sexta-feira, 22 de maio de 2020

Xuxa - O Disco em Espanhol ▸ 30 anos




Fechando a nossa série de matérias sobre o início da carreira internacional de Xuxa, chegou a hora de falarmos daquilo que todo cantor que quer o sucesso fora do Brasil precisa fazer: um disco destinado ao mercado internacional. Com Xuxa não foi diferente, mesmo ela não se considerando cantora. O fato é que, para as empresas que faziam a gestão de sua carreira e, principalmente, para seu público, Xuxa era cantora, sim! E de sucesso!


Quase 3 anos após a estreia do “Xou da Xuxa” e com mais de 8 milhões de cópias vendidas de seus 3 primeiros álbuns na Som Livre, o sucesso de Xuxa já não era restrito ao Brasil. O “Xou” era sintonizado em países vizinhos através de antenas parabólicas e chegou a ser comprado por uma emissora de TV do Paraguai, que o exibia (em português mesmo). Isso explica porque Xuxa começou, a partir de 1988, a mandar “besitos” para os “niños” de outros países durante as gravações.


Claro que isso não passaria despercebido à imprensa mundial. A loira já era notícia na mídia não só da América Latina, mas também nos Estados Unidos.

Mesmo sem disco ou programa lançados nos EUA, o sucesso de Xuxa já ganhava as páginas dos jornais americanos desde 1987



📊 Globo Records
Desde o início dos anos 80, a Som Livre (gravadora do Grupo Globo) possuía uma representação no exterior – a Globo Records – para lançar artistas nacionais e latinos em países como os Estados Unidos, Itália e França. Milton Nascimento, Toquinho e Elis Regina são exemplos de artistas que tiveram álbuns lançados pelo selo Globo Records em outros países. As ramificações da Som Livre na Europa e nos EUA lhe garantiam uma fatia de 20% do mercado fonográfico (Jornal do Brasil, 31/05/1988), mas o pedaço poderia ser maior...

Em janeiro de 1988, a Globo Records firmou parceria com a Telemundo - rede de televisão americana dedicada a comunidade hispano-americana dos EUA - para se fortalecer no mercado latino. Enquanto isso, Xuxa se tornava a recordista de vendas de discos no Brasil, o “Xou da Xuxa 3” caminhava a passos largos para seu 3º milhão de cópias. Nem precisamos dizer quem seria a nova grande aposta da Globo Records.

Coletâneas, artistas nacionais e internacionais: a Globo Records jogava em todas as posições para ganhar o jogo da indústria fonográfica nos anos 80/90




📋O projeto
O ano de 1989 chegou e as notinhas de que Xuxa iria lançar um disco todo em espanhol começaram a aparecer. A previsão era que em junho estivesse tudo pronto, mas a data precisou ser postergada.

O lançamento do primeiro disco em espanhol de Xuxa estava previsto para o 1º semestre de 1989, mas acabou adiado para o fim do ano

No “Xou da Xuxa” de 01/06/1989, Michael Sullivan revelou que o álbun estava sendo produzido e o coro seria gravado, em breve, em Los Angeles. Naquele momento, Xuxa havia acabado de voltar de suas férias, estava prestes a lançar mais um disco aqui e ainda não tinha feito nenhuma apresentação fora do país, o que era fundamental. O disco em espanhol precisaria de um tempo maior...



🌎 A primeira apresentação no exterior
Atenção: o ideal seria que você, caro leitor, neste momento, já tivesse lido a parte 1 das nossas matérias. Se quiser fazer isso, clique:
O início da Carreira Internacional ║Parte 1║
A apresentação fora do Brasil aconteceu, e nem demorou muito. No dia 1º/07/1989, Xuxa foi nossa representante no evento “Salud Para Todos”, realizado em Miami. Mesmo cantando suas músicas em português (o disco em espanhol não estava pronto), Xuxa estava, oficialmente, produzindo conteúdo para o público internacional.

“Fui em Miami cantar Ilariê em português no “Salud para Todos” e eu estava receosa, pois mesmo sendo uma língua parecida com o espanhol, o público (hispânico) se embola para entender o nosso idioma, assim como nós temos dificuldade de entender o espanhol”.
Xuxa para a Radio 98 FM em 26/03/1990


Com novos convites para apresentações no exterior surgindo, o processo de gravação do álbum se acelerou.




🎯1, 2, 3... vamos todos de uma vez
Nesse meio tempo, duas novas empresas quiseram apostar na nossa "Midas": Univision - maior emissora americana de programação em língua espanhola - e a Toys R Us – rede internacional de lojas de brinquedos com mais de 1500 filiais no mundo.

