma aliança poderosa: a dos filhos de Pelé que gostam dela, muito. “A pequenininha que é a Jennifer, de 4 anos, fica fazendo poses, me imitando. Uma vez ela puxou o cabelo pra trás e perguntou pro pai: agora você vai gostar mais de mim? E ele disse: Por quê? Aí ela respondeu: Porque eu tô com o cabelo igual ao da Xuxa”, conta ela, deliciada. E a amizade por Pelé se estende também aos pais dele, Dondinho e D. Celestinha, que Xuxa considera “uma grande filósofa”, como sua própria mãe.
Nota: Xuxa estava no meio de seu namoro com Pelé, apesar de já ter passado um pouco a fase de se referirem a ela como “a namorada do Pelé”, ela mostra que isso incomodava mais a ele que a ela, que tinha consciência que o namoro a ajudou, sim, a ligarem o nome à pessoa, mas fez questão de frisar suas muitas capas antes mesmo do namoro. Coisa que muita modelo não fez na carreira inteira.

Do lado de cá, nenhum problema, nem quanto ao choque das pessoas pelo fato dela ser loura, e ele, negro. Pelo contrário. D. Alda faz questão de afirmar: “nossos melhores amigos são pessoas negras”. E Xuxa conta uma curiosidade: sua paixão de início de adolescência foi um rapaz negro que morava no seu prédio, Dunga, responsável pelo primeiro beijo que ela recebeu na vida. E mais: Xuxa sempre declarou que, se não pudesse ter filhos, iria adotar uma criança negra, por que a maioria prefere sempre os lourinhos, e ela é contra essa discriminação.

Muita gente cobra ainda a diferença de idade entre Xuxa e Pelé (ela tem 20, ele tem 43). Mas isso também não a assusta: na opinião de Xuxa eles se equilibram. Pelé lhe traz calma, ela acelera seu pique. Pelé a faz ser sensata, racional; ela o faz mais doce, menos desconfiado. E, além disso, Xuxa sempre gostou de homens mais velhos. Garante também que “mulher envelhece mais rápido” e aí, a diferença de idade não pesa.

Esta relação de pouco se verem satisfaz Xuxa inteiramente, mesmo porque ela é contra o casamento. Casar é coisa que só faria se fosse indispensável para agradar alguém amasse muito, mas prefere não ter que se atrelar por vínculos de papel. Logico, não dispensa a ideia de viver junto, “mesmo porque, diz ela, é tão difícil hoje em dia encontrar alguém com quem a gente se dê bem que, quando a gente consegue, tem mais é que ficar junto mesmo”. E já fez quase três anos que ela e Pelé acham “muito bom sentir saudades um do outro”. De qualquer jeito, Xuxa jura que Pelé não tem nada a ver com o fato dela sempre ter gostado de futebol e jogar com os irmãos, sendo mestra nas “embaixadinhas”.

Definitivamente, Xuxa separa inteiramente sua vida afetiva do lado da profissão que a coloca como sex symbol. Faz questão de avisar às pessoas que a agridem ou a idolatram por causa disso que “ser símbolo sexual é uma coisa para vender revistas, é uma mentira”, que nada tem a ver com sua real personalidade. E considera, por exemplo, os soldados que pregam suas fotos nos armários como pessoas que “curtem o meu trabalho. Pôr as fotos no armário é uma interpretação que eles fazem do trabalho, assim como as crianças fazem outra interpretação”, diz ela.


O ensaio também serviu para divulgação da promoção "Modelo do Ano" realizada pela grife Jeans Patt's e a revista NOVA


E, realmente, essa imagem profissional sedutora não corresponde ao aprendizado complicado que Xuxa teve do sexo: “Aos 11 anos eu acreditava que a gente ficava grávida com um beijo. E descobri por uma amiga, numa revistinha de sacanagem, que era muito mais do que aquilo”, lembra ela. “Fiquei uns dois dias sem dormir, imaginando tudo que tinha lido, coisas como o carrasco pegando a mulher. Nunca imaginei que precisasse ter um relacionamento em que o homem e a mulher ficassem nus e fazer tudo aquilo, apesar da minha mãe ter me falado de menstruação, de funcionamento do corpo. O primeiro que tentou pegar no meu seio, dei um soco nele. E quando comecei a fazer fotografia, ficava pensando se as pessoas não me achavam idiota porque eu não transava, e aí eles me punham apelidos e eu ficava com ódio. Mas depois foi uma coisa que foi acontecendo naturalmente. Passou aquela vontade que eu tinha de jogar pedra, bater nas pessoas que mexiam comigo na rua. A descoberta do sexo foi, afinal, pra mim, uma coisa supergostosa, supernatural. É uma coisa que não dá pra falar, não tem palavras, a gente pode se expressar errado, ou então vai estar faltando alguma coisa, de tão grande que é”.
Nota: Não é de hoje a birra de Xuxa com a formalização do casamento, viram só? Também podemos ver  mais uma prova que o vulcão das revistas não era nada disso, era super tranquila com relação ao sexo e esperou as coisas acontecerem naturalmente, sem atropelos... por mais que quisessem apressá-la nisso.

E é assim que ela vai levando com cautela sua vida tumultuada, sem sábado, domingo ou feriado, trabalhando a ponto de desmaiar de cansaço. Por que? Simplesmente porque não é capaz de dizer não a um pedido de trabalho, a não ser que fareje alguma possível safadeza. Calejada, mais alerta, ouvindo os conselhos de Maruska e Solange, suas irmãs, ou de Cyrano, o outro irmão, Xuxa prossegue enriquecendo sua relação fundamental com a lente da câmera fotográfica, a única coisa que existe para ela quando está no estúdio.

E, por causa dessa paixão, adiou a outra, cultivada desde criança: o desejo de ser veterinária, viver entre bichos e plantas, com quem adora conversar. A matrícula feita, e trancada por falta de tempo, está esperando que Xuxa envelheça um pouco, pois segundo ela, esta profissão é coisa que dura um tempo certo, depois acaba. E, quando acabar, sua intenção é comprar uma fazenda e realizar o velho sonho. Por enquanto seu carinho pelos animais é saboreado apenas por Xuxo, seu cãozinho fila.


Xuxa durante as filmagens do longa "Fuscão Preto": mesmo trabalhando, Xuxa aproveitava para demonstrar seu amor pelos animais. No detalhe, Xuxo, ainda filhote, quando foi dado de presente à Xuxa numa das gravações


Por causa da fotografia, ela resiste à tentação de fazer cinema (já fez dois filmes: Amor, Estranho Amor e Fuscão Preto) mais vezes. E recusa papéis em teatro por medo de provar dessa droga que atrai tanto as pessoas. De qualquer modo, quer se aperfeiçoar profissionalmente antes de mergulhar no trabalho de atriz, principalmente empostar sua voz, da qual não gosta.

E se realiza e se sente feliz com o clique das fotos e afirma: “É um ritual, é uma ilusão, e é uma festa. Porque você é mil e uma. E isto é bonito”.
Nota: Finalizando, um pouco de tudo que a gente já conhece na Xuxa de sempre: a vontade de ser veterinária, a importância dada à família, Xuxo e até sua insatisfação com a própria voz.

De volta a 2019...
É ou não é uma viagem e tanto? Saber o que se passava na cabeça daquela modelo que nem imaginava tudo que lhe esperava e o melhor, como dissemos, é ver que ela é a mesma de sempre, pois não existe essa ou aquela Xuxa, só existe XUXA!


Não existe essa ou aquela Xuxa, apenas existe "a" XUXA

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