Os executivos da "Toys..." buscavam algo “hispanic” que causasse um frisson e fosse exclusivo. Giora Breil, diretor de marketing da Univision não hesitou e mostrou para a empresa de brinquedos o fenômeno Xuxa.

“Foi feita uma proposta com exclusividade de 6 meses pela rede infantil "Toys R Us" nos Estados Unidos, para lançamento dos produtos XUXA, incluindo o CD, K7 e Vinil”
Max Pierre em entrevista ao Xuper Blog em fevereiro de 2020


A gigante das lojas de brinquedos "Toys R Us" nos EUA fechou um contrato de exclusividade para distribuição do disco nos primeiros 6 meses 


Tiro certeiro! Certeiro, mas não fácil. A agenda de Xuxa estava cheia: lançamento do 4º Xou da Xuxa em poucos dias (11/07), gravações do programa e preparativos para a turnê, que teria início em agosto. E ainda era preciso um tempo para estudar o espanhol. Para isso, a cantora e compositora Graciela Carballo veio ao Brasil ensinar a Xuxa a pronúncia do castelhano e garantir sua impostação de forma correta nas gravações.


🙅Graciela Carballo
No Brasil o nome poderia passar despercebido, mas na Argentina todos sabiam bem quem era a moça. Suas composições representam basicamente a parte mais popular da discografia da cantora Amanda Miguel. Ok, Amanda Miguel também é pouco conhecida aqui, mas se dissermos que ela já vendeu 30 milhões de discos, pode-se ter uma dimensão do que representa, certo? Graciela chegou a se aventurar como intérprete em 1985 e lançou um único disco. 



Como já dissemos, a aposta em Xuxa no mercado latino era alta e por isso a experiente Graciela foi chamada para coordenar a voz da loira e também realizar a versão de metade das músicas do disco. E ela veio para ficar; do “XUXA” até o “Solamente Para Bajitos”, Graciela desempenha a função.



🎙️ Processo de gravação
Somente em setembro de 1989 Xuxa entrou em estúdio para gravar seu vocais. Todo o restante já estava pronto: coro e mixagem dos arranjos.



Mesmo a Globo Records tendo sede em Los Angeles, todos os vocais da loira foram gravados no Brasil.

“Após a cantora ter feito as novas gravações no Rio, a fita foi encaminhada para o Studio 55, em Los Angeles, para a colocação de dois coros em espanhol, um de adultos e outro infantil.”
Jornal O Globo, 02/11/1989

Falando em coro, as Paquitas não participaram dos coros, como acontecia nos lançamentos daqui. Max Pierre, coordenador artístico do álbum, nos esclarece o motivo:

“Além da direção em espanhol da Xuxa, Graciela Carballo teria que dirigir a pronúncia de cada uma das Paquitas em uma língua que ainda não dominavam. Isso levaria muito tempo e, talvez, sem um bom resultado final.”

Apesar de alguns arranjos parecerem diferentes e com uma melhor qualidade sonora, nenhuma base instrumental foi regravada. Todas foram remixadas a partir dos arranjos originais. Como acontece com a maioria das músicas, nem todos os instrumentos gravados são aproveitados na hora da mixagem. Neste processo das versões em espanhol, alguns instrumentos sobressaíram ou foram reaproveitados em relação à versão brasileira, causando a diferença em comparação às nossas.

“Como eram faixas de discos diferentes e precisávamos obter a mesma sonoridade entre elas, optei por remixar as músicas. A qualidade superior se deve a masterização em Los Angeles, na época superior à feita no Brasil.”


Não houve nova gravação, todos os arranjos das músicas do disco provêm da remixagem dos originais, graças às fitas master de cada álbum


✅ Seleção de repertório
O disco conta com apenas 10 faixas (o mesmo número do primeiro disco na Som Livre) escolhidas entre os três primeiros discos do “Xou”. Obviamente as mais populares, com “Campeão” correndo por fora, já que por aqui ela não foi tão trabalhada.

“A seleção do repertório foi feita com sugestões de Xuxa, Marlene Mattos, Sullivan & Massadas, Hélio Costa Manso (gerente do escritório da Globo Records em Los Angeles) e minhas.”   Max Pierre

A maior parte das músicas são do “Xou da Xuxa 3”. São cinco faixas, contra três do “Xegundo Xou da Xuxa” e duas do primeiro “Xou da Xuxa”. Nas matérias desses discos já explicamos a história de cada faixa, portanto vamos nos ater às principais diferenças das adaptações em relação às originais.


As músicas escolhidas de cada disco nacional para formar o repertório do disco em espanhol

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A faixa que abre o álbum foi a primeira música de trabalho. Com o sucesso estrondoso no Brasil, a escolha era óbvia. Não foi difícil repetir o desempenho nos países onde foi lançada, tornando-se o carro-chefe. Sem grandes alterações nos arranjos, a modificação mais evidente ficou na letra: “este és el show de Xuxa y los saluda com amor”.

Lembrem-se que não havia programa, gibi ou aquela infinidade de produtos ilustrados com a turma da Xuxa, o mercado latino ainda não sabia quem eram Xuxo, Dengue, Praga. E as Paquitas, para eles, eram apenas dançarinas da Xuxa (tanto que alguns veículos de imprensa as chamavam de “xuxinhas”); assim não havia como falar em “turma da Xuxa”.

Curiosidades:
1. Ilarié foi a primeira música em espanhol apresentada no exterior, no Festival OTI. Por aqui a versão também ganhou importante espaço: substituiu a versão em português no 1º bloco do “Xou”.



2. Versão edit: Nas apresentações, Xuxa cantava uma versão um pouco mais curta, sem fade-out e sem seus vocais na introdução. Nunca lançada em LP, K7 ou CD, essa é a versão que está nos streamings desde 2016, quando o álbum foi incluído nas plataformas de música digital.

3. Alô, Cristina: A versão da música mais famosa ficou a cargo de Cristina Larraura, que também adaptou Juguemos a Los Indios, Dulce Miel, Receta de Xuxa e El Circo. Ao contrario de Graciela, Cristina só trabalhou como letrista neste disco de Xuxa.

4. Miga, posso copiar? Em 1989, Angelica Vale, cantora mexicana, lançou sua versão em espanhol de Ilariê antes de Xuxa. Por essa razão, muitas pessoas chegaram a pensar que Xuxa estava regravando a música de Angelica. Pode uma coisa dessas? A versão "mexicana" tem uma letra pouco parecida com a versão de Xuxa. A diferença maior fica no refrão: "Ilari, Ilari Ilarié oh oh oh / Bailar hasta que el cuerpo se derrita de calor"


Se você não a conhece como cantora, talvez se lembre da novela "A Feia Mais Bela" exibida pelo SBT; ela é a atriz principal


5. Miga, posso copiar - parte 2: No Peru, havia um programa infantil chamado "El Show de Juli" que era totalmente baseado no "Xou da Xuxa". Tinha nave, Paquitas, sol... tudo igual. Claro que haveria versões das músicas da Rainha e Ilariê foi uma delas em 1989 (também antes do disco de Xuxa sair). A versão da moça foi feita por Jorge Manuel Tafur e é bem mais próxima da letra da adaptação feita por Cristina Larraura.

6. Este és el show de _________ y los saluda con amor: As regravações de Ilarié começaram já em 1990 pelos artista latinos, mas não demorou muito para se espalhar por outros países: Bélgica e França (Lou & The Hollywood Bananas, em 1990) e Alemanha (Grupos Buttons, Las Chicas International e Fun Factory  - todos em 2005). Nota do blog: consideramos as versões lançadas em espanhol.

7. Ilari Ilari Ilariê Gol Gol Gol: Na Argentina, Ilariê, logo que estourou, foi adaptada para as "hinchadas" do futebol. Já em 1990, a torcida do Boca Juniors criou a versão cantada até os dias de hoje nos estádios: "És la hora / És la hora / É la hora de ganar / Pongan huevos los Xeneizes / que tenemos que ganar / Y dale, dale, dale Bo oh oh oh". Em setembro do ano passado, um apresentador argentino pediu que Xuxa cantasse a versão adaptada para o concorrente do Boca Juniors, o Independiente, substituindo "Bo" por "Ro", já que o time é conhecido como "Rojo". Eita...

8. Exitos + Ilarié 2.0 + Na Gaveta: No ano de 1993, a faixa aparece na primeira e única coletânea internacional da loira: "Xuxa - Todos Sus Exitos". Em 1996, Xuxa regravou Ilarié para o disco "Xuxa Dance" (Polygram/Mercury) com arranjos em ritmo pop para não destoar das demais faixas do disco. Dez anos depois, 2006, nova regravação para o projeto "Xuxa Fiesta", que ficou só na vontade, pois o lançamento do disco foi cancelado. Nesse mesmo álbum também estariam outras músicas do XUXA: Dulce Miel, Danza de Xuxa, Juguemos a los Indios e Arco Iris.



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A segunda música de trabalho do disco também não fez feio nos charts dos países onde o disco foi lançado (mais detalhes no final da matéria). Arco-Íris” foi apresentada pela 1ª vez no programa Sábado Gigante (Chile), gravado em Miami na mesma viagem que Xuxa fez para participar do Festival da OTI. 


Curiosidade: Lembram do clipe exibido no nosso especial de Natal em 1990? Pois então, Xuxa também gravou a versão em espanhol naquela época, mas ele só foi exibido em 1991 num especial exclusivo para a América Latina.



Por aqui, a versão em espanhol também foi bem divulgada no “Xou” durante o ano de 1990.






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Apesar de bem trabalhada no programa, a versão em português não chegou a estourar na época do “Xou da Xuxa 3”; mesmo assim, foi uma das escolhidas para o álbum em espanhol.

Xuxa fez algumas apresentações da música (Festival Viña del Mar, por exemplo), mas não chegou a ser uma música de trabalho, se tornando b-side do single de Ilarié (já já falaremos disso).

A principal diferença na letra fica por conta da troca dos nomes dos personagens. Se na versão em Português as citações fizeram com que a música ficasse restrita ao universo do Xou da Xuxa, na versão em espanhol seus nomes foram substituídos por nomes comuns espanhóis ou algo mais genérico (no caso das Paquitas, que viraram lindas niñas). 


Como os latinos não estavam habituados à Turma da Xuxa, a solução foi trocar por nomes próprios mais comuns


Curiosidades: 
1.“Bombón” ganhou um clipe gravado no cenário do “Xou da Xuxa” em 1991, sem plateia, exibido no já citado especial da América Latina.



2. E a referência a Roberto Carlos e sua fala em "O Calhambeque"? Foi mantida, pois "Calhambeque" também era conhecida na América Latina. Roberto a lançou em 1965 com o nome de "Mi Cacharrito" e conseguiu boa repercussão.




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Seguindo a mesma ideia da versão original, a música não teve grandes alterações na letra ou nos arranjos. Até mesmo o “pão de queijo” citado na música, iguaria tipicamente brasileira, foi mantido na versão em espanhol como “pan de queso”.  Foi uma das faixas menos trabalhadas.







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“Campeão” é um exemplo de música de Xuxa que obteve mais relevância na sua versão em espanhol do que na original. Apesar de também não ter se tornado um single, “Campeón” foi bastante trabalhada no “Show de Xuxa” (Argentina) em 1991 e foi cantada algumas vezes no programa do Brasil. A letra adaptada preservou praticamente toda originalidade da composição. Foi b-side de Danza de Xuxa, na Espanha em 1990.
Curiosidade: nas apresentações, a performance era bem diferente do Brasil. Para cantar a música, Xuxa sempre chamava uma criança para ficar ao seu lado, enquanto cantava sentada no palco.







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Uma das canções mais emblemáticas da carreira de Xuxa, “Doce Mel” não podia ficar de fora. A letra teve algumas adaptações mas, diferente da versão em inglês (1992), a ideia original foi mantida. Os arranjos são os que mais se diferem da versão original, porém já eram conhecidos do público, pois a mixagem é muito parecida com a versão que tocava na abertura de 1988 do “Xou da Xuxa”. A música foi relativamente trabalhada lá fora, sendo incluída na turnê de 1991 da Argentina e se tornando o tema da descida da nave no “Show de Xuxa” durante seu ano de estreia (e em alguns programas de 1993).






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Um dos grandes sucessos do álbum, Danza de Xuxa está entre as primeiras músicas de trabalho e marcou presença nas listas de mais tocadas de alguns países em que foi lançada. “Danza” serviu de apoio para fixar a pronúncia correta do seu nome, tanto no Chile (onde a pronúncia incorreta poderia pegar mal) quanto em outros países que a palavra “Xuxa”, escrita com X, poderia ter outras variações de pronúncia.

Curiosidades:
1. Xuxa a cantou no Emmy Awards em novembro de 1990 nos Estados Unidos.
2. O clipe de “Dança da Xuxa” para o especial de natal de 1990 também foi gravado em espanhol para o especial da América Latina.  Em 1990, “Danza” foi cantada diversas vezes na íntegra no “Xou da Xuxa”.





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Como a maior parte da comunidade indígena se concentra na América, uma versão de “Brincar de Índio” não poderia ficar de fora. “Juguemos a Los Indios” também fez grande sucesso nos países latinos, sendo apresentada em inúmeras ocasiões. No Brasil, a versão em espanhol também teve relativo destaque.







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A versão em espanhol de “Rexeita da Xuxa” cumpre a cota “educativa” do álbum. Seguindo o mesmo esquema de orientar as refeições dos pequenos, “Receta de Xuxa” fica ao lado de “Quiero Pan” na lista das músicas menos trabalhadas, mas mesmo assim garantiu espaço na primeira turnê da Argentina em 1991.

Não só a letra foi fiel à original, a coreografia também se manteve. Primeira visita de Xuxa à Argentina, em dezembro de 1990



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Um dos destaques do “Xegundo Xou da Xuxa”, a versão em espanhol de “O Circo” é - ao lado de “Dulce Miel” – uma das faixas com a sonoridade mais diferente em relação à original. Porém, a letra é praticamente a mesma.

Curiosidade: A partir de 1990, “El Circo” se tornou tema das apresentações circenses do “Xou da Xuxa”. Ganhou um videoclipe exibido no especial da América Latina, gravado em 1991 no cenário do “Xou”, sem plateia.








⭐ Lançamento
Com tiragem inicial de 130 mil cópias (O Globo 02/011/1989), o disco teve seu lançamento oficial nos Estados Unidos no dia em que Xuxa se apresentou no Festival da OTI, 18 de novembro de 1989. Naquele ano, o disco saiu apenas nos EUA e México, com foco nos bairros de comunidades hispânicas e distribuição da Toys R Us, como já mencionamos. Posteriormente, nos primeiros meses de 1990, o disco foi lançado em Porto Rico e Chile

No Brasil, o álbum chegou pelo selo da Som Livre no final de março de 1990. Na Argentina, Peru, Paraguai, Equador, Venezuela, Costa Rica, Guatemala, El Salvador, Panamá e Espanha, o disco foi lançado entre junho e dezembro de 1990. Em 1991, o disco foi lançado na Colômbia.




📶Divulgação
Box promocional
Com o disco pronto (mas não lançado), criou-se um box de divulgação para as grandes empresas, produtores e diretores internacionais interessados em investir no fenômeno Xuxa. A função desse box era exatamente mostrar o potencial que a loira representava no mercado fonográfico, principalmente.


Capa do Box Promocional oferecido às empresas, diretores e produtores internacionais que pretendiam investir no fenômeno "XUXA"


Era composto pelos cinco discos lançados por Xuxa na Som Livre (os 4 primeiros "Xou da Xuxa" + o "Karaokê") acondicionados numa luxuosa caixa que se abria em quatro partes, capeados pelo disco em espanhol na versão americana.







As abas traziam os releases "Quien és Xuxa?/Who's Xuxa?", "XUXAMANIA" e as vendagens de cada disco no Brasil. E fotos, lindas fotos... Xuxa em ensaio da Ford Models, no "Xou", em show ao vivo e do ensaio da contracapa do "4º Xou".







Singles
Há que se lembrar que Xuxa iniciou sua carreira internacional como cantora e não apresentadora. Se a Globo Records realmente queria lançá-la como tal, precisava dar o tratamento específico, coisa que não acontecia no Brasil (Som Livre); aqui os discos eram "apenas" uma consequência do programa.

Cantores internacionais (principalmente) lançam compactos, ou, na língua inglesa, como ficaram definitivamente conhecidos, singles: músicas trabalhadas individualmente antes e depois do lançamento de um disco, seja para fazer crescer o interesse no disco ou garantir que o álbum permaneça lembrado durante seu período de divulgação.


Os singles promocionais de "XUXA" foram apresentados em discos de 7 polegadas (7") de 45 rpm

Nos EUA, a Globo Records lançou Arco-Iris como single promocional em 1990. Depois foi a vez de Danza de Xuxa/Dulce Miel. Os singles eram encaminhados para as rádios locais, principalmente as mais ouvidas pelas comunidades hispano-americanas. 


Singles americanos - Double A-side (Danza de Xuxa e Dulce Miel) e Simples (Arco-Iris)

Na América Latina e Espanha, as faixas escolhidas como singles em 1990 foram Ilarié, por razões óbvias, e Danza de Xuxa. Compactos promocionais também foram encaminhados às rádios. Na Espanha, houve um cuidado maior - assim como nos EUA - e os singles vinham acompanhados de capas e um recadinho de Xuxa no verso. Bombón e Campeón ganharam o status de b-sides



Na Espanha, os singles continham b-sides: Bombón para "Ilarié" e Campeón para "Danza de Xuxa"


Ainda na Espanha, Ilarié também foi apresentado no formato maxi single. O lançamento espanhol contraria um pouco a função do item. A ideia do maxi single é que ele traga mais músicas, por isso é editado em discos de 12". O Maxi Single de Ilarié é idêntico ao compacto: 2 faixas, uma de cada lado.


O single e o maxi single de Ilarié na Espanha têm conteúdo igual porém em tamanhos diferentes: compacto de 7" (45 rpm) e de 12" (33 ⅓ rpm)

Nota do blog: Para quem não se familiariza com termos da indústria fonográfica, o disco de vinil tem dois lados: A e B, certo? Num single, no lado A estava o foco, a música que queriam emplacar, a mais comercial (no caso Ilarié ou Danza de Xuxa). Já no lado B (B-side) estava a música que fazia parte do trabalho, mas não era tão comercial, às vezes até oposta à faixa do lado A. Exemplificando: Danza de Xuxa é bem animada, Campeón, por sua vez, é mais lenta, mais reflexiva. Assim, Campeón era o b-side de Danza de Xuxa naquele single (reparem que o nome da faixa sequer aparece na capa). Há também o Double A-side, que é o caso do single americano de Danza de Xuxa e Dulce Miel: duas músicas comerciais com grandes chances de se posicionarem nos charts.

Outros países, como Chile, Argentina, Costa Rica (Single de Ilarié) e México (single Double A-side de Arco Iris / Dulce Miel) também tiveram seus compactos de divulgação, mas estes não apresentavam capa, apenas o vinil de 45 rpm envolto no envelope da distribuidora.

Nenhum single do disco "Xuxa" foi lançado comercialmente. Quem quisesse ter as músicas teria que comprar o LP, CD ou K7 do disco inteiro. Os compactos de 7" eram somente para as rádios e emissoras de TV.



Recadinho carinhoso para os espanhóis na contracapa do single e maxi single de Ilarié


Estratégias
Nos Estados Unidos, a Univision montou uma estratégia de cinco comerciais exibidos diariamente para divulgar o álbum.




Para Porto Rico, Xuxa foi ao país lançar seu disco em janeiro de 1990 e voltou em março para gravar uma série de vídeos no programa “Fantástico (não é o mesmo do Brasil) cantando oito faixas do álbum, que foram exibidas individualmente durante algumas semanas.




No Brasil, um comercial começou a ser veiculado em março de 1990, com imagens do Festival Viña del Mar. Além disso, várias músicas em espanhol já faziam parte do “Xou da Xuxa (assim foi até o lançamento do “Xuxa 5”). As mais tocadas eram “Arco-Íris” e “Danza de Xuxa”.



Antes mesmo do lançamento no Brasil, a famosa edição da Vogue estrelada por Xuxa em sua quase totalidade (janeiro de 1990) já trazia um anúncio mostrando que a carreira internacional já era bem real.


Na Vogue estrelada por Xuxa, várias empresas que vendiam seus produtos, estrategicamente, fizeram anúncios homenageando a loira, uma delas foi a Globo Records


De abril a julho, várias revistinhas da Editora Globo traziam um anúncio impresso do disco. Curiosamente o gibi da Xuxa nunca o publicou. 




Em maio de 1990, Xuxa foi a outros dois países para promover o álbum: no Chile, em sua segunda viagem, onde se apresentou em vários programas e recebeu certificação pela vendagem; e no México, onde fez o lançamento, rendendo um convite para apresentar um programa por lá (mas isso é história para outro post).






No México, em algumas dessas apresentações nos programas de TV locais, toda a plateia presente recebia um postal com uma mensagem de Xuxa escrita em espanhol no verso.  Era o mesmo postal que vinha encartado no "4º Xou da Xuxa", porém com o selinho da Globo Records e da BMG Ariola, gravadora responsável pela distribuição no México.


Postal distribuído no México durante as apresentações de Xuxa nos programas de TV ou visitas a emissoras de rádio



As revistas mexicanas também passaram a publicar um anúncio do disco enfatizando os dois maiores sucessos: Ilarié e Danza de Xuxa


Xuxa também estampou a capa da revista produzida pela Univision para divulgar sua programação, com distribução nos EUA, México e Porto Rico


Em alguns países da América Latina, como Chile e Argentina, vários vídeos de apresentações das músicas, gravadas no “Xou da Xuxa”, eram veiculadas em programas de TV e até mesmo entre os comerciais. Entre as músicas, “Dulce Miel”, “Receta de Xuxa” e “Bombón”.




Algumas dessas apresentações foram compiladas na VHS promocional “Danza de Xuxa, distribuída na Argentina: Ilarié (performance do Festival Viña del Mar), Arco-Íris e Danza de Xuxa (ambas no “Xou da Xuxa”), havia também uma mensagem sobre o combate às drogas, gravada no cenário dos sorteios.









📷 Capa e contracapa
A identidade visual do disco traz, basicamente, referências ao primeiro e último(até então) disco de Xuxa na Som Livre. Na capa, o logotipo, o mesmo usado no "4º Xou", sobrepõe a foto de  José Antonio (já conhecido por fazer as principais capas de Xuxa nas publicações dos anos 80). 




Chama atenção o cuidado em deixar Xuxa menos "exposta"; nada de ombros nus, blusas transparentes ou saias curtas. Não que isso fosse errado, mas o público estrangeiro é mais conservador, principalmente o americano; então era melhor ser mais cauteloso no primeiro impacto de um disco: a capa. 

ensaio escolhido já era conhecido dos brasileiros, pois uma foto dele serviu como postal-brinde para quem comprasse o "4º Xou". Pouco depois o ensaio virou uma espécie de coringa para diversos produtos da loira: material escolar, meia-calça e até como foto de divulgação da turnê Xuxa 90 no Brasil.




Na contracapa, o "X" composto de várias fotos de Xuxa no "Xou" pode ser visto como uma recriação da contracapa de 1986São várias fotos de apenas dois programas: o especial de Natal de 1988 e um programa exibido em março de 1989. 




O encarte das letras também segue o padrão do 4º Xou, apenas substituindo os números "4" por "XUXA" em marca d'água.





▶️ Versões do álbum
Por ser o primeiro disco distribuído em muitos países, é também o que mais possui variações nas edições. Não falamos de conteúdo, mas sim de apresentação.

"XUXA" foi lançado em LP, CD e K7 (em 2016, foi disponibilizado nas plataformas de streaming), mas esses três formatos não aconteceram em todos países, muito menos de forma simultânea. Somente nos EUA os três foram lançados de uma vez em 1989, nos demais isso acontecia de forma gradativa; quando acontecia.

「LP
O formato mais popular no início dos anos 90 tem algumas diferenças curiosas nos países em que foi lançado, como os avisos da capa:  
1. "Se pronuncia Shusha/Say Shusha" - EUA, México, Venezuela, Argentina e Chile tinham o "aviso". Já na Espanha, Colômbia e no Brasil (claro) isso não aconteceu. Lembrando que na Colômbia, o disco só saiu em 1991 quando Xuxa já era bem mais conhecida.




▶ 2. "Ud. (Usted) lo vio em Television" - Edições dos EUA e México. Lembram que falamos da campanha da Univision de veicular pelo menos 5 comerciais diários em sua programação? Tá explicado...


O anúncio remete à pesada campanha de divulgação orquestrada pela Univísion

▶ 3. "La Original- Esse foi exclusivo  da Colômbia que só lançou o vinil em 1991. Logo acima do X estava escrito "La Original"; provavelmente em razão da infinidade de programas latinos que copiavam o "Xou" (com ou sem autorização).


Além da observação "La Original", a edição da Colômbia é, provavelmente, a que possui a pior impressão da capa com cores estouradas
Xuxa parece estar fazendo propaganda de urucum e batom rosa



Na contracapa a maior diferença é em relação à edição brasileira. Somente na nossa não há a relação das músicas. Não entendemos o porquê disso, mas nos parece algo que não deveria acontecer. Nem todo mundo acompanhava tão de perto a carreira de Xuxa para entender que aquela capa era de um disco em espanhol e não um de inéditas. Imaginamos que muito adulto comprou o disco para presentear um baixinho com uma ideia bem diferente de "acho que ele vai gostar de ouvir músicas da Xuxa em espanhol".🤔


Brasil: contracapa sem a lista das músicas


Nos rótulos dos LPs, total diferença, pois isso dependia da distribuidora de cada país: Som Livre (Brasil), RCA (México), Globo Records (EUA), Venezuela (Sono Rodven), Colombia (Talento)... Por conta dessa diversidade de distribuidoras a impressão da capa também variava e muito! Em algumas parece que Xuxa está com hepatite (Argentina) e em outras parece está fazendo propaganda de urucum (Colômbia).




Exceto pela qualidade de impressão das fotos, a diferença entre as capas das edições se resume ao logotipo: com "avisos", transparente ou quase prateado


K7 
A fita cassete era o formato mais acessível e por essa razão teve mais edições que o LP. No Uruguai, por exemplo, o disco só saiu em K7, distribuído pela Elite. Na maioria dos países a fita trazia os créditos e, algumas, até as letras das faixas. No Brasil, nada, só a capa mesmo.


As capas da fitas k7 variavam bem de país para país, o que não aconteceu nos demais formatos


CD 
Poucos países lançaram a versão em CD, o formato ainda era limitado a um nicho com melhor poder aquisitivo. Os EUA foram os primeiros, ainda em 1989. Já a Argentina só lançou em 1994. 


XUXA em CD: os EUA saíram na frente e lançaram o formato no final de 1989


... já a Argentina o lançou por último, em 1994, com distribuição da Philips

No Brasil nunca aconteceu. Espanha e México lançaram em 1990.
A melhor versão lançada é a espanhola, pois foi a única que publicou a contracapa original e as letras das músicas. Nas demais, a contracapa foi substituída pela relação das faixas em um fundo branco apenas, como mostramos.


A edição espanhola do CD reproduz fielmente a arte do LP

Houve duas tiragens na Espanha: a primeira (1990) trazia o logo com impressão prateada fosca e uma margem ao redor da foto. Na tiragem seguinte, a impressão comum e removeram a margem; os outros detalhes foram mantidos

🔊Show
Não existiu uma turnê montada exclusivamente para divulgar o álbum. Na maioria das vezes, a divulgação ficava por conta das apresentações em programas de TV dos países onde foi lançado. A partir do 2º semestre de 1990, Xuxa levou uma adaptação da turnê do “Xuxa 5” para alguns países latinos: cenário, figurinos e até mesmo o set list do recém lançado álbum brasileiro foram mantidos; a diferença estava na inclusão de todas as músicas do álbum em espanhol. Nenhuma das faixas ficou de fora. 


Apresentação de Xuxa no  Chile em 1990: músicas do disco em espanhol dividiram o set list com faixas em português


O primeiro show internacional aconteceu no Paraguai, para uma plateia de 40 mil pessoas, no dia 8 de outubro de 1990, exibido pela TV local.


A turnê de 1991, por sua vez, já visava a divulgação do 2º álbum em espanhol lançado no primeiro semestre daquele ano.


📈 Charts
Logo depois de lançado, "Ilarié” começou a aparecer nas listas de músicas mais tocadas em algumas cidades americanas com rádios “habla hispana”, como San Francisco. De acordo com um ranking da Revista Billboard, em 17/03/1990, Ilarié completava sua décima semana nos charts, figurando na 24ª posição do Hot Latin Tracks, dos Estados Unidos.




No Chile, “Ilarié” chegou a ficar entre as mais tocadas entre março e abril de 1990. Em uma mesma semana, "Ilarié" apareceu junto com "Danza da Xuxa" no top 5.



Em maio de 1990, “Arco-Iris” apareceu entre as mais tocadas nas emissoras latinas da cidade de New Orleans(EUA). Já no mês de agosto, foi a vez de “Danza de Xuxa” aparecer entre as mais tocadas da cidade de Washington(EUA), por 3 semanas consecutivas.




📀 Vendagem
A tiragem inicial foi de 130 mil cópias destinadas aos Estados Unidos (O Globo 02/11/1989). Durante 33 semanas consecutivas o álbum esteve na lista da Billboard entre os discos latinos mais vendidos, entre janeiro e agosto de 1990, variando entre a 1ª e a 25ª posição.



No Chile, o sucesso de vendas também foi rápido. Em maio de 1990, Xuxa fez sua 2ª viagem ao país para receber a certificação de 120 mil cópias vendidas no programa “Martes 13”, batendo todos os recordes de vendas por lá. Em agosto, a marca já havia atingido 160 mil cópias (O Globo, 02/08/1990), garantindo oito discos de platina.


Campeã: Xuxa recebe o disco duplo de platina no programa "Martes 13", em maio de 1990

No México e em Porto Rico, “XUXA” bateu rapidamente as 100 mil cópias vendidas.

Lançado em meados do ano na Argentina, Xuxa só foi divulgar o álbum por lá no finalzinho do ano e, naquele momento, já havia garantido disco de ouro e platina. Em meados de 1991, o disco já havia alcançado a marca de 340 mil cópias.


Certificações recebidas na Argentina no final de 1990

No Brasil, a vendagem ficou bem abaixo dos discos em português, atingindo "apenas" 130 mil cópias.

No total, foram cerca de 1.400.000 cópias vendidas em todo o mundo.



👏🏻 Reconhecimento
Em março de 1990, Xuxa foi nominada nas categorias “Best New Artist” e “Cross-Over Artist of The Year” do Prêmio Lo Nuestro da Música Latina, organizado pela Billboard. Apesar de não ter levado os prêmios, a Globo Records e a BGM-Chile publicaram uma página especial de reconhecimento na imprensa especializada e também na Revista Billboard.


"A Globo Records orgulhosamente parabeniza XUXA, um talento que rompe fronteiras e encanta o mundo"


🏆 "...Y dar a todos lo mejor"
Aquilo que começou como uma animada apresentação na primeira faixa do disco - "este és el show de Xuxa y los saluda con amor" - se tornou mais uma prova do que o profissionalismo e o carisma dessa loira consegue alcançar. Sem ser cantora, ela vendeu mais que qualquer outro artista brasileiro lá fora. Definitivamente ela não precisa ser a melhor cantora quando ela entrega seu melhor... Hoje, muitos vão saber dessa história porque viram os fatos, registros e números que apresentamos, mas nós (e muita gente) já sabíamos disso há 30 anos... Como? Bom, ela mesmo canta: 


"y sólo un niño lo puede entender..." 🤷🏻‍♂️

Gracias, XUXA 💙


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